Tuesday, August 23, 2005

Suburbanos Corações (4º Capítulo)

Naquela noite Rômulo encontrou a resposta que tanto perseguira. Virgínia finalmente não foi para casa quando saiu da paadaria. Seguiu para um terreno abandonado num sítio distante. Rômulo fez uma espera atrás de um poste, a fumar um SG Ventil atrás do outro. E viu chegar aquele homem maravilhoso, com um sorriso maravilhoso, um cabelo maravilhoso e uma cara de alegria. Virgínia, a santaputa, nunca tinha estado tão bela e tão lasciva. Irradiava toda a paixão que sentia. E então Rômulo sofreu como nunca: Virgínia abraçou o homem maravilhoso, beijou a face dele sete vezes, baixou a cuequinha e entregou-se. Rômulo viu quando a saia de Virgínia subiu até a cintura, quando os seus pés começaram a levitar, quando trincou os dentes na língua daquele homem maravilhoso e quando começou a ganir, a gemer, a emitir ruídos de prazer. Rômulo chorou uma única lágrima de felicidade. “Acabou”, pensou, “acabou”. Ele era um pária, um desgraçado, um corno apaixonado. E percebeu pela primeira vez que não era um homem bom. Que podia odiar; ter raiva, matar. Os seus olhos brilhavam no escuro. Era o ódio, era o amor, era o fim.

O fim foi rápido e quase indolor. O homem maravilhoso nada viu, nada sentiu pois estava a ter um orgasmo quando o Citroen 2 CV 1975 o esmagou contra o muro. Rômulo também teve uma morte instantânea. E Virgínia ficou literalmente dividida entre os seus dois amores: parte do seu corpo dilacerado misturou-se como numa almôndega à carne e ao sangue do homem maravilhoso. A outra parte, com o impacto do carro, voou, rodopiou no ar e desabou sobre o 2 CV. Ao rebentar no pára-brisa, os seus lábios cor de sangue foram decepados e exibiam agora um beijo escarlate na relva. Era belo. Era erótico. Era o ultimo momento de lasciva da santaputa. E nem a polícia conseguiu descobrir se a cor dos lábios que brilhavam vermelhos no chão era do seu sangue ou do seu baton.

Martha, pela última vez, pronuncia-se “Marfa”, agiu rapidamente… (continua)

2 Comments:

Blogger estreladomar said...

Oi tio olavo, oh, desculpe Edson! Ja vi que esta com creativite aguda... Percebi que de quando em vez lhe dá!!!... Não estou a dizer que não gosto, acho um exercicio de creatividade muito engraçado, até gostava de lhe perguntar se vai pensando nisso durante o dia, quando não tem nada para fazer, ou se lhe vem tudo, quando se senta para escrever? Estou curiosa para ver que voltas vai dar essa novela... Cumprimentos P.S. desde o tempo dos trintoes do DNA que tenho vontade de lhe perguntar: Quem é tio Olavo? Existe? É mesmo seu tio? Criação sua?

8:16 AM

 
Blogger edson said...

cara estrela,

já falta pouco para a novela acabar. aí, no final, vou comentar um pouco a feitura desse texto. quanto ao tio olavo, peço desculpas, nem sob tortura conto toda a verdade.

um abraço,

edson

10:56 AM

 

Post a Comment

<< Home