Tuesday, August 23, 2005

Suburbanos Corações (comentários)

Então é assim: essa pequena novela aqui publicada já tem barbas. Trata-se na verdade do primeiro texto de ficção que escrevi, tinha lá eu uns 16 anos, o que explica alguma coisa.

Na época, lia muito Nelson Rodrigues e Dalton Trevisan, dois autores malditos no Brasil. De um e de outro roubei o exagero e o ambiente perverso. Acho que escrevi da minha maneira, ainda mais que, adolescente, não tinha lá muita habilidade em copiar literalmente os outros.

Fora o que é delirante (quase tudo), o resto é verdade. O meu pai tinha uma padaria e realmente por lá passou uma balconista meio putinha e que seduzia com alguma frequencia os fregueses. Rômulo, o homem bom, é o reflexo de um tio já falecido e que caiu nas garras da tal balconista.

O texto original, bem próximo do actual, ficou anos numa gaveta, coisa que fazemos (graças à Deus) com os nossos textos imberbes. Mas, há cerca de dez anos, faltava-me um conto para completar o meu livro “A Balada do Yuppie Louco”. Lembrei então da coisa, reli e vi que não era assim tão mau (pelo menos em comparação aos outros textos que sou capaz de cometer ainda hoje). Daí que fiz alguns ligeiros cortes e adaptei a história, originalmente passada no subúrbio do Rio de Janeiro, para a periferia de Lisboa. Não fez lá grande diferença.

E essa foi a versão aqui publicada. Pela primeira vez, graças às novas tecnologias, na forma de um folhetim, que era a minha ideia original há 23 anos.

Ou como diria o meu Tio Olavo: “Os textos deste blog seguem uma regra: ou são bons ou são originais. O problema é que o que é original não é bom. E o que é bom não é original.”

5 Comments:

Blogger Abc Dário said...

Big Edson, grande blogger que recusa as imagens. Um texto vale mil imagens.
O que é original, é sem dúvida único. Ora o "único", é sempre bom, dependendo da originalidade...
Já "tou" confuso.....
Siga!

1:52 PM

 
Blogger dislexico anonimo said...

Muito bom! Não me recordava do texto. Basicamente o facto de ele ter ficado na gaveta recorda-me um outro, seria "a gaveta do escritor"? Desse recordo-me que era bom.

3:52 AM

 
Anonymous Anonymous said...

Acho a ideia do folhetim brilhante. É muito engraçado vir aqui à procura de mais um episódio e ir vendo a história evoluir ao longo da semana.
Parece o blog a querer vingar a morte das radionovelas.
Melhor, só encontrares uma marca de detergente para patrocinar os folhetins.

6:57 AM

 
Blogger estreladomar said...

Edson. Tio Olavo. Edson.
Que bom! Um segredo. Adoro segredos. Ainda há quem tenha segredos. Um mistério a desvendar. Nesta minha pacata vida de estrela do mar. Que emocção!...
Cumprimentos, estrela do mar
P.S. Brigada pelos pormenores do making of...Estou curiosa para lêr o que se segue...

3:16 PM

 
Blogger Star * Dust said...

Aguardo ansiosamente pelo próximo conto...

4:08 AM

 

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