Monday, October 03, 2005

Adorável Dora (2ª parte)

É o carteiro. Ela recebe a carta. Volta para o sofá. A fatia do bolo continua sobre a mesa. Abre a carta com um ar meio indiferente, enquanto morde o bolo. É nesse instante que ela, já a mastigar o bolo, descobre que a carta é de um fã apaixonado, que a conheceu no tempo em que ainda era uma cantora de sucesso e que se lembrou do seu aniversário. Em off, ouvimos a voz do fã a fazer rasgadas declarações de amor. Dora fica surpreendida com o teor da carta. Lembra-se que está a mastigar o bolo envenenado. Assustada, vai até a casa de banho, vomita, lava a boca e volta a correr para a sala. Continua a ler a carta. O fã começa então a narrar uma fantasia erótica que teve com ela. Dora passa a sonhar. Vemos a fantasia a acontecer. Mas nunca vemos o rosto do fã, tudo se passa a partir de uma câmara subjectiva com o ponto de vista dele. Ao fim, Dora acorda do sonho. Está feliz. Abraça a carta contra o peito. No gira-discos o LP chega ao fim e o aparelho desliga-se. A imagem vai a negro.


Sequência 3

A partir daí, todos os dias Dora recebe uma carta a narrar as fantasias sexuais do fã. Vemos sempre as fantasias a acontecer. Dora continua a vestir-se como uma jovem dos anos sessenta.

É criado um clima de suspense quanto a quem é o fã. Pistas falsas indicam que ele pode ser o próprio carteiro ou um rapaz que Dora vê na rua a olhar para a sua janela ou um homem que ela tem a impressão que está a segui-la. Todos os suspeitos são jovens e bonitos.

Sequência 4

Um dia, o fã avisa que irá visitá-la no dia seguinte. Dora fica feliz com a notícia.

No dia da visita, vemos Dora a arrumar freneticamente a casa e depois se prepara para o encontro. Coloca um vestido de festa, brincos enormes, sapatos de saltos muito altos. Tudo extremamente antigo e piroso. Ela está tão feliz que porta-se como uma adolescente a se preparar para o primeiro encontro.

A campanhia toca. Ela corre a atender. Pára na porta antes de abrir. Tenta controlar as suas emoções. Abre a porta com um imenso sorriso. Fica desconcertada com o que vê: um senhor careca, a beira dos sessenta anos. O homem se apresenta como o fã, entrega um punhado de flores e pede para entrar. Meio que em transe, Dora deixa-o passar. Os dois sentam-se e ficam a se olhar. O fã tenta ser simpático, mas não consegue manter uma conversa com Dora, que está completamente assustada. A situação torna-se constrangedora.

Num dado momento, Dora se levanta e coloca um disco seu a rodar. Depois vai para a cozinha. Volta com o bolo envenenado. Serve uma fatia para ele e uma para si mesma. Ele, simpático, elogia o bolo. Dora tem então um ataque de risos. Ele também ri, sem saber o porque. Os dois comem e riem sem parar. A música sobe. Ecrã vai a negro. Fim.

3 Comments:

Blogger brunoqualquercoisa said...

Para o ICAM, já.

10:11 AM

 
Blogger _Faceless_ said...

Muito bom!
Foi como se estivesse a ver o filme!

8:39 AM

 
Blogger SergioLeite said...

Oi Edson,

Muito Bom. Talvez o começo da realização do velho desejo de escrever um roteiro

3:05 PM

 

Post a Comment

<< Home