<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413</id><updated>2011-07-28T11:25:02.859-07:00</updated><title type='text'>tio olavo</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>96</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-113621081294971745</id><published>2006-01-02T05:55:00.000-08:00</published><updated>2006-01-02T06:08:05.656-08:00</updated><title type='text'>Começar com o pé direito</title><content type='html'>Viver é movimento. Quem está parado, respira mas não vive (quem disse que as duas coisas são inseparáveis?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre o ano com o pé direito. E depois com o esquerdo. E o direito. E o esquerdo. Taí uma receita simples para quem deseja a felicidade prometida. Não espere sentado senão ela não passa disso, uma promessa. E de promessas o Céu está cheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ande. Caminhe. Corra. Viaje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajar para dentro ou viajar para fora. Tanto faz. Viajar é transitar, é trocar, é ver, sentir, comer, cheirar o novo, o outro, o diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajar não é simples. Não basta pegar um comboio, um carro, um avião. Não, mil vezes não. Viajar não é só tirar a bunda cadeira. Não adianta fazer isso se não tirar a bunda da cabeça. Se não por o cérebro a funcionar, se não liberar o sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não sair nunca do casulo, sempre será larva, nunca borboleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive o último mês viajando. Primeiro no Chile (de Santiago até aquele lugar onde Judas encontrou a bota, em plena Patagónia). Depois Argentina e ainda pelo Sul do Brasil até, por fim, passar pelo Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma viagem estranha, porém bacana. Fui sozinho, como todas as boas viagens sempre acabam por ser (mesmo aquelas em que vai bem acompanhado). Deu para reflectir sobre algumas coisas, tomar umas notas mentais, fazer um balanço da vida e, noves fora, chegar a brilhantes inconclusões (o corrector de texto do computador avisa que esta palavra não existe, dane-se o corrector, quem sabe do que escrevo sou eu).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pontos altos foram vários e plenamente recomendáveis para quem um dia quiser conferir pessoalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vai dar para esquecer o fim de tarde em Porto Varas, o Sol rosa/vermelho a descer como uma bola no lago, com o vulcão Osorno como pano de fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim de tarde só comparável com um dos três ou quatro que vi em Ipanema. Com o diferencial da banda sonora ser de alguns turistas e muitos cariocas a brindar em plena praia ao Sol, ao Rio, à natureza. Aquela cidade tem dessas coisas. As pessoas perdem a noção do ridículo e batem palmas até para o horizonte. Melhor assim. Bem melhor, aliás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Bariloche, descobri o prazer de nadar às 11 da noite numa piscina aquecida ao ar livre. Temperatura da água: 35º. Temperatura exterior: 10º. Resultado: a água a deitar fumo, só a cabeça do lado de fora e um belo visual para um fantástico lago patagónico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Florianópolis, foi interessante rever uma cidade (na verdade, um ilha) em que morei há quase vinte anos. Curioso foi estar ao pé da casa em que lá habitei e descobrir que ela era mais feia do que lembrava, mais pequena do que lembrava e nem sequer ficava de frente para a praia, ficava de lado, o que não correspondia a nada do que estava gravado na minha memória. Fica a lição: deixe o passado no passado. As pessoas e os lugares nunca vão ser os mesmos. Vão estar sempre mais velhos e possivelmente mais feios. Com as pessoas ainda há uma salvação: o que importa nelas é o que está por dentro e não o que está por fora. E de qualquer maneira, se for para comparar com a dos outros,  a sua carcaça também não deve estar grande coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, um dos pontos altos foi poder ver numa sessão de cinema ao meio-dia, ou seja, entre praias, ao documentário “Vinicius”, que conta de maneira intimista a biografia do poeta Vinicius de Moraes. Lindo filme e também bela lição de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinicius foi um poeta atípico, que começou a escrever para as elites e depois resolveu dedicar-se ao povo. Passou a vida a inventar e reinventar-se. Fugia do sucesso fácil. Estava sempre onde ninguém imaginava poderia estar. Pagou por isso. Foi menos reconhecido quando vivo do que deveria. Mas a sua obra continua aí, lida e cantada como se tivesse sido feita ontem, ou melhor, hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como por exemplo, o texto que vem a seguir que fala justamente sobre o que devemos fazer no começo de um novo ano e que dedico a todos vocês:&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Amigos Meus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, meus amigos, não vos deixeis morrer assim... O ano que passou levou tantos de vós e agora os que restam se puseram mais tristes; deixam-se, por vezes, pensativos, os olhos perdidos em ontem, lembrando os ingratos, os ecos de sua passagem; lembrando que irão morrer também e cometer a mesma ingratidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ide ver vossos clínicos, vossos analistas, vossos macumbeiros, e tomai sol, tomai vento, tomai tento, amigos meus! - porque a Velha andou solta este último Bissexto e daqui a quatro anos sobrevirá mais um no Tempo e alguns dentre vós - eu próprio, quem sabe? - de tanto pensar na Última Viagem já estarão preparando os biscoitos para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me havia prometido não entrar este ano em curso - quando se comemora o 1964º aniversário de um judeu que acreditava na Igualdade e na justiça - de humor macabro ou ânimo pessimista. Anda tão coriácea esta República, tão difícil a vida, tão caros os géneros, tão barato o amor que - pombas! - não há de ser a mim que hão de chamar ave de agouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu creio, malgrado tudo, na vida generosa que está por aí; creio no amor e na amizade; nas mulheres em geral e na minha em particular; nas árvores ao sol e no canto da juriti; no uísque legítimo e na eficácia da aspirina contra os resfriados comuns. Sou um crente - e por que não o ser? A fé desentope as artérias; a descrença é que dá câncer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo bem que me quereis, amigos meus, não vos deixeis morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprai vossas varas, vossos anzóis, vossos molinetes, e andai à Barra em vossos fuscas a pescar, a pescar, amigos meus! - que se for para engodar a isca da morte, eu vos perdoarei de estardes matando peixinhos que não vos fizeram mal algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muni-vos também de bons cajados e perlustrai montanhas, parando para observar os gordos besouros a sugar o mel das flores inocentes, que desmaiam de prazer e logo renascem mais vivas, relubrificadas pela seiva da terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parai diante dos Véus-de-Noiva que se despencam virginais, dos altos rios, e ride ao vos sentirdes borrifados pelas brancas águas iluminadas pelo sol da serra. Respirai fundo, três vezes o cheiro dos eucaliptos, a exsudar saúde, e depois ponde-vos a andar, para frente e para cima, até vos sentirdes levemente taquicárdicos. Tomai então uma ducha fria e almoçai boa comida roceira, bem calçada por pirão de milho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O milho era o sustentáculo das civilizações índias do Pacífico, e possuía status divino, não vos esqueçais! Não abuseis da carne de porco, nem dos ovos, nem das frituras, nem das massas. Mantende, se tiverdes mais de cinqüenta anos, uma dieta relativa durante a semana a fim de que vos possais esbaldar nos domingos com aveludadas e opulentas feijoadas e moquecas, rabadas, cozidos, peixadas à moda, vatapás e quantos. Fazei de seis em seis meses um check-up para ver como andam vossas artérias, vosso coração, vosso fígado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E amai, amigos meus! Amai em tempo integral, nunca sacrificando ao exercício de outros deveres, este, sagrado, do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amai e bebei uísque. Não digo que bebais em quantidades federais, mas quatro, cinco uísques por dia nunca fizeram mal a ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amai, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sobretudo não morrais, amigos meus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1965&lt;br /&gt;in Para uma menina com uma flor&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-113621081294971745?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/113621081294971745/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=113621081294971745' title='24 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/113621081294971745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/113621081294971745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2006/01/comear-com-o-p-direito.html' title='Começar com o pé direito'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-113387351855144323</id><published>2005-12-06T04:47:00.000-08:00</published><updated>2005-12-06T09:09:15.686-08:00</updated><title type='text'>Esperança e canja de galinha</title><content type='html'>Rápido, parado, mexido, na mesma. Acho que 2005 vai ser lembrado como o ano em que nada foi resolvido, pouco foi melhorado, em que o planeta esteve onde sempre esteve, mas, como diria Galileu, no entanto moveu-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que vamos ter saudades de 2005? Tenho dúvidas, tenho dúvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Costumamos ter saudades dos tempos em que as coisas eram bonitas, melhores, mais ricas. As nossas recordações são sempre em polaroids da vida, nunca na crueza de uma imagem digital que pode ser perfeitamente apagada (apenas porque sim) só para não ocupar espaço no disco rígido das nossas almas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duvido que 2005 entre por si só no álbum de fotografias da década.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2005 não teve nos seus dias o delírio de um Euro 2004 em Portugal, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2005 foi um ano daqueles de, literalmente, cumprir o calendário. Não é que tudo foi mau (e, olha, que muita coisa foi má), apenas não teve o seu brilho próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi em 2005 que descobriu-se a cura para a SIDA. Não foi em 2005 que todos os países decidiram cumprir o Protocolo de Quioto (uma das poucas garantias de que este mundo tenha lá algum futuro). Não foi em 2005 que Saint Louis, o berço do jazz, não foi atingido por um furacão e que a festa pôde seguir como sempre. Não foi em 2005 que a humanidade descobriu-se extremamente solidária e que o G8 além de perdoar uns trocados da dívida dos países subdesenvolvidos (mesmo assim só por que o Bono dos U2 pediu) decidiu perdoar as dívidas todas e, já agora, vamos lá trabalhar todos para que as coisas funcionem melhor. Não foi em 2005 que Bin Laden, Bush e os seus comparsas chegaram a um acordo, fizeram as pazes e deixam-nos viver em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paz. Sim, teve qualquer coisa de paz em 2005. Aquilo lá entre Israel e a palestina até andou qualquer coisa. Mas foi pouco, soube a pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi em 2005 que a crise económica portuguesa acabou. Que o desemprego desceu. Que a justiça funcionou melhor. Que a saúde esteve em óptimo estado. Que o Estado esteve de óptima saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não foi em 2005. Nada disso aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, e agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é bola para frente. Fora quem trabalha em museu, ninguém vive de passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2006 está aí mesmo a nossa frente para acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como afirmou Gandhi: “Não sou um utópico, sou um idealista prático.” Ou Churchil: “Eu sou um optimista. Não me parece muito útil ser outra coisa.” Ou Armando Nogueira: “É sempre melhor ser optimista do que pessimista. Até que tudo dê errado, o optimista sofreu menos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso aí: 2006 ainda não deu errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser que dê certo. Todos os anos há sempre a hipótese dele dar certo. Quem sabe não é dessa vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco de canja de galinha e de esperança nunca fez mal a ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenha um feliz 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mais importante: tente ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS do meu Tio Olavo: "Se não houver frutos, valeu a beleza das flores; se não houver flores, valeu a sombra das folhas; se não houver folhas, valeu a intenção da semente."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Think about.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-113387351855144323?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/113387351855144323/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=113387351855144323' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/113387351855144323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/113387351855144323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/12/esperana-e-canja-de-galinha.html' title='Esperança e canja de galinha'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-113275246953599116</id><published>2005-11-23T05:22:00.000-08:00</published><updated>2005-11-23T05:27:49.553-08:00</updated><title type='text'>ponto de situação</title><content type='html'>então é assim pessoal: estou mesmo sem tempo de escrever coisas novas aqui. isso não quer dizer que desisti do blog ou que amanhã ou depois não arranje tempo para dar o ar da minha graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;entretanto sugiro o seguinte: o blog contém dezenas e dezenas de textos. a maioria completamente atemporal. logo, se ainda não teve a oportunidade de ler alguns dos textos antigos, está aí uma boa oportunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;qualquer comentário sobre textos antigos pode ser colocado aqui neste post.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;prometo que assim que puder ter trinta minutos de paz volto a escrever coisas novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e é isso. um abraço a todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-113275246953599116?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/113275246953599116/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=113275246953599116' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/113275246953599116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/113275246953599116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/11/ponto-de-situao.html' title='ponto de situação'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-113119736883851704</id><published>2005-11-05T05:25:00.000-08:00</published><updated>2005-11-05T05:29:28.866-08:00</updated><title type='text'>Conta aí</title><content type='html'>Tenho cara de “conta aí.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é mais ou menos como ter a cara de um padre do interior já patusco de tão velho e necessariamente surdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “conta aí” tem cara de pedinchão. É como se ele passasse a vida a implorar que os outros lhes contassem as suas vidas nos mínimos detalhes. E que, claro, tudo o que fosse dito não sairia dali, morreria com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, tenho cara de “conta aí”. E as pessoas contam mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças à Deus há as excepções. Há quem seja prático e procure um psicanalista para fazer o trabalho sujo. E, então, com a atenção de um profissional ao seu serviço, comece a abrir as gavetas da alma, tirando de lá todos os tipos de objectos putrefactos e inúteis que coleccionamos ao longo da nossa curta e dispensável existência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como os analistas são pagos para não ter nojo das porcarias dos outros, vão remexendo no lixo à procura de algo que preste ou que possa ser consertado. Quase sempre conseguem dar a volta ao texto, mas às vezes não é fácil (“Hum, não, não, o facto do senhor coleccionar sapatos femininos não tem nada de errado, onde já se viu. É apenas uma demonstração tardia de apego ao design. Não vale a pena debruçarmo-nos sobre o tema. Prefiro antes voltar  a aquele seu sonho recorrente, aquele do rapto do Pai Natal, em que aparecem o Lobo Mau, vestido em roupa interior de cabedal, a Cicciolina e dois rapazes fisioculturistas que têm os seios iguais aos da Pamela Anderson.”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como a maioria das pessoas não tem massa para pagar por uma análise, acaba por recorrer aos ouvidos dos amigos que, como todos sabem e o dicionário confirma, é o melhor sinónimo possível para a palavra sanita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu caso então é terrível. Como tenho cara de “conta aí” e o meu ar apalermado é uma garantia de que nem que eu quisesse conseguiria usar o que ouço contra quem contou, volta e meia, conhecidos (o que até que é esperado) e desconhecidos (aí é que a coisa pia mais fino) contam-me segredos que fazem duvidar daquela balela de que o ser humano é uma raça superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nem estou a referir-me necessariamente a coisas relacionadas ao sexo. Não, graças a Deus, o máximo que já ouvi de inconfidências sobre o assunto resume-se a meia dúzia de casos banais de infidelidade matrimonial (vamos ser sinceros, encornar e ser encornado são os dois desportos mais antigos do mundo). Nunca ouvi nada que envolva pigmeus albinos besuntados em ovos ou texugos selvagens (já sobre texugos domésticos, bem..). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos aos factos. Dou alguns exemplos (todos eles reais). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma amiga que há trinta anos não bebe água. Bebe sumos, ice-tea, refrigerantes em geral, mas água não. O estranho é que ninguém sabe desse seu hábito. Nem o marido desconfia. A água, como ela confessou-me, tem qualquer coisa de molhado que lhe causa uma certa repugnância. Certo, claro, então tá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo, já um senhor de quase 40 anos, director de uma multinacional, guardou uma insólita mania da infância que é a de tocar músicas a soltar gases em geral (os arrotos e os outros). Cheguei a comover-me ao ouvi-lo arrotar outro dia o «Parabéns a Você». Mas nada que chegasse aos pés da sua maravilhosa improvisação do tema de “Dr. Jivago”, num arranjo para orquestras de gases. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho outro amigo que só consegue dormir com duas almofadas. E daí? Bem, o problema é que as almofadas têm de ser as mesmas que o acompanham há mais de vinte anos (inclusive em viagens). Detalhe: elas nunca foram lavadas. Nem queiram saber a opinião da esposa dele sobre o assunto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas que usam dois pares de meia de cada vez, conheci umas quatro. Pessoas que discutem sozinhas, a ponto de numa briga feia ficarem semanas sem dirigir a palavra a si mesmas, são quase todas. Idem para as pessoas que se deleitam com prazeres secretos a partir de actos aparentemente banais que envolvam a cera dos ouvidos e os macacos do nariz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso para dizer o quê? Bem, é só para lembrar que é risível a necessidade de toda a gente parecer normal. Além de uma perda de tempo (ninguém acredita) é só mais uma razão para causar stress desnecessário e infelicidade premeditada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, amigo, ponha para fora o anormal que tem dentro de si. Gosta de pôr a língua na ponta nariz (há quem consiga), faça isso já, aí no meio da praça, no meio da rua. Ninguém se vai assustar (se calhar ainda é aplaudido).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que não faça coisas ilegais, ninguém tem nada com isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ou como diria o meu Tio Olavo: “De perto ninguém, é normal.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-113119736883851704?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/113119736883851704/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=113119736883851704' title='25 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/113119736883851704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/113119736883851704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/11/conta.html' title='Conta aí'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-113051687262741077</id><published>2005-10-28T09:27:00.000-07:00</published><updated>2005-10-28T09:27:52.683-07:00</updated><title type='text'>honestamente</title><content type='html'>Recebi um e mail que demonstra um bocadinho do que nós, latinos, pensamos sobre a nossa maneira de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O e mail dizia mais ou menos o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ONU decidiu realizar um debate sobre a fome. Para tanto, enviou uma mensagem pedindo que todos "respondessem, por favor, honestamente sobre a questão da escassez de comida nos seus países."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A mensagem causou uma enorme confusão. Os holandeses, por mais que pensassem, não conseguiam descobrir o significado da palavra "escassez". Os franceses desconheciam totalmente o conteúdo da expressão "por favor". Os africanos tinham dúvidas sobre o que era aquela coisa chamada "comida".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o pior aconteceu no Brasil, na Espanha, na Itália e em Portugal. Dois meses depois, mesmo após imensos debates nos seus parlamentos, jornais e televisões, ninguém conseguia perceber o que a ONU queria dizer com a palavra "honestamente"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-113051687262741077?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/113051687262741077/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=113051687262741077' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/113051687262741077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/113051687262741077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/10/honestamente.html' title='honestamente'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112980955715685924</id><published>2005-10-20T04:58:00.000-07:00</published><updated>2005-10-20T05:01:56.666-07:00</updated><title type='text'>Como nossos pais</title><content type='html'>Ok, este blog corre o risco de ficar monotemático, mas vamos lá a mais um texto a falar dos trintões &amp; cia (sempre a lembrar o meu fabuloso livro “Os Ttintões”, que já está nas livrarias e já vai na segunda edição).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É moda em Londres, ou seja, não demora e será moda também em Portugal. São as chamadas School Dance, festas organizadas para trintões rememorarem os tempos de escola. A receita é simples: música dos anos 80 e roupas que remetem directamente para a época em que aquele bando de balzaqueanos bêbados que chocalha o esqueleto no Kapital ainda eram colegiais. É uma mistura de Duran Duran com celulite; um cocktail explosivo de Police e lipoaspirações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia de fundo das School Dance é proporcionar um reencontro de colegas de turma e a simulação de uma máquina do tempo, remetendo toda a malta para uma era em que eram todos menos feios e mais felizes, menos sérios e mais loucos, menos carecas e mais magros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa segue uma tendência que vem dos EUA. Lá é imenso o sucesso dos sites que promovem o reencontro de ex-colegiais. Só um deles, o “classmate.com”, tem cerca de 30 milhões de registados. Gente que aderiu sem pudores ao Complexo de Peter Pan, que tem dificuldades em crescer, em desligar-se do passado, em usar os trapinhos da Diesel ou dançar trance ou hip hop.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá na terrinha o negócio tem tudo para prosperar. Cedo chegará o dia em que vou encontrar alguns dos meus amigos numa School Dance lusa. A festa será num lugar entre o Frágil do Bairro Alto e a Discoteca 2001 no Autódromo do Estoril. Lá estarão o Pedro Rolo Duarte (a dançar com a gravata na testa em cima de uma coluna de som) e o João Gobern, a fazer de DJ, a pôr um LP dos Táxi para girar na pick-up e animar o pessoal. Você, claro, também estará convidado. E com um pouco de sorte ainda convence a Margarida Rebelo Pinto a dar uma voltinha nas dunas do Guincho, com a desculpa de que sempre é uma maneira de homenagear o GNR.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As School Dance e os sites de ex-colegiais têm a ver com um só fenómeno: o revivalismo dos anos 80. Ainda mal se dá por ele aqui por estas bandas, mas desde há uns dois anos a onda vem crescendo de importância um pouco por todo o planeta e principalmente na Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta fazer as contas para ver que os grandes impulsionadores da coisa são as pessoas de trinta-e-tantos anos. E nem poderia ser diferente. São consumidores com alto poder de compra (para alguma coisa tem que servir trabalhar até tarde naquele emprego chato) e que têm imensa dificuldade de acompanhar a velocidade com que a informação circula no mundo hoje em dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de uma raça que surgiu e viveu toda a sua juventude sem a internet e a TV por cabo. Que garimpava as rádios à procura de pequenas pepitas musicais. Que gastava a mesada em revistas como a New Musical Express ou a Melody Maker, na esperança de decorar os nomes de bandas que levariam ainda alguns meses para ter um disco lançado no mercado nacional. Que nem no Amoreiras encontrava a maioria das marcas de roupas internacionais. Que para conhecer o continente tinha que passar pela aventura do inter-rail.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ex-jovens dos anos 80 sentem-se razoavelmente perdidos na Torre de Babel em que o mundo se tomou na última década. Ainda olham para o telemóvel como um fantástico avanço tecnológico e mal aprenderam a enviar SMS. Navegam na rede ainda com uma dose cavalar de espanto e admiração mas é pouco provável que convivam com o ICQ como se fosse a coisa mais natural do universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que de vez em quando precisem se encontrar num canto qualquer com os da mesma espécie. Seja numa festa ou na audiência do canal VH1. Tanto faz. O importante é sentir-se seguro e protegido contra algumas modernidades que andam por aí. Tal como os nossos pais fizeram um dia. O que me faz lembrar uma velha canção da Elis Regina (ora bolas, não estamos a falar de reminiscências?) que dizia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não quero lhe falar, meu grande amor&lt;br /&gt;Das coisas que aprendi nos discos&lt;br /&gt;Quero lhe contar como eu vivi&lt;br /&gt;E tudo o que aconteceu comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver é melhor que sonhar&lt;br /&gt;E eu sei que o amor é uma coisa boa&lt;br /&gt;Mas também sei que qualquer canto&lt;br /&gt;É menor do que a vida&lt;br /&gt;De qualquer pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já faz tempo eu vi você na rua&lt;br /&gt;Cabelo ao vento, gente jovem reunida&lt;br /&gt;Na parede da memória&lt;br /&gt;Essa lembrança é o quadro que dói mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossos ídolos ainda são os mesmos&lt;br /&gt;E as aparências não enganam não,&lt;br /&gt;Você diz que depois deles&lt;br /&gt;Não apareceu mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você pode até dizer que eu estou por for a&lt;br /&gt;Ou então que eu estou inventando&lt;br /&gt;Mas é você que ama o passado e que não vê&lt;br /&gt;Que o novo sempre vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha dor é perceber&lt;br /&gt;Que apesar de termos feito tudo&lt;br /&gt;Tudo, tudo que fizemos &lt;br /&gt;Nós ainda somos os mesmos e vivemos&lt;br /&gt;Ainda somos os mesmos e vivemos&lt;br /&gt;Como nossos pais…”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112980955715685924?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112980955715685924/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112980955715685924' title='16 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112980955715685924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112980955715685924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/10/como-nossos-pais.html' title='Como nossos pais'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112947868303945262</id><published>2005-10-16T09:04:00.000-07:00</published><updated>2005-10-16T09:04:43.046-07:00</updated><title type='text'>Politiquices</title><content type='html'>Já agora, a propósito das recentes eleições, o meu Tio Olavo enviou-me uma série de frases que falam sobre os políticos e a política. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; "O político é um sujeito que vive as claras, aproveitando as gemas e sem desprezar as cascas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; "O estômago sadio é sempre conservador. Poucos radicais têm uma boa digestão."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; "Não é raro que o diâmetro do cérebro de um político seja inferior ao do seu bolso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; "Político é como cozinheiro: quem faz o melhor bocado nem sempre o come."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; "90 % dos políticos dão aos 10 % restantes uma péssima reputação."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Todo poder é emprestado e há de retornar aos seu legítimo dono."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; "Se votar resolvesse alguma coisa, votar seria ilegal."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; "Vote no candidato que promete menos. Você ficará menos decepcionado."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; "A melhor plateia para um comício é uma plateia inteligente, educada e ligeiramente bêbada."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112947868303945262?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112947868303945262/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112947868303945262' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112947868303945262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112947868303945262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/10/politiquices.html' title='Politiquices'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112904414794694913</id><published>2005-10-11T08:21:00.000-07:00</published><updated>2005-10-11T08:22:27.963-07:00</updated><title type='text'>meia-idadismo</title><content type='html'>A propósito do meu novo livro (“Os Trintões”, Editora Palavra, já à venda nas boas lojas do ramo), alguns amigos perguntam-me onde começa a meia idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso porque a simples comemoração do trigésimo aniversário (como se fazer 30 anos fosse motivo de festa) não é o suficiente para determinar o meia-idadismo. É natural. Até há 300 anos, ter 20 anos (quando quase ninguém chegava aos 40) era uma idade bastante madura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia, pelo que eu vejo nos “Morangos com Açúcar”, aos 20 anos ainda se está a aprender a falar, a andar, a comer com talheres e a pensar e respirar ao mesmo tempo (a maioria, infelizmente, não consegue).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo, a meia-idade começa mais ou menos quando uma série de factores reunidos fazem com que o cidadão (ou a cidadã) se sinta o portador de uma carcaça mal gerida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para facilitar o auto-reconhecimento do seu meia-idadismo, reuni uma série de indicações que permite que você descubra se está naquele ponto da estrada em que ainda não vê o fim da linha mas que já não dá para voltar para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, você é uma pessoa de meia-idade quando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez de ir escondido dos pais ao concerto dos Rolling Stones, passa primeiro na casa deles para deixar as crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ressaca de sexta feira prolonga-se até segunda de manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem: presta mais atenção a uma mulher quando ela fala, do que quando ela anda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher: consegue se divertir mais ao lado de um homem do que debaixo dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica a tentar compreender as letras das músicas que tocam no rádio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não recebe convite para nenhum casamento há muitos anos e, quando ele chega, é da filha de um dos seus amigos, aquela que há pouco tempo você foi no aniversário e deu uma boneca de presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acha a Madonna uma miúda espevitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda usa a palavra «espevitada».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acha que silicone é coisa de travesti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica emocionado quando ouve uma música dos GNR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembra-se de quando a Manuela Moura Guedes era cantora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe que a Ana Maria Lucas já foi Miss Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior que isso: sabe o que é uma Miss Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consegue passar horas na cama com a sua parceira só a conversar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relê os clássicos e descobre que eles não eram tão chatos assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria dos telefonemas que recebe em casa é para os seus filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem mais cabelos na toalha do que na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não presta atenção às próprias celulites e varizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda tem dúvidas se o Michael Jackson é gay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá preferência aos vinhos tintos por causa dos flavonóides.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o pior:  sabe o que são os tais flavonóides.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a ter um sonho erótico com uma hospedeira da TAP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assistiu a chegada do homem à Lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda tem dúvidas sobre se o homem realmente chegou à Lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprou ou ganhou de aniversário um Longa Duração da Madalena Iglésias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terrível: sabe o que é um Longa Duração e quem é Madalena Iglésias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já fez sexo sem camisinha sem ter medo de apanhar SIDA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assistiu a pelo menos um programa do Vasco Granja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Participou num debate a discutir se «Vila Faia» era ou não melhor do que «Passerele».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Costuma mostrar álbuns de fotografias às visitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acreditou que a Teresa Guilherme era noiva do Goucha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para as mulheres: a única maneira de alguém pedir para você fazer um topless é quando vai fazer uma mamografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os homens: a memória começa a ir embora e a única coisa que ainda consegue reter com facilidade é água.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112904414794694913?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112904414794694913/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112904414794694913' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112904414794694913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112904414794694913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/10/meia-idadismo.html' title='meia-idadismo'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112885752070863390</id><published>2005-10-09T04:27:00.000-07:00</published><updated>2005-10-09T04:32:00.720-07:00</updated><title type='text'>Um e Outro</title><content type='html'>Onde um era água, o outro era mão. Um escorria pelos dedos, enquanto o outro, desesperado, agarrava-o em vão. Um não era nada, o outro achava-se tudo, menos tudo o que queria ser. Como eu. Como você. E seguiam juntos pela vida, como se a vida fosse para algum lugar, mas não, não vai. Nem vem. A vida não é táxi de ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um era astronauta sem foguete, o outro era avião. Mesmo Céu, mesmas estrelas, mas sempre presos ao chão. O que faz lembrar que pior do que nada ser é ser apenas quase. Pois quase é perto, mas não é lá. Quase é o demónio que engana o homem sério, quase é o melhor atalho para o inferno. É o que faz acreditar que no fim tudo vai fazer sentido. E é aí, amigos, que mora o perigo. Pois nada sentido faz. Nem fez. A vida é sempre com vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um era rebuçado, o outro papel plástico amassado. Um era teorema, o outro resposta na página ao lado. Um era lâmpada acesa, o outro vela sobre a mesa. Um era um bom cigarro, o outro não era um comentário do ministério implicado na solução final para o problema prioritário do cancro nacional. Onde um era água, outro era mão. Água molha, mão segura. Água verte, mão na luva. Água mole, pedra dura. Tanto bate, mão esmurra. Água esguicha, mão partida. Mão doente, água quente. Mão enferma, água cura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a paixão fosse um copo, um até poderia sonhar. Esquecendo o claro risco de, por uma gota, ver o outro transbordar. Onde um era água, o outro era mão. Até que veio o inverno e, junto, a solução. Água virou gelo. E mão o pode agarrar. Daí seguiram juntos pela vida. Como se a vida fosse para algum lugar. Mas não, não vai. Não vai não. A vida só vai até a próxima batida do coração. Ou, no caso, até nascer o primeiro raio de Sol na primeira madrugada do primeiro dia do próximo Verão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112885752070863390?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112885752070863390/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112885752070863390' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112885752070863390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112885752070863390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/10/um-e-outro.html' title='Um e Outro'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112834615110545595</id><published>2005-10-03T06:26:00.000-07:00</published><updated>2005-10-03T06:29:11.116-07:00</updated><title type='text'>Adorável Dora  (2ª parte)</title><content type='html'>É o carteiro. Ela recebe a carta. Volta para o sofá. A fatia do bolo continua sobre a mesa. Abre a carta com um ar meio indiferente, enquanto morde o bolo. É nesse instante que ela, já a mastigar o bolo, descobre que a carta é de um fã apaixonado, que a conheceu no tempo em que ainda era uma cantora de sucesso e que se lembrou do seu aniversário. Em off, ouvimos a voz do fã a fazer rasgadas declarações de amor. Dora fica surpreendida com o teor da carta. Lembra-se que está a mastigar o bolo envenenado. Assustada, vai até a casa de banho, vomita, lava a boca e volta a correr para a sala. Continua a ler a carta. O fã começa então a narrar uma fantasia erótica que teve com ela. Dora passa a sonhar. Vemos a fantasia a acontecer. Mas nunca vemos o rosto do fã, tudo se passa a partir de uma câmara subjectiva com o ponto de vista dele. Ao fim, Dora acorda do sonho. Está feliz. Abraça a carta contra o peito. No gira-discos o LP chega ao fim e o aparelho desliga-se. A imagem vai a negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sequência 3&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir daí, todos os dias Dora recebe uma carta a narrar as fantasias sexuais do fã. Vemos sempre as fantasias a acontecer. Dora continua a vestir-se como uma jovem dos anos sessenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É criado um clima de suspense quanto a quem é o fã. Pistas falsas indicam que ele pode ser o próprio carteiro ou um rapaz que Dora vê na rua a olhar para a sua janela ou um homem que ela tem a impressão que está a segui-la. Todos os suspeitos são jovens e bonitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sequência 4 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, o fã avisa que irá visitá-la no dia seguinte. Dora fica feliz com a notícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia da visita, vemos Dora a arrumar freneticamente a casa e depois se prepara para o encontro. Coloca um vestido de festa, brincos enormes, sapatos de saltos muito altos. Tudo extremamente antigo e piroso. Ela está tão feliz que porta-se como uma adolescente a se preparar para o primeiro encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A campanhia toca. Ela corre a atender. Pára na porta antes de abrir. Tenta controlar as suas emoções. Abre a porta com um imenso sorriso. Fica desconcertada com o que vê: um senhor careca, a beira dos sessenta anos. O homem se apresenta como o fã, entrega um punhado de flores e pede para entrar. Meio que em transe, Dora deixa-o passar. Os dois sentam-se e ficam a se olhar. O fã tenta ser simpático, mas não consegue manter uma conversa com Dora, que está completamente assustada. A situação torna-se constrangedora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num dado momento, Dora se levanta e coloca um disco seu a rodar. Depois vai para a cozinha. Volta com o bolo envenenado. Serve uma fatia para ele e uma para si mesma. Ele, simpático, elogia o bolo. Dora tem então um ataque de risos. Ele também ri, sem saber o porque. Os dois comem e riem sem parar. A música sobe. Ecrã vai a negro. Fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112834615110545595?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112834615110545595/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112834615110545595' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112834615110545595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112834615110545595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/10/adorvel-dora-2-parte.html' title='Adorável Dora  (2ª parte)'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112780867409133848</id><published>2005-09-27T01:09:00.000-07:00</published><updated>2005-09-27T08:22:16.846-07:00</updated><title type='text'>Adorável Dora (1ª parte)</title><content type='html'>(apontamentos para uma curta-metragem)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dora: Mulher cinquentona, decadente fisicamente, que há cerca de vinte anos era uma bonita cantora de ié-ié. Vaidosa, não suporta o seu envelhecimento. Enlouquecida, Dora acaba por se refugiar em símbolos do passado para se sentir jovem, atraente, desejada. Seu mundo passa por uma mistura de fantasias. Solitária, isolada no seu apartamento, ela está a beira de colapso nervoso no dia do seu aniversário. Resolve então se suicidar. Mas um imprevisto acaba por dar um novo impulso em sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 1ª Sequência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dora acorda pela manhã numa grande cama de casal. O seu braço movimenta-se sobre a cama, como que a procurar alguém para abraçar. Não encontra. Dora então se senta na beira da cama. Se espreguiça. Ela está a usar uma máscara de dormir. Fica um tempo parada, desanimada. Depois de alguns segundos, tira a máscara dos olhos. A luz da manhã incomoda-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dora vai até a casa de banho. Olha-se no espelho. Examina as suas rugas, os dentes meio amarelados. Levanta os seios caídos. Ensaia um sorriso patético, na tentativa de parecer melhor. Aos poucos o sorriso vai se desmanchando. Ameaça chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o duche, Dora volta ao quarto enrolada numa toalha. Abre o armário e tira dele uma espécie de baú. No baú ela encontra roupas visivelmente fora de moda: mini-saias, camisas coloridas, cintos de fivela larga, tudo bem típico da década de sessenta. No baú há também várias fotos dela há décadas atrás em festas, espectáculos, programas de televisão. Dora examina as fotos e as roupas. Ri sozinha. Até que encontra uma foto onde ele está a soprar as velas de um bolo de aniversário, abraçada a um lindo rapaz. Se detém nessa foto. Ao fundo, ouvimos de uma festa de aniversário, mulheres a falar como Dora está bonita, rapazes a lhe fazer elogios,  a voz de um homem a dizer que a ama. Os ruídos são substituídos por uma música romântica de época (pode ser “Perfume de Gardénia”). Dora caí em prantos. Rasga a foto. Fica raivosa, começa também a rasgar algumas roupas. Na confusão a toalha cai, deixando-a nua. Chuta o baú, magoando o pé, cai no chão e continua a chorar, nua sobre a alcatifa, no meio das roupas, das fotos. A imagem escurece até negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2ª Sequência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vemos Dora a se arrumar em frente ao espelho. Está vestida com as roupas que estavam no baú, de cílios postiços, muito pintada. Não demonstra qualquer emoção, está fria, passiva. Ajeita na cabeça uma peruca com um penteado em formato de bolo de noiva. Ao fim, olha-se no espelho satisfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai até a sala e põe o gira-discos a funcionar. Vemos na capa do disco que é a própria Dora a cantora. Uma música de ié-ié invade o ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dora vai para a cozinha e começa a preparar um bolo, onde coloca veneno de rato. Quando o bolo fica pronto, coloca duas velas de aniversário em cima (59 anos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dora volta para a sala com o bolo. Põe na cabeça um chapelinho de aniversário. Apaga as velas. Corta uma fatia de bolo e já está a se preparar para o comer quanto toca a campainha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112780867409133848?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112780867409133848/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112780867409133848' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112780867409133848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112780867409133848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/09/adorvel-dora-1-parte.html' title='Adorável Dora (1ª parte)'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112748382813711353</id><published>2005-09-23T06:52:00.000-07:00</published><updated>2005-09-23T07:01:35.796-07:00</updated><title type='text'>meiquin-ofe</title><content type='html'>No começo aquilo não era um livro. Era vida. A minha vida, de certa maneira. A coisa arrancou como uma página semanal no DNA (suplemento do Diário de Notícias), intitulada "Os Trintões". E estava mais para uma espécie de confessionário público daquilo que assistia no meu dia a dia, além de alguns acertos de contas com o meu passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentava não escrever com muita antecedência. Tal como nas novelas de televisão, queria uma obra em aberto. Acreditava que seria mais interessante deixar claro para quem estivesse a minha volta que sim, aquela nossa conversa, aquilo que estava a acontecer connosco poderia perfeitamente aparecer narrado no suplemento da semana seguinte.E foi mais ou menos o que foi acontecendo. Claro que, pelo meio, acrescentava muita ficção ou, pelo menos, algum delírio estilístico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que apareceu, por exemplo, o personagem Laura uma espécie de musa sincrética cujo perfil foi montado a partir dos gestos, atitudes e pensamentos de cinco antigas namoradas. E, o curioso, é que na facilidade em fazer os encaixes, percebi que os meus ex-relacionamentos correspondiam a um perfil exacto de raparigas. A outra opção seria a de afirmar que todas as mulheres são iguais. O que não é muito politicamente correcto de se dizer. Só elas podem falar essas coisas sobre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós. Pois é, estava a esquecer-me de uma coisa importante. “Os Trintões” traz especificamente o ponto de vista de um “gajo” sobre o mundo (digo “gajo” pois é disso que se trata: os textos têm uma voz ligeiramente machista, certamente masculina e, por vezes, cínica, como só um “gajo” pode ter). Isso, diferente do que eu pensava, em vez de afastar o público feminino, só atraiu. Eram as mulheres que me escreviam, que me mandavam e-mails, na maior parte da vezes a agradecer a ajuda. “Os Trintões” tinham se tornado numa espécide de bula para se perceber um pouco melhor a cabeça dos namorados, maridos e amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um belo dia, a coisa acabou. Tinha já tocado em todos os temas que queria e para continuar teria que me expor mais do que gostaria. O exercício estava feito e antes que se tornasse entediamente pedi ao Pedro para parar. E passei a escrver sobre outros assuntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meses depois o Gonçalo Bulhosa, da Editora Palavra, procurou-me para desafiar-me a construir um livro que fosse uma consequência da coluna “Os Trintões”. Achei estranho, achei que não dava. Já estava com a cabeça noutras coisas, prestes a embarcar para o Brasil, onde viveria alguns meses e sem tempo para aquele projecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Gonçalo foi insistente. Declarou-se leitor atento dos “Trintões”, que aquela página o havia ajudado a reflectir sobre a sua vida num determinado momento, que outras pessoas deveriam ter sentido a mesma coisa e, enfim, de tanto argumentar acabou por me convencer.Daí foram mais alguma semanas, já no Rio de Janeiro, a reler e reescrever os textos. Eram, no principío, uma colcha de retalhos sem nada que os unissem verdadeiramente. Demorou até aparecer o click de que eles não deveriam ter títulos próprios, nem ser divididos em crónicas e ficção. Só percebi que sim teria ali um pequeno e despretencioso livro quando dividi os textos em quatro grandes áreas (o culto ao corpo, o amor, a amizade e a vida como um &lt;br /&gt;todo). Daí para a frente a coisa foi bem mais fácil. Fui repescar alguns textos antigos já publicados noutros contextos mas que ali se encaixavam com perfeição. Escrevi as partes que faltavam para aquilo tudo fazer mais sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final, a obra acabou por se tornar numa coisa entre o manual de auto-ajuda e um pequeno livro de contos. A ideia é estar sempre a supreender o leitor, que nunca sabe o que vai encontrar na página seguinte. É também um livro conciso, que dá para ler em poucas horas, de um só fôlego, para que o raciocínio geral não seja perdido nem esquecido. Vícios de publicitário, talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Originais prontos e organizados, enviei para Lisboa (no começo de Dezembro do ano passado, as pessoas não têm muita noção do tempo e do trabalho que dá editar um livro). Vim para cá em Janeiro para, entre outras coisas, tratar da paginação, da escolha da capa, da foto da contra-capa. Um amigo, o designer Rui Costa, propôs uma capa só com tipografia e com os “Trintões” escritos de maneira estrannha (“Os 3Ões”). Achei piada. Ficou assim.Depois o Gonçalo propôs lançar junto com o livro um CD de música que eu havia acabado de produzir. O CD (parte de um projecto de releituras acústicas de músicas dos anos 80, chamado “Davi Não Vê Estrelas”) encaixava-se na temática dos “Trintões”. Nasceu assim a banda sonora ofertada com o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão importante foi a do prefácio. Queria que ele fosse escrito por alguém que tivesse vivido os anos 80 de maneira intensa e com que me identificasse em termos de gostos e de visão do mundo. O problema é que o nome que mais vinha a minha cabeça era a de uma pessoa a quem eu nunca sequer havia sido apresentado pessoalmente, o Miguel Esteves Cardoso. Mas, como tenho uma certa lata para essas coisas, mandei um e-mail para o Miguel, sem muita esperança que ele respondesse. Passadas algumas horas, lá estava a resposta positiva. Trocamos mais alguns e-mails até que o prefácio fosse entregue ainda antes do prazo combinado. Até hoje, ainda não me encontrei nem falei sequer ao telefone com o Miguel, mas é uma daquelas pessoas que pela simpatia e antenção que teve comigo só posso chamar de amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é isso. O livro já está nas livrarias. É como se um filho estivesse a sair de casa. Ele deixa de ser meu e passa a ser de quem o ler. Espero que ele cresça nas mãos dos leitores, que ele seja útil para alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou, pelo menos, como diria o meu Tio Olavo: “Nos dias de hoje, tudo o não atrapalha, já está a ajudar o suficiente.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112748382813711353?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112748382813711353/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112748382813711353' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112748382813711353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112748382813711353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/09/meiquin-ofe.html' title='meiquin-ofe'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112730871806401574</id><published>2005-09-21T06:15:00.000-07:00</published><updated>2005-09-21T06:18:38.083-07:00</updated><title type='text'>festa esta sexta</title><content type='html'>meus caros,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é: tenho um novo filho, ou melhor, livro e gostaria de o apresentar à sociedade como um todo e ai em específico. O livro fala sobre a turma da meia-idade. Daí que a ideia é nos encontrarmos todos e relembrarmos os saudosos anos 80. Além dos comes e bebes por conta da casa e da oportunidade de podermos comparar as nossas velhas carcaças, vamos ter um belo concerto da banda Davi Não Vê Estrelas (por acaso, produzida por mim). O show apresentará uma releitura totalmente acústica (guitarras, piano, violino, baixo, violoncelo, percussão) de várias canções dos eighties. E é isso. Boa conversa, boa música, bom livro e boa noite. pode vir e trazer companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se quiser vir, faz o seguinte: deixe aqui um post com o seu nome até sexta pela manhã e eu coloco ele numa lista na entrada do evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Programa das Festas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 23 de Setembro, sexta-feira, Bar Lua (antigo Musicais) - Jardim do Tabaco - Lisboa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cocktail e Autógrafos: das 21:00 às 23:00&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Show: às 23:00&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112730871806401574?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112730871806401574/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112730871806401574' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112730871806401574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112730871806401574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/09/festa-esta-sexta.html' title='festa esta sexta'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112628990863614693</id><published>2005-09-09T11:09:00.000-07:00</published><updated>2005-09-09T11:18:28.663-07:00</updated><title type='text'>nadar</title><content type='html'>Ai, ai, ai: vamos falar do hai-kai. É uma espécie de poema com uma avaria no sistema. Parece meio bobo, se calhar, até tolo, pois rima coisas como bolo e lobo, sem motivo aparente, mas, o que é que isso minha gente?, o bolo até pode ter comido o lobo, ou o inverso, e assim sucessivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo os entendidos, “o  hai-kai é um tipo de poema originário do  Japão. Consta originalmente de 17 sílabas em três  versos: o primeiro de cinco,  o segundo de sete e o terceiro de cinco.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso é muito acadêmico para o meu gosto. E também para o meu saudoso compatriota Paulo Leminski (grande poeta e redactor publicitário que, apesar de muito vivo, já se encontra bastante morto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leminski ensinava como fazer um hai-kai: “Você tem a fórmula do conteúdo, que é o que os poetas contemporâneos obedecem, ao invés da  contagem de sílabas; escolha  temas simples; o  primeiro verso expressa algo permanente, eterno; o  segundo, introduz uma novidade, um fenômeno; o  terceiro e último, é a síntese.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa já parece mais livre, mais solta, melhor. Mas ainda pode ser mais. O próprio Leminski fez poemas soberbos fora do formato hai-kai, guardando, porém, a sua leveza crónica e, por vezes, cômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não fosse isso&lt;br /&gt;e era menos&lt;br /&gt;não fosse tanto&lt;br /&gt;e era quase&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aquário de água limpa&lt;br /&gt;olavo limpa&lt;br /&gt;                        olavo lava&lt;br /&gt;aquário de água clara&lt;br /&gt;olavo aclara&lt;br /&gt;                        olavo eleva&lt;br /&gt;na água do aquário&lt;br /&gt;olavo é adão&lt;br /&gt;                        olavo é eva&lt;br /&gt;na água do aquário&lt;br /&gt;        peixa pisca&lt;br /&gt;                        olavo paga&lt;br /&gt;na água do aquário&lt;br /&gt;olavo risca&lt;br /&gt;                        o tempo apaga&lt;br /&gt;sombras do pomar&lt;br /&gt;                        cores no cocar&lt;br /&gt;susto no lugar&lt;br /&gt;                        do aquário para o mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o pauloleminski&lt;br /&gt;é um cachorro louco&lt;br /&gt;que deve ser morto&lt;br /&gt;a pau a pedra&lt;br /&gt;a fogo a pique&lt;br /&gt;senão é bem capaz&lt;br /&gt;o filhodaputa&lt;br /&gt;de fazer chover&lt;br /&gt;em nosso piquenique&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           sossegue coração&lt;br /&gt;        ainda não é agora&lt;br /&gt;           a confusão prossegue&lt;br /&gt;        sonhos afora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           calma calma&lt;br /&gt;        logo mais a gente goza&lt;br /&gt;           perto do osso&lt;br /&gt;        a carne é mais gostosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando descobri Leminski e a lógica do hai-kai, vi que a minha praia andava por ali. Das poucas vezes que tenter cometer poesia, sempre foi inspirado na coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois poemas que pode ler abaixo são pequenas provas disso. Mas há uma melhor (na verdade, pior) que tem a ver com uma história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, houve um concurso de poesia moderna na minha faculdade. Quis participar mas, morto de vergonha, assinei o poema com um nome falso. De qualquer forma, o texto nada mais era do que uma gozação com a turma de pseudointelectuais que andava pelo campus a vomitar poesia de péssima qualidade e muita pretensão. O certo é que o poema ganhou o concurso eu tive que fingir que não tinha nada com aquilo. O poema chamava-se “Nadar” e era assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nada?&lt;br /&gt;a danada?&lt;br /&gt;não nada nada.&lt;br /&gt;nada, nada?&lt;br /&gt;nada, nada.&lt;br /&gt;danada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112628990863614693?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112628990863614693/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112628990863614693' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112628990863614693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112628990863614693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/09/nadar.html' title='nadar'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112628287459978080</id><published>2005-09-09T09:20:00.000-07:00</published><updated>2005-09-09T09:21:14.600-07:00</updated><title type='text'>sincero</title><content type='html'>desfeito&lt;br /&gt;o grande mistério.&lt;br /&gt;descobri,&lt;br /&gt;afinal,&lt;br /&gt;que eu não sou&lt;br /&gt;um homem sério.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112628287459978080?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112628287459978080/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112628287459978080' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112628287459978080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112628287459978080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/09/sincero.html' title='sincero'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112628277830767173</id><published>2005-09-09T09:18:00.000-07:00</published><updated>2005-09-11T05:26:55.203-07:00</updated><title type='text'>duro de matar</title><content type='html'>o meu coração&lt;br /&gt;é um bruce willis&lt;br /&gt;cheio de fracturas&lt;br /&gt;e múltiplas&lt;br /&gt;cicatrizes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112628277830767173?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112628277830767173/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112628277830767173' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112628277830767173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112628277830767173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/09/duro-de-matar.html' title='duro de matar'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112547572968680920</id><published>2005-08-31T01:05:00.000-07:00</published><updated>2005-09-01T01:19:29.220-07:00</updated><title type='text'>ego</title><content type='html'>“Quem é que tu pensas que és?”&lt;br /&gt;Sempre que eu ouço essa pergunta tremo nas bases.&lt;br /&gt;“Quem é que tu pensas que és?”&lt;br /&gt;Nunca sei se a pergunta é à sério ou uma mera figura de retórica.&lt;br /&gt;“Quem é que tu pensas que és?”&lt;br /&gt;Na dúvida, minto. Digo que penso que sou o que não sou.&lt;br /&gt;E depois passo a ser.&lt;br /&gt;É por isso que já fui mergulhador nas Antilhas, mensageiro na Índia, piloto da Nasa.&lt;br /&gt;Já fui serial killer em Detroit, pop star na Cochinchina, bombeiro, chulo, Bispo de Braga.&lt;br /&gt;Já fui diplomata depois de uma crise matrimonial com uma dona de bar no Arkansas.&lt;br /&gt;Fiz carreira, cheguei a cônsul na Jamaica.&lt;br /&gt;Mas, um dia, numa discussão de trânsito, alguém me perguntou quem eu pensava que era e passei a ser investigador científico renomado.&lt;br /&gt;Estava a pesquisar uma misteriosa virose que atacava uma minoria étnica, quando o meu irritadiço chefe me obrigou a dizer que eu era um palhaço.&lt;br /&gt;Desde então segui a vida num circo, onde as crianças vinham rir das minhas piadas.&lt;br /&gt;Viajei meio mundo, fui à Rússia, ao Ceilão, à ex-Jugoslávia. Casei com a mulher barbada e tive três filhos: um trapezista, um mágico e um anão.&lt;br /&gt;Mais uns anos de trabalho e conseguiria dinheiro para comprar a minha própria tenda.&lt;br /&gt;Até que um dia, o domador, numa inexplicável crise de ciúmes pelo leão, fez-me a pergunta fatídica: “Quem é que tu pensas que és?”&lt;br /&gt;E então eu respondi que era apenas um publicitário com pouco menos de quarenta anos, cliente especial de uns dois ou três bancos, que adora filmes, livros, i-pods e coisas moderninhas, que não sabe se acredita em Deus, mas que tem a certeza que Deus acredita nele, que tem poucos amigos reais e muitos imaginários, que tem medo de chegar ao fim da vida sem ter feito nada que valha realmente a pena esquecer, que tem a mania de que é uma daquelas pessoas sensíveis que a gente encontra nos bares ou naquelas festas de casamento em que não conhecemos os noivos e que costuma dizer que o mundo é duro, injusto e cruel, enquanto pede mais um gin tónico com um ar superior, o tipo de gente que não dá para confiar, pois ao mais pequeno descuido apanha a sua alma, arranca-lhe os olhos, e aproveita-se dela para escrever um conto sem lhe pagar mil contos.&lt;br /&gt;E, o pior, é que dessa vez tenho a impressão de que eu disse a verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112547572968680920?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112547572968680920/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112547572968680920' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112547572968680920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112547572968680920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/08/ego.html' title='ego'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112525101034251348</id><published>2005-08-28T10:40:00.000-07:00</published><updated>2005-08-28T10:43:30.343-07:00</updated><title type='text'>narcisismo</title><content type='html'>Às vezes fico aflito.&lt;br /&gt;Nada faz sentido.&lt;br /&gt;Quanto mais cresço&lt;br /&gt;menos o mundo cabe&lt;br /&gt;no meu umbigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112525101034251348?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112525101034251348/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112525101034251348' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112525101034251348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112525101034251348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/08/narcisismo.html' title='narcisismo'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112525079144376736</id><published>2005-08-28T10:33:00.000-07:00</published><updated>2005-08-28T10:39:51.456-07:00</updated><title type='text'>o copo meio cheio</title><content type='html'>Está para breve o lançamento do meu próximo livro (“Os Trintões”, Editora Palavra). A coisa deve ser no dia 23 de Setembro, numa festa dedicada aos anos 80 (se quiser ser convidado, basta postar um mail com nome e morada, se der arranjo um convite).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro, mais uma vez esclareço, falará sobre a vida dos homens de trinta-e-tantos (incluo-me nesse grupo).  Mas o que é isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter trinta-e-muitos "não é pouco e não é muito, é o suficiente", disse-me uma vez um amigo. Estou a tentar compreender até hoje o que ele queria afirmar com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se é jovem, há sempre a desculpa de que ainda virá muita coisa pela frente. Por isso, podemos cometer todos os erros, passear alegremente no território da irresponsabilidade, promover a nossa incoerência, enfim, viver com um bocadinho mais de graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A velhice tem os seus pontos de contacto. Também ao velho é permitido mais liberdade. O velho pode sempre desdizer toda a sua vida, com a desculpa de que amadureceu. Quantos doces velhinhos não foram ao longo da vida tiranos irascíveis? E quantos velhos sábios não foram durante décadas soberbos idiotas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já nós, os de meia-idade, não temos safa alguma. Ou somos bons como somos ou somos péssimos em toda a linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter a idade suficiente quer dizer que não nos podemos desculpar de nada. O mundo inteiro está de olho na gente, não nos devemos esticar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior é que a coisa chega de mansinho. Outro dia, ainda era um tipo que podia gozar com os meus próprios defeitos. Hoje, não, tenho de ter orgulho deles. É suposto, inclusive, promovê-los. Afinal, terei de conviver com eles até chegar o sublime período da senilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas qual é o real significado da meia idade nos dias que correm?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, por exemplo, ainda ter sonhos eróticos com a Rachel Welch. É ainda ter retido numa gaveta qualquer da memória o último episódio do "Verão Azul". É saber quem foi que matou a Odete Roitman. É ser capaz de solfejar uma música qualquer dos Bee Gees. É ter escondida no armário uma calça à boca-de-sino amarelo-ovo. É lembrar de um Paul Newman que ainda dava para as curvas. É recordar um tempo em que, quando se dizia que íamos ver "o último filme do Fellini", não estávamos a ser tão literais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem tem trinta-e-tantos assistiu ainda miúdo ao desaparecimento dos ícones das eras anteriores. Viu morrer Chaplin, Elvis, Lennon e a moda da minissaia. Em contrapartida, viu nascer coisas maravilhosas como a televisão a cores, a videocassete, o telemóvel, o microndas, o silicone da Pamela Anderson e o bíquini fio dental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem tem trintas-e-alguns é jovem de mais para morrer e velho de mais para o rock'n' roll (como se alguém hoje em dia ainda fizesse algum rock'n'roll que prestasse). Daqui para frente, sei que terei de conviver com uma cada vez mais protuberante barriga, terei de começar a dizer adeus aos meus cabelos e sonhar com a hipótese de que, já que fui um jovem feinho, pelo menos tornei-me um coroa interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os filhos dos meus amigos tratam-me por senhor. As filhas dos meus amigos tratam-me por tio. Sou apresentado em reuniões como doutor. Já não sou mais um rapaz, passei a ser um aglomerado de epítetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também há coisas boas. Já posso fumar um charuto e beber um copo de whisky sem parecer um puto ridículo. Também posso reclamar da minha úlcera (como se eu tivesse úlcera) com alguma credibilidade. Posso utilizar no meu discurso expressões como "no meu tempo" e palavras como "alvíssaras", "homessa" e "outrora", que ninguém vai achar estranho. Enfim, como vê, há um sem-número de vantagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a idade que tenho não preciso preocupar-me mais em mudar o mundo, ser rebelde, acreditar na humanidade. Agora posso dedicar-me a coisas realmente palpáveis e relevantes como aprender a jogar golfe e preparar-me psicologicamente para a minha primeira lipoaspiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe aquela velha história do copo de vinho meio vazio ou meio cheio? É isso: ter a idade suficiente é quando você olha para o copo e não saber o que ele quer dizer. Na dúvida, peça ao empregado que traga mais uma garrafa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou como diria o meu Tio Olavo, quando perguntado se não pensava em fazer uma cirurgia plástica: "Por favor, deixem em paz as minhas rugas. Levei anos para consegui-las."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112525079144376736?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112525079144376736/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112525079144376736' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112525079144376736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112525079144376736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/08/o-copo-meio-cheio.html' title='o copo meio cheio'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112506183307060655</id><published>2005-08-26T06:09:00.000-07:00</published><updated>2005-08-26T06:10:33.070-07:00</updated><title type='text'>batota</title><content type='html'>a vida é um poker&lt;br /&gt;que eu não sei jogar.&lt;br /&gt;outro dia, rapaz,&lt;br /&gt;saí com uma dama&lt;br /&gt;que me disse, na cama,&lt;br /&gt;que eu estava longe&lt;br /&gt;de ser um ás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112506183307060655?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112506183307060655/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112506183307060655' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112506183307060655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112506183307060655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/08/batota.html' title='batota'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112506140347807470</id><published>2005-08-26T06:00:00.000-07:00</published><updated>2005-08-26T06:08:15.390-07:00</updated><title type='text'>a gaveta do escritor</title><content type='html'>Na gaveta do escritor cabe tudo, cabem todos.&lt;br /&gt;Na gaveta do escritor há rascunhos, há rabiscos, há ladrões.&lt;br /&gt;Há fadas, há cabras, há poemas, espiões.&lt;br /&gt;Amigo, a gaveta do escritor é, como diz o outro, um perigo.&lt;br /&gt;É melhor não abri-la sem mandato do juiz, sem carta do ministro, sem autorização.&lt;br /&gt;Da gaveta do escritor podem sair delírios, unicórnios, maldades.&lt;br /&gt;Podem sair belas morenas, mas também dragões.&lt;br /&gt;É na gaveta que o escritor esconde a verdade, seus medos, manias, mistérios, ansiedades.&lt;br /&gt;É lá que está um futuro prémio Nobel, um manifesto surrealista e uma apólice de seguro vencida.&lt;br /&gt;,é uma verdadeira Torre de Babel, lá falam-se línguas secretas, criadas pelos astecas, onde as frases começam com vírgulas e terminam com dois pontos:&lt;br /&gt;O escritor mente quando diz que não tem uma gaveta. Por melhor que seja, há sempre um conto incompleto, um artigo esquecido, um romance de fundo.&lt;br /&gt;A gaveta do escritor é um túmulo.&lt;br /&gt;Ali jazem segredos, personagens, mundos.&lt;br /&gt;Se procurar com jeitinho vai encontrar um labirinto de Borges, um Pessoa obscuro.&lt;br /&gt;Há canetas sem tinta, papelinhos, envelopes.&lt;br /&gt;Há cigarros mofados, clips entortados, piratas torturados, miúdos reguilas, filósofos velhotes.&lt;br /&gt;Há agendas repletas, fitas cassettes, fotos antigas.&lt;br /&gt;Há pó, há lixo, há vestígios do crime, há aspirinas.&lt;br /&gt;Mas se quer mesmo abrir a gaveta, faça com uma certa precaução.&lt;br /&gt;Passe na Papelaria Fernandes, compre um fato de abrir gavetas ou de assaltar estantes, vá então a duas ou três igrejas distantes. Peça um padre para fazer uma extrema-unção.&lt;br /&gt;Depois espere que o escritor saia para encontrar a sua musa ou para tomar uns copos ou para pedir esmolas.&lt;br /&gt;Entre no seu quarto não de pé mas sim de cócoras, tomando cuidado para não partir os cornos nem rasgar a blusa.&lt;br /&gt;Aí então atire-se sobre a mesa, respire fundo e abra a gaveta.&lt;br /&gt;Leia sem grandes critérios o que está lá escrito, marimbe-se para a falta de unidade literária, com o maralhau de estilos.&lt;br /&gt;Dê gargalhadas com o que vão dizer os críticos.&lt;br /&gt;Depois pense em plantar um árvore e ter um filho.&lt;br /&gt;Foi o que fiz. E virei um livro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112506140347807470?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112506140347807470/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112506140347807470' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112506140347807470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112506140347807470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/08/gaveta-do-escritor.html' title='a gaveta do escritor'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112482151267689313</id><published>2005-08-23T11:22:00.000-07:00</published><updated>2005-08-26T06:07:40.673-07:00</updated><title type='text'>Suburbanos Corações (comentários)</title><content type='html'>Então é assim: essa pequena novela aqui publicada já tem barbas. Trata-se na verdade do primeiro texto de ficção que escrevi, tinha lá eu uns 16 anos, o que explica alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época, lia muito Nelson Rodrigues e Dalton Trevisan, dois autores malditos no Brasil. De um e de outro roubei o exagero e o ambiente perverso. Acho que escrevi da minha maneira, ainda mais que, adolescente, não tinha lá muita habilidade em copiar literalmente os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora o que é delirante (quase tudo), o resto é verdade. O meu pai tinha uma padaria e realmente por lá passou uma balconista meio putinha e que seduzia com alguma frequencia os fregueses. Rômulo, o homem bom, é o reflexo de um tio já falecido e que caiu nas garras da tal balconista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto original, bem próximo do actual, ficou anos numa gaveta, coisa que fazemos (graças à Deus) com os nossos textos imberbes. Mas, há cerca de dez anos, faltava-me um conto para completar o meu livro “A Balada do Yuppie Louco”. Lembrei então da coisa, reli e vi que não era assim tão mau (pelo menos em comparação aos outros textos que sou capaz de cometer ainda hoje). Daí que fiz alguns ligeiros cortes e adaptei a história, originalmente passada no subúrbio do Rio de Janeiro, para a periferia de Lisboa. Não fez lá grande diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E essa foi a versão aqui publicada. Pela primeira vez, graças às novas tecnologias, na forma de um folhetim, que era a minha ideia original há 23 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou como diria o meu Tio Olavo: “Os textos deste blog seguem uma regra: ou são bons ou são originais. O problema é que o que é original não é bom. E o que é bom não é original.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112482151267689313?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112482151267689313/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112482151267689313' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112482151267689313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112482151267689313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/08/suburbanos-coraes-comentrios.html' title='Suburbanos Corações (comentários)'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112482053304171792</id><published>2005-08-23T11:05:00.000-07:00</published><updated>2005-08-23T11:08:53.040-07:00</updated><title type='text'>Suburbanos Corações (Final)</title><content type='html'>Martha, pela última vez, pronuncia-se “Marfa”, agiu rapidamente, enquanto a vizinha dava um saltinho aos Olivais. Ícaro, de tão fraco, 28 dias sem comer, nem esboçou uma reacção. Ao contrario, delirante, parecia concordar com aquilo tudo, assumindo de vez a sua condição de anjo caído. Ficara ainda mais lindo magro e indefeso. Martha quase teve uma síncope quando o viu nu, desmaiado na casa de banho. Emocionada, meio mãe, meio amante, pregou Ícaro numa cruz. Depois enfiou-lhe na cabeça uma coroa de espinhos e ficou a ver embevecida os fios de sangue a escorrer-lhe pela testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stella foi vista pela última vez a dançar rumba com um octagenário num baile suspeito na Casa do Alentejo. A vizinha, em vista dos acontecimentos, fundou a sua própria seita, ganhou imenso dinheiro e vive hoje num apartamento de três pisos nas Amoreiras. Martha, presa num manicómio, tornou-se numa espécie de pitonisa e está sempre a prever o fim do mundo para daqui a pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quanto a Ícaro, surpreendendo todas as expectativas, no terceiro dia não ressuscitou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112482053304171792?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112482053304171792/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112482053304171792' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112482053304171792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112482053304171792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/08/suburbanos-coraes-final.html' title='Suburbanos Corações (Final)'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112478127653028992</id><published>2005-08-23T00:13:00.000-07:00</published><updated>2005-08-23T00:14:36.540-07:00</updated><title type='text'>Suburbanos Corações (4º Capítulo)</title><content type='html'>Naquela noite Rômulo encontrou a resposta que tanto perseguira. Virgínia finalmente não foi para casa quando saiu da paadaria. Seguiu para um terreno abandonado num sítio distante. Rômulo fez uma espera atrás de um poste, a fumar um SG Ventil atrás do outro. E viu chegar aquele homem maravilhoso, com um sorriso maravilhoso, um cabelo maravilhoso e uma cara de alegria. Virgínia, a santaputa, nunca tinha estado tão bela e tão lasciva. Irradiava toda a paixão que sentia. E então Rômulo sofreu como nunca: Virgínia abraçou o homem maravilhoso, beijou a face dele sete vezes, baixou a cuequinha e entregou-se. Rômulo viu quando a saia de Virgínia subiu até a cintura, quando os seus pés começaram a levitar, quando trincou os dentes na língua daquele homem maravilhoso e quando começou a ganir, a gemer, a emitir ruídos de prazer. Rômulo chorou uma única lágrima de felicidade. “Acabou”, pensou, “acabou”. Ele era um pária, um desgraçado, um corno apaixonado. E percebeu pela primeira vez que não era um homem bom. Que podia odiar; ter raiva, matar. Os seus olhos brilhavam no escuro. Era o ódio, era o amor, era o fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim foi rápido e quase indolor. O homem maravilhoso nada viu, nada sentiu pois estava a ter um orgasmo quando o Citroen 2 CV 1975 o esmagou contra o muro. Rômulo também teve uma morte instantânea. E Virgínia ficou literalmente dividida entre os seus dois amores: parte do seu corpo dilacerado misturou-se como numa almôndega à carne e ao sangue do homem maravilhoso. A outra parte, com o impacto do carro, voou, rodopiou no ar e desabou sobre o 2 CV. Ao rebentar no pára-brisa, os seus lábios cor de sangue foram decepados e exibiam agora um beijo escarlate na relva. Era belo. Era erótico. Era o ultimo momento de lasciva da santaputa. E nem a polícia conseguiu descobrir se a cor dos lábios que brilhavam vermelhos no chão era do seu sangue ou do seu baton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martha, pela última vez, pronuncia-se “Marfa”, agiu rapidamente… (continua)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112478127653028992?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112478127653028992/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112478127653028992' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112478127653028992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112478127653028992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/08/suburbanos-coraes-4-captulo.html' title='Suburbanos Corações (4º Capítulo)'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112469601161569580</id><published>2005-08-22T00:31:00.000-07:00</published><updated>2005-08-22T00:33:31.626-07:00</updated><title type='text'>Suburbanos Corações (3º Capítulo)</title><content type='html'>Rômulo, desconfiado, ciumento, obrigara Virgínia a pedir a demissão. Mas o dono da padaria recusava-se a dispensá-la. Ele também havia caído de amores pela santaputa. A cada pedido de demissão seguia uma oferta de aumento o que tornou Virgínia em pouco tempo numa espécie de princesinha da panificação. Não era muito, mas era bom. Melhor só o que aconteceu com Stella, a sortuda. Arranjou um velho mal cheiroso e rico e partir de viagem de amor rumo a Bora-Bora. Enquanto isso, Rômulo amargurava-se ao lado de Virgínia, a lasciva, que continuava a recursar-se a fornicar com ele. Era um capricho infantile, ela sabia, mas pelo menos com Rômulo ela seria prua, casta, virgem, Virgínia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ícaro andou estranho por uns dias. Não comia, não bebia, não dormia, padecia de uma doença desconhecida. Nem Martha, nem a vizinha sabiam que ele estava apaixonado. E, solitário em seu quarto, sofria. Até que numa tarde, delirando num pesadelo febril, repetiu três vezes o nome de Stella, Stella, Stella! Foi como se uma faca penetrasse nas entranhas de Martha. Naquele instante o que ainda lhe restava de lucidez, e acreditem não era muita, esgotou-se de vez. Agora era só uma questão de tempo. Em breve iria agir. Antes que fosse tarde demais. Antes que os Cavaleiros do Apocalipse rasgassem o Céu e transformassem o mar em sangue. Antes que a pesada mão de Deus desabasse implacavelmente sobre os pecadores. E, principalmente, antes que essa vaca chamada Stella aparecesse e estragasse tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rômulo passou a seguir Virgínia na esperança de descobrir-se traído e poder sofrer então todas as dores daquela paixão. Mas, estranhamente, Virgínia não o traía. Ia directa da padaria para a casa, da casa directa para a padaria. Não retribuía os olhares ambiguous dos fregueses, alias, de uma hora para outra ela havia deixado de ser lasciva. Foi aí que ele suspeitou que o pior estava por vir. A fidelidade de Virgínia era um sinal de que algo de muito errado estava a acontecer. Ele aceitaria tudo, tudo, tudo, menos aquilo. Menos aquela fidelidade sofrida. Virgínia, ele tinha a certeza, estava a amar, estava a purificar-se pelo amor. Apenas uma dúvida impedia-o de ir agora mesmo estrangular a rapariga. Seria ele o objecto desse amor? Não, não, isso seria demais, isso ele não suportaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ícaro era bastardo e não sabia. Nem imaginava que a sua santa mãezinha gostava de prevaricar na sacristia. O falecido marido dela sabia. E por isso batia-lhe. Seu lema era “uma tareia por dia é uma dieta sadia”. Um dia, morreu, feliz da vida. Ia finalmente livrar-se da bruxa. Mas nem morto teve a paz mericida. Um mês depois a bandida apareceu no cemitério grávida e depositou flores no seu túmulo. Passados uns tempos apareceu com o filho ao colo. E ele nada podia fazer, nem mesmo dar-lhe uma tareia. Daí que passou a revirar-se no túmulo, a rogar pragas contra o filho bastardo. A última praga era de morte. E Ícaro não sabia. Desde que se apaixonara por Stella passara a visitar o cemitério. Olhava para a cova do suposto pai e chorava as suas mágoas. Até que um dia, uma voz misteriosa vindo do nada sussurrou-lhe um conselho ao ouvido: “Vá Ícaro, jejue durante trinta dias e trinta noites e o seu amor irá conquistar!” Ícaro, crédulo e parvo, foi então para casa e seguiu à risca o conselho do além. Não pensou na hipótese de morrer de inanição. Era crédulo, era parvo. Enquanto isso uma certa alma penada finalmente descansou em paz. A vingança come-se fria. Mesmo depois da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite, Rômulo encontrou a resposta que tanto perseguira… (continua).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112469601161569580?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112469601161569580/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112469601161569580' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112469601161569580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112469601161569580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/08/suburbanos-coraes-3-captulo.html' title='Suburbanos Corações (3º Capítulo)'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112383705942228318</id><published>2005-08-12T01:52:00.000-07:00</published><updated>2005-08-12T02:01:24.740-07:00</updated><title type='text'>Suburbanos Corações (2º Capítulo)</title><content type='html'>Rômulo nem percebeu que Martha de tudo sabia. Não importava. Nada importava. Nem o emprego na função pública, nem o travão avariado do Citroen 2 CV 1975, nem a mãe entrevada num hospital da Régua. Bastava fechar os olhos para ver Virgínia, a santaputa, a lasciva, maravilhosa como sempre, a embrulhar pães saloios no balcão da padaria. Foi quando Rômulo começou a passar os dias trancado na casa de banho, a fazer poesias que rimavam amor com dor. A barba cresceu rapidamente a tapar a erotica cicatriz de Scarface. Estranho: estava no seu rosto e no seu coração, mas ninguém suspeitou. Ele nunca fora um homem bom. A cicatriz era a marca da besta, uma cratera de maldade. E nem mesmo Virgínia desconfiou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martha não demorou a transformar-se. De rainha do lar passou a esposa ausente. Nada naquela casa era como antes. Debaixo de uma aparente ordem, os objectos, os sofás, os jarros de flores, as pequenas estatuetas, revoltavam-se, revolviam-se. Sofriam ao perceberem a futura tragédia e ao lembrarem-se dos poucos momentos de contentamente que tinham vivido com aquele casal. Não tiveram sorte na vida, não sabiam o que era uma família feliz, imaginavam crianças a correr pela casa, cães, gatos, papagaios, tudo menos aquele casal condenado à desgraça. Desgraça esta que seria também deles, objectos estáticos, objectos estúpidos. O primeiro a não resistir foi o galo de Barcelos que, num gesto tresloucado, se atirou de cima do fogão, espatifando-se em mil pedaços após um lindo salto mortal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virgínia pasou a morar com Stella. Dividiam o quarto, os sapatos, os homens e os vestidos. Eram felizes com aquela vida foleira, eram iguais. De início, Rômulo não gostou da proximidade entre as duas, prefiria que Virgínia fosse viver num quarto e sala na Baixa. Mas, quando Virgínia queria, tudo dele conseguia. E assim passaram-se os meses. E assim cresceu o amor dele por ela. E assim acabou o amor dela por ele. Se não fosse o dinheiro que ele dava para o aluguer; se não fosse ele ficar cada vez mais parecido com o pai que ela nunca teve; não fossem os mimos, os brincos, as flores que todos os dias ele trazia, com os olhos felizes, a boca tremula de excitação; se não fosse ela uma puta lasciva que precisava de alguém que fizesse poemas em sua homenagem a rimar amor com dor; se não fosse tudo isso, ela há muito que já o tinha abandonado e caído nos braços daquele homem maravilhoso que ela conhecera no karaoke das sextas e que costumava a cantar o “My Way” em falsete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martha já não saía da casa da vizinha. Virara crente de uma obscura seita dissedente da Igreja Universal Reino de Deus. Passava os dias com o crucifixo na mão, pronta a exorcizar qualquer pessoa que lhe aparecesse pela frente. A vizinha também era da seita e deixava Martha dormir na sua casa em troca de pequenos services. E nem percebia o real motivo de Martha querer ficar ali alojada: Ícaro, o filho bastardo, que desfilava em cuecas pela sala com o seu lindo corpo de surfista. Martha estremecia de alto a baixo cada vez que o via. Sentia calores percorrer o seu corpo, enquanto minhocas passeavam pela sua cabeça. Ícaro era lindo, era um anjo, era Deus. E Martha não podia mais viver sem ele. Não tinha mais marido, não tinha mais ninguém. Por Ícaro ela faria tudo. “Tudo”, repetia em pensamento, com uma estranha feição homicida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112383705942228318?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112383705942228318/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112383705942228318' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112383705942228318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112383705942228318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/08/suburbanos-coraes-2-captulo.html' title='Suburbanos Corações (2º Capítulo)'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112342328941546724</id><published>2005-08-07T06:59:00.000-07:00</published><updated>2005-08-08T00:30:26.493-07:00</updated><title type='text'>Suburbanos Corações (1º Capítulo)</title><content type='html'>Os seus olhos brilhavam no escuro. Faiscavam raivas enquanto os dentes remoíam velhos pesadelos. Rômulo era um homem bom, todos sabiam. Um homem bom, ele tinha a certeza. “Bombom”, como lhe dizia a santaputa ao enfiar a língua na sua orelha. Mas agora nada de bom vinha à sua cabeça. Os seus olhos brilhavam no escuro. Era o ódio. Era o fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O começo não for a belo. A lasciva de Virgínia impedia qualquer tipo de ilusão romântica. Aquilo era antes de tudo uma paixão suja, um amor roto, um desejo estúpido, impossível de resistir. Virgínia, a santaputa, nem era bonita, com os cabelos baços e uma falha, “Ah, aquela falha!”, nos dentes da frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martha, pronunica-se “Marfa”, bem que desconfiou. E se antes nunca tivera motivos para suspeitar de Rômulo, começou a passar as noites em claro, a rolar na cama, a imaginar em delirio, enquanto se masturbava, com que tipo de putinha andava ele a se esfregar por aí. Não tinha coragem de interrogá-lo. Rômulo era um homem bom, todos diziam, não ficava bem à própria esposa acusá-lo de adúltero. E, no entanto, ele traía-o, ela sabia, ela tinha a certeza. Martha não era parva, apenas fanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tia não tardou a expulsá-la de casa aos gritpo de “Prostituta!”. E, na verdade, Virgínia, a lasciva, sequer tinha dado para Rômulo. Para ele, não. Armava-se em casta. Rômulo fingia que acreditava. Todo o bairro já tinha fornicado com ela. Até miúdos de 12 anos frequentavam a sua cama, sempre nas horas em que a velha tia saía para visitar doentes desconhecidos em hospitais da periferia. Um dia, a tia chegou mais cedo, morrera o tuberculoso do Cacém, e apanhou Virgínia a beijar Rômulo, “onde já se viu, um homem casado!”, ali no meio da rua, no meio da chuva. Distribuiu guarda-chuvadas nas cabeças do casalinho immoral, sempre a gritar com a sua voz esguarniçada “Prostituta! Prostituta! Prostituta!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martha, pronuncia-se “Marfa”, eu já disse!, soube de tudo pela vizinha. Desesperada, fechou os olhos para não ouvir. Não adiantou. “E agora, o que será da minha vida?”, murmurou baixinho, com os olhos rasos d'água e uma imensa dor na bexiga. Nesse instante entrou na sala o filho bastardo da vizinha. Para Martha foi como uma visão. Era um anjo, era um santo, era a salvação. Um cheiro de cânfora invadiu o ar. Martha calou o seu choro. “Deus existe!” exclamou contrita enquanto mijava solenemente na alcatifa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;(continua...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112342328941546724?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112342328941546724/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112342328941546724' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112342328941546724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112342328941546724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/08/suburbanos-coraes-1-captulo.html' title='Suburbanos Corações (1º Capítulo)'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112315320296445777</id><published>2005-08-04T03:57:00.000-07:00</published><updated>2005-08-04T04:00:02.976-07:00</updated><title type='text'>umbigologia</title><content type='html'>O umbigo. Sim, o umbigo é um dos maiores mistérios da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que Deus queria dizer quando criou o umbigo? Ou melhor, eu sei qual foi a intenção Dele quando se tratou do umbigo da Claudia Schiffer. O que não percebo é qual é o significado do meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo de metafórico e de metafísico no umbigo de toda a gente.  E é uma pena que a cultura ocidental não dê o valor devido ao conhecimento profundo do umbigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez deste ritual ridículo que é o apertar das mãos, as pessoas ao apresentarem-se deveriam mostrar o umbigo. Muitos equívocos seriam evitados com isso. Porque cada pessoa tem um umbigo absolutamente único, como tem uma única alma, um único carácter, um único jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o ser humano só confia no outro depois de ver o umbigo. Aquela história de sexo é pura invenção. As pessoas despem-se é para ver o umbigo do parceiro. Depois de darem uma olhadela, e já que estão mesmo nuas, é que partem para a desgraça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto é assim que há quem faça de conta que não tem umbigo. Que esqueça do prazer que é mexer no próprio umbigo publicamente. De deixar-se ficar numa esplanada, a coçar alegremente o umbigo, enquanto bebe uma bica e lê o jornal .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O umbigo lembra ao homem que um dia ele esteve ligado verdadeiramente a alguém. Daí que todos nós vivamos à procura de refazer essa ligação. O umbigo é prova que somos seres solitários. É a marca incontornável de que somos eternamente incompletos, pedaços de alguma coisa maior que já não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não sabe, a palavra religião, vem do latim religare, ou seja, voltar a ligar, sentir-se ligado outra vez. Assim como o ser humano deseja religar-se a uma força divina (supondo que um dia já fomos nós e Deus uma coisa só), no fundo o que queremos é refazer o nosso cordão umbilical com outra pessoa. Casamos para isso. Temos filhos para isso. Fazemos amizades para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da história, o homem tem-se debatido com a dificíl questão do que fazer com o umbigo enquanto conceito. Galileu e Copérnico, por exemplo, sofreram o diabo por se meterem com esta questão. Porque até então a Terra era o umbigo do universo. Um umbigo meio sujo, claro, mas sempre um umbigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, enquanto espécie, estamos sempre preocupados com o nosso próprio umbigo. Mas disfarçamos isso e fingimos interesse com o que se passa nos outros planetas. Mandamos sondas para o espaço à procura de vida inteligente só para ter a certeza de que não há mais nada, estamos aqui sozinhos, e, portanto, podemos deixar o planeta desarrumado à vontade, pois não irá haver visitas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo isto, claro, pode ser um exagero da minha parte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, só estava a falar com o meu umbigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por acaso, ele está a fazer uma cara de quem não concorda lá muito comigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112315320296445777?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112315320296445777/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112315320296445777' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112315320296445777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112315320296445777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/08/umbigologia.html' title='umbigologia'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112281860127936099</id><published>2005-07-31T06:53:00.000-07:00</published><updated>2005-07-31T07:03:21.286-07:00</updated><title type='text'>o trabalho faz o homem</title><content type='html'>O próximo texto foi escrito há alguns anos, quando resolvi dar uma parada com o trabalho e partir para uma reforma antecipada (que durou quase três anos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De lá para cá, muita coisa mudou. E, veja só, estou a trabalhar outra vez. Muito, para ser sincero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou a reclamar da vida. Estou a adorar ser útil outra vez. Mesmo que não seja a pesquisar a cura da SIDA ou a apagar incêndios. Adiante. O que importta é que estou a fazer mais do que simplesmente a fiscalizar o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo. Não tenho tido muito tempo livre ultimamente. O que faz com que esse blog sofra de uma certa lentidão na actualização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acho que seja uma coisa assim tão terrível. O mundo está cheio de blogs hiperactualizados com todos os tipos de bobagens. Este, pelo menos, não está a contribuir todos os dias para a poluição da blogosfera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem. Achava que deveria dar uma satisfação a todos vocês três que costumam vir aqui. A ideia é continuar a publicar sempre que der. E, pelo menos, uma vez por semana. Até a coisa ficar mais tranquila, o melhor é ir lendo os textos antigos. Duvido que já os tenha lido todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa eu garanto: são textos tão maus como o que vem a seguir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Workaholics"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que o principal problema dos alcoólicos é não admitir a sua condição enquanto doentes. De resto, é o que se passa com os viciados em geral. Mas, de todos, há uma espécie de vício ou compulsão que considero pior que as outras, até porque é sobrevalorizada pela sociedade ocidental. E o vício no trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo disso com conhecimento de causa. Passei boa parte da minha vida a trabalhar como um condenado e a achar que isso não só era normal como o melhor que poderia fazer da minha existência e o meu grande contributo para a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A geração dos trinta e tantos corre como um todo esse risco. Fomos criados num ambiente cada vez mais consumista e competitivo, num mundo incrivelmente instável e sem valores filosóficos/sociais (ah, como era boa a vida dos hippies!). Aprendemos, principalmente os homens, que devemos batalhar pelo nosso espaço à conta de muita labuta, ganhando o croissant nosso de cada dia com muito sangue, suor e lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje vejo o quanto me enganei achando que estava a fazer a coisa certa. Não estava. Estava a jogar no trabalho a maior parte da energia que tinha (e era muita) para não ter que me preocupar com variadas outras coisas que, achava, poderiam ou deveriam ser adiadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O certo é que é facílimo cair nessa armadilha. Diferente do viciado em coca que gasta todo o dinheiro na droga e é expulso de casa, o viciado em trabalho, via de regra, faz cada vez mais dinheiro e tem casas cada vez maiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O viciado comum desgraça-se mais cedo ou mais tarde. O viciado em trabalho é quase sempre um símbolo de sucesso, um super homem a imitar ou, pelo menos, reverenciar. O viciado comum destrói a família. O viciado em trabalho ou não compõe uma família ou é o patrono de uma família extremamente disfuncional onde há um défice frequente de afectos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão da família é interessante. Passei anos a justificar não ter arranjado esposa, filhos e papagaio por não ter tempo a perder, por estar a trabalhar. Mentira. Na verdade, nunca quis ter família alguma, só não sabia disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O viciado em trabalho mente para os outros com o mesmo à vontade que mente para si mesmo. No fundo, matava-me a trabalhar com a satisfação de (não) saber que estava a matar a minha própria pessoa (pessoa essa que não estava dentro dos meus altos padrões de exigência, muito menos nos dos meus pares).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso funcionou até que um dia a máquina quase pifou. O que, de resto, é um típico fenómeno de quem chega a meia idade. O nosso corpo e, principalmente, a nossa mente já não correspondem ao esforço exigido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vemos a nossa volta uma quantidade imensa de folgados que parecem mais felizes do que nós. Estamos cheios de projectos, mas também de saco cheio de tudo o que fazemos. Muitos entram em depressão. Alguns simplesmente morrem de um ataque de coração. Outros refugiam se no álcool ou na coca. Poucos (esse, graças a Deus, é o meu caso) pedem para o mundo parar porque querem descer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensa que é fácil? Não é. Se tem mulher e filhos, está mais ou menos tramado. Dependendo de quem são, pode ser que prefiram receber o valor da sua apólice de seguro de vida a ter um pai/marido doidão. Mas, claro, também pode ser que sejam eles a justa tábua de salvação, oferecendo apoio, carinho e compreensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu caso, na ausência dessa base familiar, tive um pouco das duas coisas. Houve quem não se conformasse com a minha decisão de viver a minha, abrindo espaço para a diversão. Esses sentiram-se traídos, como se tivessem sido enganados, na prática pouco se importando se, como era cada vez mais óbvio, eu não passasse de urn doente terminal com pouco tempo de vida. Nesse grupo também se integram os parasitas em geral, aqueles que vivem do seu esforço e que vêem a vida negra quando percebem que a sua principal fonte de recursos está prestes a secar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também houve o contrário, pessoas que ficaram felizes por me ver a acreditar que a vida era mais do que um índice maluco de produtividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, mais importante do que isso, ainda havia eu mesmo, o que eu sentia, a minha opinião finalmente era importante e a que deveria dar prioridade em ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aquela velha história: nós não somos o que fazemos. Somos qualquer outra coisa (mais interessante e mais bonita) do que os actos e os objectos que produzimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tem dúvidas se é viciado em trabalho, pode ter a certeza: você é. Nem precisa ir ao analista. Nem precisa fazer aqueles testes que aparecem em livros de gestão. E outra coisa: você é infeliz. Não adianta dizer que não. Não adianta se disser que não. Não vale nada a sua foto a sorrir na capa da revista. É fugaz o prazer que sente ao ser nomeado o homem do ano, da década, do século. É um absurdo acreditar que urn BMW zero quilómetros, equipado com uma boazona amante espanhola, vai resolver as suas ansiedades reais, os seus medos reais, a sua solidão para lá de real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Se acha que ser viciado em trabalho é uma boa coisa, parabéns. Ou melhor, os meus pêsames. Prometo que se não der praia no dia do seu funeral, dou uma passada por lá. Se não se incomodar, vou levar um pessoal divertido, uma viola e muita cerveja para animar o lugar. E que velório de viciado em trabalho costuma ser muito chato. Quem morre de trabalhar tem sempre poucos amigos, uma família sem viço nem brilho e uma tendência para, mesmo morto, estar no caixão a se arrepender e a chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ou como diria o meu Tio Olavo: «Se o trabalho fosse essa maravilha que andam para aí a dizer, os nobres, os ricos e os politicos seriam os primeiros a querer ficar com ele»..&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112281860127936099?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112281860127936099/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112281860127936099' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112281860127936099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112281860127936099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/07/o-trabalho-faz-o-homem.html' title='o trabalho faz o homem'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112229902831469546</id><published>2005-07-25T06:42:00.000-07:00</published><updated>2005-07-25T06:43:48.316-07:00</updated><title type='text'>invençoes</title><content type='html'>A história do marketing é a história das invenções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudar como as coisas eram inventadas antes do aparecimento dos departamentos de desenvolvimento de produtos é aprender a verdadeira missão do marketing, que é a de encontrar coisas que sejam úteis, boas, desejadas pelas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há 100, 150, 200 anos, estas coisas eram criadas, descobertas, projectadas por gente comum, idealista e não por engenheiros e cientistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é isso que encontramos narrado no “Livro das Invenções” (Editora Cia. das Letras), do brasileiro Marcelo Duarte. O livro traz histórias curtas sobre coisas do dia-a-dia, mostrando de onde vieram e quem foram os seus inventores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No “Livro das Invenções” podemos ler, por exemplo, a origem do leite em pó:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ao pensar numa maneira de facilitar o transporte e o armazenamento de leite, o americano Gail Borden teve a ideia de desidratá-lo. Quando a sua descoberta foi patenteada, em 1856, a invenção não despertou interesse, até que veio a guerra civil dos Estados Unidos, e Borden ficou rico."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá também encontramos a história da máquina de lavar louça:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A americana Josephine Cochran levou dez anos para acabar com o seu sofrimento e o de tantas outras donas de casa. Ela inventou a máquina de lavar louça. Acontece que o marido da senhora Cochran não gostou nada da ideia e não lhe deu dinheiro para aperfeiçoar a sua invenção. Só depois que ele morreu é que Josephine conseguiu levantar o financiamento necessário para terminar o seu trabalho, em 1889. Ela construiu vários modelos, alguns para uso doméstico, outros para hotéis, sendo os maiores movidos por um motor a vapor. Os direitos foram adquiridos por uma fábrica de Chicago."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra história curiosa é a da toalha de papel:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ela foi um erro de fabricação dos irmãos Scott, inventores do papel higiénico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma remessa da usina de papel estava defeituosa e o rolo matriz veio muito pesado e enrugado. Inadequado para papéis de casa de banho, o produto estava para voltar ao moinho quando um membro da família Scott sugeriu perfurar o papel grosso em folhas do tamanho das actuais toalhas de papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tolha de papel descartável empacotada foi vendida inicialmente em 1907 para hotéis, restaurantes e estações de comboio. Havia certa resistência económica às toalhas de papel por parte das donas de casa: por que pagar por uma toalha que vai ser usada só uma vez, enquanto uma toalha de pano pode ser lavada e reutilizada muitas vezes? Como o preço das toalhas de papel foi caindo, as donas de casa começaram a gostar da ideia."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dezenas de outros casos como este. E o mais impressionante é que via de regra o que provocou o aparecimento da maioria das coisas que conhecemos hoje foi o acidente, o inesperado, o tiro que saiu pela culatra, o não planeado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem só de boas coisas vive o mundo. Também encontramos no Livro das Invenções o outro lado da moeda, ou seja, inventos malucos que fracassaram por não servirem para nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o caso da retrete para carro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Em 1972, o americano Cliff Conway ficou preso num congestionamento e começou a imaginar uma maneira de aliviar a sua bexiga. Depois de 13 anos e 25 mil dólares, ele lançou o Car Toilet. A urina entra por um funil que, por meio de um tubo, vai até uma bolsa fechada a vácuo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro invento de igual estirpe é a cueca à prova de bala:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa de Aço de Moscovo calções de nylon recebem sete placas de aço, que pesam quase dez quilos. Elas protegem a parte de baixo do estômago e as coxas. Podem desviar a bala de uma pistola disparada a apenas cinco metros."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, de inventor e de louco todos nós temos um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou como diria o meu Tio Olavo: "Numa sociedade em que as pessoas têm quase tudo o que querem sexualmente, é muito difícil motivá-las a perder tempo a inventar frigoríficos."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112229902831469546?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112229902831469546/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112229902831469546' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112229902831469546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112229902831469546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/07/invenoes.html' title='invençoes'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112229835237917427</id><published>2005-07-25T06:30:00.000-07:00</published><updated>2005-07-25T06:32:32.393-07:00</updated><title type='text'>silly season</title><content type='html'>Já na faculdade, aprendi que o facto e a notícia não são sinónimos, nem sempre andam juntos e às vezes recusam-se até mesmo a jantar na mesma mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes as notícias são muito mais interessantes que os factos. Às vezes as notícias são tão confiáveis como uma freira contrabandista de uísque. E às vezes os factos e as notícias, esses eternos desafectos, fazem as pazes e vão juntos de férias, deixando jornalistas e cronistas com a batata quente de escrever a partir do nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você já deve ter ouvido falar da chamada silly season, período nefasto que acontece regularmente no Verão, onde até atropelamento de papagaio vira manchete. Ao longo dos anos fui coleccionando algumas notícias típicas das silly seasons. São histórias reais que nunca teriam espaço nos jornais não fossem ter ocorrido em épocas de absoluta falta de assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma delas aconteceu há alguns anos. Li-a num jornal respeitável (logo não tenho que duvidar da sua veracidade) e vou tentar descrevê-la com rigor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um casal decidiu passar a sua lua-de-mel numa longa viagem de transatlântico. Eram jovens e românticos, haviam sonhado com longos beijos ao entardecer, a ouvir o ruídos das ondas e a atirar migalhas de pão aos golfinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estavam tão embevecidos com o projecto e tão, como direi, empenhados em conhecerem-se biblicamente no conforto da sua caríssima cabina, que entraram navio adentro sem nem olhar para o lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram um dia dentro do quarto, provavelmente a jogar cartas ou à trívia, essas coisas singelas que os casalinhos costumam fazer durante as núpcias. O barco já estava em alto mar quando finalmente resolveram dar o ar da sua graça e fazer um passeio pelo deck. Foi então que descobriram um pequeno detalhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O navio havia sido alugado pela associação gay “Simpatia é Quase Amor”. E por isso, fora o casal, todos os outros 200 passageiros eram gays. E gays alegres a sério, daqueles que decidiram aproveitar o facto de estarem longe da nossa sociedade repressora para colocar as asas (e não só) de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No bar do navio, em vez de um pianista a tocar o tema de Casablanca, o que havia era um concurso da melhor imitação da Diana Ross. A piscina estava invadida por dezenas de matulões trajados apenas de fio dental a darem gritinhos histéricos cada vez que caíam na água. A quantidade de travestis no deck era tão grande que o recinto havia recebido a simpática alcunha de silycon Valley.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casal fechou-se na cabina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu Deus, parece que estamos num baile de Carnaval na casa do Elton John. Viste aquele bigodudo vestido de oncinha? Foi impressão minha ou ele mandou-te um beijo, João?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vi nada, Ana. Estás a ficar maluca. Já disse para te deixares de coisas e relaxar. Bolas, é a nossa lua-de-mel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Relaxar? Como é que eu vou relaxar? Três tipos vieram perguntar-me aonde é que fiz o tratamento, pois os meus seios pareciam quase de verdade. Quase de verdade?! E aquele clone da Barbra Streisand que puxou o meu cabelo para ver se era peruca! João, a culpa é tua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha?! Mas a viagem foi presente do teu padrinho. Além do mais eu queria ter ido de avião para Miami. Mas vieste tu com aquela história de que não era romântico, que querias uma viagem inesquecível, pois bem, conseguiste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu deverias ter percebido o que se passava assim que chegámos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se não tivesses exigido que eu subisse as escadas do navio contigo ao colo, talvez tivesse reparado nalguma coisa. Ana, estou com dor nas costas até agora. Eram mais de 40 degraus e tu não és exactamente um passarinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estás a chamar-me gorda?! Só faltava esta. Vou já para a casa da minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana, estamos no meio do Atlantico. Como é que vais para a casa da tua mãe? A nado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O navio deve ter um daqueles barquinhos de salvamento que a gente vê nos filmes. Vou remando e pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com o teu peso o barquinho ainda afunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cafajeste!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gorda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana acabou por desistir do plano de remar de volta para casa ("Aindo dou cabo das minhas unhas!") Quando a fome apertou acabaram por ter de sair da cabina e ir ao restaurante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- João, estou com medo. Acho que já repararam que eu sou mulher. Estás a ver aqueles cinco tipos ali vestidos de cabedal e correntes de metal? Não param de cochichar e olhar para a nossa mesa. Devem estar a planear atirar-me ao mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana, cala-te e come ou sou eu que ainda te atiro ao mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se continuares a tratar-me assim eu vou falar com o capitão do navio e pedir o divórcio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é que o capitão tem a ver com isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele não é a autoridade máxima do navio? Deve ter o poder de declarar o nosso divórcio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho meio dificil. Além do mais, se reparares bem, o capitão é um dos rapazes vestidos de cabedal e correntes daquela mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana saiu a correr e a chorar. Trancou o João fora do quarto e o pobre teve de dormir os três dias seguintes debaixo de uma mesa do bar. Nunca mais se viram. Segundo consta, Ana processou a agência de viagens pela ruína do seu casamento e graves danos emocionais. Perdeu. O juiz, um senhor respeitável no dia-a-dia, era nas horas vagas o presidente da “Simpatia é Quase Amor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João foi viver para Miami. E, segundo consta, a última vez que foi visto estava a passear de mãos dadas com um bigodudo vestido de oncinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredite, tudo isso é verdade. Ou melhor, quase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou como diria o meu Tio Olavo: "Mais vale uma boa história na mão do que dois factos a voar."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112229835237917427?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112229835237917427/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112229835237917427' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112229835237917427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112229835237917427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/07/silly-season.html' title='silly season'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112099785704554805</id><published>2005-07-10T05:15:00.000-07:00</published><updated>2005-07-10T05:17:37.050-07:00</updated><title type='text'>achismos de verão</title><content type='html'>em vez de estar aqui com o nariz enfiado no computador, o que você deveria era estar na praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se calhar você é um dos meus três ou quatro leitores que moram no Brasil. aí a coisa até se explica, mas não se justifica. há sempre um cineminha para se ir ou um cobertor de orelha para se agradar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porém, aqui na Tugalândia, quanto mais Julho avança menos neurónios resistem à vontade de descansar. não vou maçá-lo com grandes raciocínios (de resto, os meus raciocínios nunca foram grandes).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;prefiro dar espaço para o meu Tio Olavo, que enviou-me uma catadupa de achismos que têm a intenção de distrair a sua atenção neste início de Verão. por exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"eu acho que nada vem do nada"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"eu acho que ela herdou essa beleza natural do pai, ele é cirurgião plástico."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"eu acho que os tempos mudaram. hoje em dia, há muitos príncipes encantados que andam por aí atrás de outros príncipes encantados"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"eu acho que certas mulheres gostam tanto, tanto dos seus maridos que, para não gastá-los, usam os das suas amigas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"eu acho que quero um homem que seja gentil e compreensivo. será que é pedir de mais de um milionário?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"eu acho que nunca se deve confiar numa mulher que diz a sua verdadeira idade. se ela diz isso, é capaz de dizer qualquer coisa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"eu acho que uma mulher inteligente é aquela que sabe como recusar um beijo sem se privar dele."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"eu acho que no dia em que me conhecer de verdade vou sair correndo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"eu acho que a fé move montanhas. mas não se esqueça de ficar empurrando enquanto reza.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"eu acho que quero viver até à minha morte."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"eu acho que não se deve emprestar nem livros nem mulheres aos amigos. os livros nunca são devolvidos. as mulheres sempre."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112099785704554805?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112099785704554805/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112099785704554805' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112099785704554805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112099785704554805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/07/achismos-de-vero.html' title='achismos de verão'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112099659892897317</id><published>2005-07-10T04:50:00.000-07:00</published><updated>2005-07-10T04:56:38.936-07:00</updated><title type='text'>nem Freud explica</title><content type='html'>Laura olha pela janela do comboio e pergunta-me o que há para além do rio. Respondo convicto: «O resto do país». E rio-me por dentro com a minha piada de gosto duvidoso. Laura não ri da piada. Aliás, Laura não ri nunca. Faz parte do seu show manter um eterno ar enigmático, como se estivesse sempre a acabar de ouvir uma grande verdade metafísica. Era esse inclusive um dos seus grandes problemas: ela levava-se muito a sério e, consequentemente, a todos que conhecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda me lembro da noite em que derrubei uma banana flambada acesa no seu vestido verde musgo em meio ao copo d’água de um casamento de um casal razoavelmente desconhecido. Por algum motivo, Laura não só não achou graça na coisa como ainda ficou uns dias sem falar comigo. 863 dias para ser mais exacto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta pouco para chegarmos a Lisboa. Laura tem o semblante carregado, pergunta-se o que deu errado. Se pelo menos ela verbalizasse a questão, eu poderia responder: «Nada, nada, nada». Ou «tudo, tudo, tudo» (a verdade, às vezes, depende do freguês).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontramo-nos a primeira vez há muitos anos. Laura, por aquela altura, lembrava muito a jovem Nastassja Kinsky. Hoje em dia, é difícil saber. Há uma década que não vejo uma foto actualizada da bela Nastassja. Se calhar Laura agora se parece com uma tia distante daquela actriz. Mas, sim, ainda é bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laura não casou nem teve filhos, atrapalhada que estava com os homens e com a vida (não necessariamente nessa ordem). Houve um tempo em que acreditou que estava apaixonada por mim, mas era um equívoco (eu, não a paixão). Mas isso era coisa do passado. Como quase todos os equívocos eram agora coisas do passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com quase quarenta anos, Laura já não tinha tempo, nem libido, para se equivocar com os homens. Laura agora tinha certezas: nenhum gajo presta, todas as mulheres são vítimas e o homem nunca pisou na Lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laura espeta-me com um olhar de reprovação. Pensa no tempo que perdeu comigo e tem vontade de bater-me. Eu penso no tempo que perdi comigo e concluo que mereço apanhar até cair e me afogar numa poça do meu próprio sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho esse problema com as mulheres. Sempre acho que a culpa é minha. Mesmo que, na maior parte das vezes, apenas tenha reagido ao facto delas terem decidido ficar comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entreguei-me sempre fácil e docilmente para só algum tempo depois pedir o meu corpo de volta, alegando que precisava dele para trabalhar e fazer outras coisas (e olha que o corpo nem é lá grande coisa, embora já tenha acabado de pagar o leasing). Elas porém, sem nenhuma excepção, sentiram-se sempre traídas e abandonadas por um pulha. Não é bem assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso da Laura, por exemplo. O sonho dela era casar com um fulano igual ao Fernando (que é casado com a Lígia, nossa amiga comum). Ela queria alguém tão atencioso quanto o Fernando; tão educado quanto o Fernando; tão simpático quanto o Fernando; tão Fernando quanto o Fernando. O problema é que eu não sou o Fernando (fora o próprio Fernando, ninguém é). Levei vários meses e muito verbo para convencer Laura disso. Até hoje ela acha que foi má vontade minha, que com um pouco de esforço eu chegava lá. Não chegava. Até porque não queria realmente ir a lado algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«O que as mulheres querem?», perguntava-se Freud, entre uma e outra dose de ópio. As mulheres querem formatar os seus homens. Mas a vida não é bem assim. Ou elas apanham os tipos na mais tenra idade, quando ainda são meio bananas, ou podem esquecer da tarefa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dos trinta-e-meios os homens congelam o carácter. No máximo, pioram-no (melhorar, nem pensar). Daí que dificilmente um solteirão de trinta-e-tantos, daqueles que nunca deram o nó na vida (que nem mesmo dividiram o apartamento tempo o suficiente com uma rapariga a ponto dela pendurar as suas cuequinhas para secar na torneira do duche) traia a classe e pare numa igreja ou notário para contrair o sagrado matrimónio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, amiga, é triste mas é verdade: os trintões solteirões são a raça mais difícil de laçar (mais que um rinoceronte embebido em Red Bull). Eles têm autonomia financeira, a vida encaminhada, têm manias domésticas, hábitos imutáveis e se já não se reproduziram, não pensam mais no assunto. Tentar repaginar um trintão é o mesmo que tentar tapar o buraco da parede de uma represa com o dedo. Mais cedo ou mais tarde a coisa estoira e você vai na enxurrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laura ouve tudo isso e mal consegue controlar a sua ira. Machista é o melhor elogio que me faz. Não sei se já percebeu, mas em matéria de homens as mulheres são meio autistas. Se somos sinceros, não nos ouvem e ameaçam fuzilar-nos. Se mentimos, mais cedo ou mais tarde descobrem e fuzilam-nos a mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para minha sorte, o comboio chega na estação. Laura levanta-se cinematograficamente e prepara-se par ir embora. Mas antes pergunta-me o que haveria para além daquela despedida. Respondo convicto: «O resto das nossas vidas».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laura, mais uma vez, não ri de uma piada minha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112099659892897317?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112099659892897317/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112099659892897317' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112099659892897317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112099659892897317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/07/nem-freud-explica.html' title='nem Freud explica'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-112042683844168099</id><published>2005-07-03T14:36:00.000-07:00</published><updated>2005-07-03T14:40:38.450-07:00</updated><title type='text'>Teresinha</title><content type='html'>No início era apenas uma crise de meia idade, daquelas que não parecem que vão ter grandes consequências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João estava farto daquilo tudo. Do pessoal do escritório, dos vizinhos, dos parentes, da ex-mulher, enfim, de todos. Levara, durante trinta e cinco anos, uma vida pacata e com altos índices morais e cívicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fumava, não bebia, nunca tinha entrado num casino, nem feito coisas um bocadinho menos banais como praticar sexo tântrico num trapézio com uma anã albina lambuzada em mousse de chocolate Boca Doce. O gesto menos próprio que uma vez cometera foi ter tirado toda a roupa e mostrado a pila para o padre durante um baptizado. Mas nessa época, tinha três anos e ninguém se assustou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João estava farto. De tantas coisas que não sabia mais bem do quê. Daí que ter entrado naquele estúdio de tatuagens não tivesse sido um acto baseado em grandes reflexões. Na verdade, ele tinha ido ao Bairro Alto apenas para visitar uma tia velha e carcomida. Não saíra de casa a pensar em fazer nada que mudasse a sua insípida existência. Mas agora estava ali a tatuar o nome «Teresinha» no braço esquerdo e de uma maneira bem visível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João não conhecia nenhuma Teresinha. Mais: não conhecia nenhuma mulher que pudesse tratar no diminutivo. Nem mesmo a ex-esposa algum dia fora alvo de tal intimidade. Enquanto o casamento durou, raros foram os risos e parcos os prazeres. Leonor (esse era o nome dela) era uma mulher hirta, com hábitos espartanos, uma voz gélida e uma estranha atracção por fotografias de pés a preto e branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar no escritório, Drº Palhares, o seu chefe, foi o primeiro a reparar. Teve intenções de chamar João ao gabinete e exigir explicações. Aquela era uma empresa séria, tradicional, fundada nos bons tempos de Salazar, quando o mundo ainda era decente e fazia algum sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, em vez disso, Drº Palhares trancou-se na sua sala e começou a chorar baixinho. Fagundes, o director de recursos humanos, mal viu a tatuagem do João, percebeu que algo de terrível estava prestes a acontecer, que aquele era o último dia de uma era tranquila, rotineira e profundamente aborrecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém falou nada, ninguém pensou sequer em tocar no assunto. Mas, passadas algumas semanas, todos no escritório exibiam vistosas tatuagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Manel da expedição trazia no braço uma «Marta» em vermelho. O Meirelhes da contabilidade desfilava uma suspeita «Daniela» no pescoço. Até mesmo a dona Mercedes, conhecida na empresa por vender bolos para ajudar nas obras da igreja, apareceu com um garboso «Jucão» no pulso esquerdo. Razão de alguns constragimentos, tendo em vista tratar-se do mesmo «Jucão» que o Drº Palhares mandara gravar no peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a família não foi muito diferente. O pai do João, um general reformado, desaprovou publicamente a tatuagem mas intimamente recordou com extrema felicidade uma certa Teresa que havia conhecido nos anos 70, numa ida para vistoriar as tropas do Elefante Branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe recolheu-se ao silêncio, mas começou a tricotar umas roupinhas já a pensar nos futuros netos. O irmão mais velho abraçou o João longamente e foi-se embora emocionado, não sem antes exclamar várias vezes: “Meu grande garanhão!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João estava sozinho em casa a ver «Os Malucos do Riso» quando a campainha tocou. Abriu a porta e surpreendeu-se a ver que era Leonor. Desde a separação, há já quatro anos, nunca mais tinha posto os olhos nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas últimas vezes que se encontraram, Leonor fizera questão de extravasar o que sentia por ele, deixando de o tratar pelo nome e chamando-o às vezes de palhaço, outras de pateta e, o mais comum, de palerma (Leonor sempre tivera uma fixação por ofensas começadas pela letra «p»).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora ela estava ali, no meio da sala, vestida com um longo casaco de vison vermelho que, sem dizer uma palavra, fez questão de despir, revelando o seu hirto corpo nu. Ainda muda, Leonor arrancou com a boca o pijama do João. Lambeu-lhe os pés com sofreguidão antes de atirá-lo contra a parede e iniciar uma sessão de sexo que durou algumas horas e centenas de páginas do Kama Sutra. Depois deitaram-se exaustos no tapete da sala e fumaram uns cigarros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A vaca.&lt;br /&gt;- O que, Leonor?&lt;br /&gt;- A vaca. Quero que termines tudo com ela senão ainda cometo uma loucura.&lt;br /&gt;- Mas que vaca, Leonor?&lt;br /&gt;- Não te faças de desentendido, meu grande pulha. Já contratei dois brasileiros. Ou a Teresinha sai do país em dois dias com as próprias pernas ou terá de fazer isso em cadeiras de rodas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então Leonor agarrou o João pelo pescoço, algemou-o e começou a chicotea-lo enquanto gritava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fala a verdade. Eu sou muito mais mulher do que ela, não sou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João ainda pensou argumentar, mas aproveitou-se de que Leonor o tinha amordaçado para apenas assentir com a cabeça várias vezes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-112042683844168099?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/112042683844168099/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=112042683844168099' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112042683844168099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/112042683844168099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/07/teresinha.html' title='Teresinha'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111987090173742346</id><published>2005-06-27T04:14:00.000-07:00</published><updated>2005-06-27T04:15:01.746-07:00</updated><title type='text'>o homem quieto</title><content type='html'>Era quieto. Ficara assim há tanto tempo que já ninguém lembrava da sua voz. Não que fosse mudo, o que de resto nem seria um desígnio assim tão atroz, mas não falava, só pensava e, por pensar, era diferente de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhava o mundo como um voyer olha por uma janela. Com um interesse absurdo, uma reverencia completa até pelas coisas mais singelas. Como era quieto não incomodava, não era actor, era cenário. O seu silêncio era uma gaiola, ele, velho canário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez tenha sido exactamente isso: o seu silêncio. Provavelmente, já que não era bonito. O certo é que a mulher que falava pelos cotovelos apaixonara-se de súbito por ele. Aquilo foi uma grande surpresa, tendo em vista que ela era uma celebridade, dessas de cama e mesa. Numa época em que ninguém mantinha a boca fechada, ela contribuía com a fantochada com os seus cotovelos poliglotas, capazes de recitar poemas inteiros em cinco línguas vivas e sete mortas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O romance era estranho. Ele quieto, ela inquieta. As diferenças de personalidades eram de tal tamanho que nem um louco acharia suposto que aquilo pudesse dar certo. Mas, como o destino é esperto, o namoro prosseguiu até o fim, culminando num casamento ao som de uma canção da Adriana Partimpim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior foi depois, quando os cotovelos dela calaram. Foi assim de uma hora para outra, sem aviso prévio, sem nem um recado. Com os cotovelos mudos, ela rendeu-se a um triste recato. Perdeu o seu programa de TV, deixou de poder gravar CDs, e o pior, vejam vocês, começou a se drogar e a beber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal situação só gerou mais barulho. A comunicação social não largava o casal, o que era normal, exigindo uma declaração qualquer. Mas ela, com os cotovelos calados não podia falar. E ele, por não estar habituado, não sabia como defender a mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí, numa conferência de imprensa, que aconteceu o impensável. Pressionado pelos jornalistas, ele finalmente tomou uma atitude e exigiu silêncio. Primeiro ficaram todos em suspenso. “Silêncio?”, o que era aquilo? Os mais velhos ainda se lembravam vagamente da coisa. Claro está que o debate foi intenso. Todos falavam ao mesmo tempo e ninguém ouvia ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ruído foi tanto que quebrou a barreira do som. E isso é que foi bom, o estrondo ecoou por todo o planeta, como um trovão enviado pela grande besta. O resultado é que ficaram todos surdos, com os tímpanos estoirados. Menos o nosso rapaz, que do alto do seu silêncio doirado, sobreviveu ao desastre, talvez por não passar a vida a ouvir e a dizer disparates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com todos surdos, logo também ficaram mudos. Sem comunicação, não tardou a começar o declínio de toda a civilização. Passadas algumas gerações, estavam como primatas. Regrediram ao macaco e até mais além. Fora os decendentes do homem quieto. Estes como aprenderam a ouvir, aprederam a falar também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reunidos numa tribo onde primava o bom senso, onde só era dito o essencial, passaram uns para os outros todos os conhecimentos. Só é pena que trouxessem nos genes a herança materna. Cedo ou tarde a história se repetiria, pois nenhuma coisa boa é eterna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso ainda demora, e como brincadeira tem hora, só falta a moral dessa história que fala de um homem tão quieto e sábio como um touro: “acreditem, amigos, o silêncio é de ouro.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111987090173742346?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111987090173742346/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111987090173742346' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111987090173742346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111987090173742346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/06/o-homem-quieto.html' title='o homem quieto'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111947963501031492</id><published>2005-06-22T15:28:00.000-07:00</published><updated>2005-06-22T15:33:55.020-07:00</updated><title type='text'>sem coração</title><content type='html'>não tinha coração. nasceu sem. não que isso fosse um problema, uma crise no sistema, uma questão por aí além.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não tinha coração. e isso era até uma vantagem, sublime malandragem, tendo em vista que, quem tem coração, costuma ser bobo. e ele, que não era nenhum menino de coro, nasceu para se dar bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como não tinha coração, também não tinha sangue, como as santas, as baratas e as vamps. mas tinha um propósito na vida, seria o dono do mundo, ou não se chamaria Raimundo, o que, além de uma rima, era uma solução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;viveu sem escrúpulos, roubou doces aos miúdos, vendeu a mãe várias vezes, mas nunca entregou. seguia à risca o seu plano selvagem, para tudo tinha coragem, até que um dia, daqueles normais em que apetece dar banho ao cão ou visitar a tia, Raimundo encontrou Maria Rita (ou Rita Maria, nunca soube ao certo), doce menina dos olhos verdes e sorriso aberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rita Maria (ou Maria Rita) tinha ido à cidade fazer uma promessa, pois sofria de uma terrível mazela: amava ao próximo como a si mesma. o problema é que o próximo era sempre o que estava mais perto, fosse branco, preto ou amarelo, sem nenhuma descriminação de idade, sexo ou credo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rita, com tanto amor para dar, recebia muito pouco. sofria com aquele amor sem morada, sem nome, sem nexo, sem cara. daí ter feito uma promessa tão rara: se pudesse não amar um homem, fosse ele um politico, um mendigo ou artista, subiria o Everest de joelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raimundo, reparou em Rita Maria a fazer a promessa na igreja e apaixonou-se à primeira vista. para quem não tinha coração, aquilo era muito, um despautério, um absurdo. daí que Raimundo sentiu uma dor no peito. era um coração que ali nascia meio sem jeito e quanto mais ele mirava Maria Rita mais o órgão crescia, crescia, crescia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rita Maria, afinal, deu pelo Raimundo, o outrora dono do mundo, mas agora um simples mortal. como por um milagre, não se apaixonou. pelo contrário, sentiu escárnio, viu em Raimundo um pobre, um lixo, um chulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raimundo, apaixonado, perdeu o rumo, perdeu o chão, perdeu tudo. passou a andar pelas ruas como um cão, a beber, a fazer poesias concretas em mau francês, típicas de um ébrio esteta que amava pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rita sabia daquele amor impossível e ria-se do amante falhado, sem eira nem beira, vestido de trapos, que fazia vénias quando ela passava em direcção da padaria, da farmácia ou da missa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em pouco tempo, o coração de Raimundo já estava do tamanho de uma bomba, daquelas de cartoon, tipo assim redonda, com um pavio aceso na ponta, prestes a rebentar. Rita Maria não só sabia da triste história como ainda alimentava a paródia, fazia olhinhos sempre que o encontrava, mas depois travava qualquer investida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;várias foram as vezes em que a sacripanta entrou na tasca para tripudiar do cretino, que chorava aos seus pés como um Deus menino, enquanto ela, indiferente, bebia uma Fanta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois de uns tempos e de uns ventos de monção, Raimundo não aguentou e a bomba do seu coração estoirou, voando pedaços de paixão para todos os lados, emporcalhando jardins, muros, telhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raimundo morreu num instante, desprezado enquanto amante, mas misteriosamente feliz. como todos os apaixonados, mesmo os renegados, Raimundo teve, por um triz, a sorte madrasta de saber para que servia era um coração de verdade. e Maria Rita, na sua sublime maldade, aquela que amava a todos menos um, decidiu, um bocado na pressa, pagar sua promessa, rumando para o Nepal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mal lá chegou, apaixonou-se por um monge budista, chamado Ming, meio santo, meio autista, que, diziam as más línguas, era um ex-amante do Sting.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o monge, com um certo azedume, desprezou solenemente a donzela. que morreu como uma cadela, congelada de joelhos bem pertinho do cume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o monge, não sem uma suspeita alegria, no lugar onde Rita Maria jazia, tentou sem sucesso plantar um arvoredo. de Raimundo, o que queria ser dono do mundo, ninguém guardou memória. e essa é a moral da história: quem tem coração, tem medo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111947963501031492?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111947963501031492/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111947963501031492' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111947963501031492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111947963501031492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/06/sem-corao.html' title='sem coração'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111911510545957381</id><published>2005-06-18T10:13:00.000-07:00</published><updated>2005-06-18T10:18:25.466-07:00</updated><title type='text'>cabeça</title><content type='html'>Miguel não tinha mesmo jeito. ele era um despistado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sempre foi. esquecia coisas nos sítios, trocava os nomes das pessoas, apanhava autocarros errados. no dia do casamento entrou numa igreja que não era a sua. já estava a caminho do altar quando reparou que aquela rapariga de branco que lá estava era um bocado diferente da Laurinha, a sua noiva. a Laurinha era morena e aquela era loira. “ou será que a Laurinha é loira e eu nunca reparei?”, pensou. na dúvida, quase casou com aquela mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas um dia o Miguel exagerou. perdeu a cabeça. em todos os sentidos. a princípio ninguém notou. era tão despistado que mais cabeça, menos cabeça não fazia lá grande diferença. o primeiro a dar pelo facto foi o seu chefe. chamou-o à sua sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Miguel, Miguel... que se passa contigo? estive a reparar que andas com a cabeça perdida.&lt;br /&gt;- como assim, drº Sousa?&lt;br /&gt;- Miguel, não tenta disfarçar. há dias que estás sem cabeça para o trabalho.&lt;br /&gt;- oh! meu Deus! o doutor tem razão! onde será que está a minha cabeça?&lt;br /&gt;- eu é que sei? ah, Miguel! não tens mesmo jeito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o problema é que Miguel não sabia onde estava com a cabeca. procurou-a por todo o escritório, mas nada. tentava recordar-se onde a havia visto pela última vez. na quarta-feira, sim tinha sido na quarta pela manhã. tinha feito a barba e lembrava-se perfeitamente de ter visto a sua cara no espelho. e, se havia cara, havia cabeça. mas depois disto, tudo ficava um pouco confuso. foi para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Laurinha!&lt;br /&gt;- o que foi, Miguel?&lt;br /&gt;- viste a minha cabeça por aí?&lt;br /&gt;- a tua cabeça?&lt;br /&gt;- é devo a ter deixado por aí e agora não encontro.&lt;br /&gt;- já olhaste no quarto das crianças? se calhar apanharam a tua cabeça para brincar e deixaram na lá naquela confusão. ou a Dona Rosa, anteontem, quando fez a limpeza, a deitou fora.&lt;br /&gt;- será? a Dona Rosa não ia fazer isso. afinal era uma cabeça. a minha cabeça. ela não ia deitar fora uma coisa que tinha utilidade?&lt;br /&gt;- utilidade? a tua cabeça? ah, Miguel, não tens mesmo jeito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laurinha deu de ombros e foi fazer o jantar. na verdade, até achou que ele ficava melhor assim. pelo menos não tinha mais que beijá-lo todas as manhãs e arranhar o rosto com aquela barba malfeita. mas o Miguel não se conformava. aquilo era mesmo uma dor de cabeça. ou não? “dor de cabeça sem cabeça?”, Miguel já não sabia o que pensar. o Dr. Sousa acabou por concordar que desde que o Miguel cumprisse os horários e fosse simpático com os clientes, tanto lhe fazia. o Dr. Sousa achava-se um homem moderno, sem preconceitos. não ia mandar embora um funcionário tão antigo só porque ele havia perdido a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o tempo foi passando. até que noutro dia o Miguel estava a remexer num armário à procura do BI, “aonde foi o que o meti?”, e encontrou a cabeça atrás de uma pilha de cuecas. a Dona Rosa jurou que não foi ela, mas aquela também era um pouco despistada. bom, mas o importante é que a cabeça estava lá. um bocadinho arranhada e a faltar uns dentes, mas ainda assim era uma boa cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel jurou que a partir daí iria tomar um pouco mais de cuidado com as suas coisas. Laurinha deu de ombros e foi fazer o almoço. o problema é que a cabeça já não encaixava mais no pescoço do Miguel. causava incómodos, pendia para o lado, às vezes saltava para fora e caía no chão. quando isso acontecia no cinema era uma chatice. toca a procurar a cabeça e a estorvar as pessoas. até que há duas semanas o Miguel pôs a cabeça ao contrário e sentiu-se confortável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deixou-a assim. Laurinha, como sempre achou natural, deu de ombros e foi fazer o pequeno almoço. mas nada mais foi o mesmo. Miguel passou a chegar em casa mais tarde, passou a beber, atendia telefonemas misteriosos de madrugada. Laurinha desconfiou que algo estava errado. ontem, ela teve a certeza. foi guardar o casaco do Miguel e encontrou um longo fio de cabelo louro. e ela, afinal, era morena. desesperou-se. fez as malas, apanhou as crianças e foi chorar para a casa da mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o que foi, minha filha?&lt;br /&gt;- uma desgraça, mãe, uma desgraça! eu descobri, eu tenho a certeza! oh, meu Deus, como eu fui cega! o Miguel está de cabeça virada!&lt;br /&gt;- sim, filha, eu já vi, e daí?&lt;br /&gt;- o Miguel está de cabeça virada por outra mulher!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111911510545957381?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111911510545957381/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111911510545957381' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111911510545957381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111911510545957381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/06/cabea.html' title='cabeça'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111877865766809138</id><published>2005-06-14T12:44:00.000-07:00</published><updated>2005-06-14T12:58:35.400-07:00</updated><title type='text'>o novo homem</title><content type='html'>quando acordou, ele não se sentia um homem novo, ele era um novo homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;literalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é verdade que todos os homens são iguais, mas aquele, por destino, magia ou milagre, ficara diferente. não tinha mais os defeitos banais da raça, nem tão pouco as suas reduzidas qualidades, sequer era gente como a gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não era um homem de trazer por casa, nem um daqueles que as mulheres do interior mandam comprar na cidade. ele era distinto por dentro e por fora. emanava plena felicidade, mas como brincadeira tem hora, o novo homem, que já não era nenhum menino, exigia respeito e atenção. logo, logo, para passar a sua mensagem, apareceu na televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;surpreendendo todos, o novo homem não queria poder, dinheiro ou ouro. não queria ser rei, presidente, nem papa tão pouco. ele dizia que não queria nada. e, como é óbvio, ninguém acreditava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por mais que, por detrás dos seus três lindos olhos, só existisse sinceridade, o mundo só via maldade, pois o mundo é sempre torpe e vesgo, o mundo só reconhece aquilo que vê no espelho. o novo homem virou então uma moda sem igual. e ele que era um ingénuo nem percebeu como estava a ser usado, nem mesmo quando a sua imagem apareceu numa embalagem de cereal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a Madonna fez uma música em sua homenagem, que resultou num clip onde ela fazia sexo com quatro gaivotas, três doninhas e um texugo selvagem. em pouco tempo, em todos os supermercados do planeta, as prateleiras estavam cheias com os produtos do novo homem: o iogurte que fazia crescer cabelos, o sabonete com três cheiros, a pasta de dentes para banguelas, a carne das vacas que nadavam e tinham guelras, o peito dos frangos que cantavam tango em vez de fazerem cocorocó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o novo homem a tudo assistia sem perceber o que se passava na realidade. o novo homem nascera para pregar a honestidade, para defender tudo o que tinha um bom valor, esquecendo que não era o primeiro a sofrer nas mãos dos vendilhões do templo do senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi então que o presidente dos Estados Unidos da América declarou guerra. mandou prender o novo homem para fazer uns exames, antes que os vírus supostamente presentes no seu sangue contaminassem o planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o novo homem, que apesar de tudo continuava sem eira nem beira, foi uma presa fácil. ninguém lhe quis dar abrigo, pois em relação ao presidente dos Estados Unidos o melhor é ser amigo. o novo homem, depois de abatido, foi dissecado ao milímetro. não encontraram, claro, nada de errado. mas o equívoco até deu jeito. morto e enterrado, o novo homem deixou de ser um problema, deixou de, só pela sua existência, ser uma pedra incómoda no sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de uma forma ou de outra, o novo homem não tinha futuro. passada a novidade, os seus produtos já não vendiam mais. a sua mensagem de amor e de paz era muito quadrada. e a Madonna, que não era boba nem nada, já estava noutra, compondo um rock bacana em parceria com a banana profeta, a fruta que nascera dizendo ser a encarnação de um deus asteca, que previa o apocalipse para o fim do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;coisa que ninguém levou a sério. o que explica o grande mistério de o mundo ter entrado, naquele 31 Dezembro, alegremente pelo cano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111877865766809138?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111877865766809138/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111877865766809138' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111877865766809138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111877865766809138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/06/o-novo-homem.html' title='o novo homem'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111865444556040537</id><published>2005-06-13T02:18:00.000-07:00</published><updated>2005-06-13T02:20:45.566-07:00</updated><title type='text'>Meridional</title><content type='html'>o seu nome é Meridional. e  tem um enorme sorriso no rosto como a dividir os pólos da sua cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meridional é negro mas ninguém percebe. acham que é mulato, compram gato por lebre. ele é lobbista de um hotel da Baixa. fica pelos cantos do lobby o tempo todo a dizer "bom dia". mete conversa com franceses, chineses, ingleses, faz se de turista. quem olha diz que acabou de chegar, quando, na verdade, nunca foi nem nunca há de voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o gerente põe-no louco, quer que invente histórias para daqui a pouco. é que está a chegar um lote novo de coreanos e Meridional tem de ser rápido. para deixar claro, Meridional não é vigarista. apenas é pago para falar com turistas. houve um tempo em que não tinha hotel fixo, era lobbista free lancer, alugado à hora, ao tempo, ao tanque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois do bom dia, Meridional conta sempre histórias de malas perdidas, de voos calmíssimos e filhos distantes. os viajantes ficam tranquilos ao ouvir tal falar, e pensam: “há alguém parecido comigo nesse mundo que está a acabar...” Meridional então simula um ataque de tosse, pede desculpas e parte para outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas hoje Meridional está assustado. é que história para coreanos ele nunca teve. a sua especialidade são histórias para texanos e malteses. o gerente assobia, Meridional desconfia e treme. os coroanos entram pelo lobby adentro. entre a cruz e a calderinha, Meridional não hesita, improvisa. e aos primeiros olhos puxados que esbarra, Meridional abre a boca, solta a fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e conta uma história sobre uma viagem ao Evereste, no dorso de um lhama. fala de uma seita exótica e de um longo período de jejum, que durou meses. e de como encontrou a chama chama divina primeiro que todos os homens. e de como o seu corpo foi elevado ao ar até onde a vista não alcança, tendo quase sido ceifado por um misterioso avião da Lufthansa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fala de como depois caiu em cima de um pântano e de como passou a vaguear pelo mundo à procura da sua tribo. fala tudo isso em pouco mais de um segundo e já ia estender a mão com um ar de até mais ver quando é surpreendido com a imagem do coreano a ajoelhar-se no chão. e todos os coreanos em volta, ao entenderem o sinal, erguem os braços aos céus a agradecer a dádiva recebida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e então o mais velho dos coreanos, pelo menos duzentos anos em cada perna, debruça-se sobre o ombro de Meridional e sopra-lhe no ouvido: «Mestre...»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desde então, Meridional nunca mais deu notícias, o que é incrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;consta que o gerente teve um destino terrível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111865444556040537?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111865444556040537/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111865444556040537' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111865444556040537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111865444556040537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/06/meridional.html' title='Meridional'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111834723500938438</id><published>2005-06-09T12:58:00.000-07:00</published><updated>2005-06-09T13:00:35.020-07:00</updated><title type='text'>como vencer na vida sem fazer força</title><content type='html'>o meu Tio Olavo mandou-me alguns conselhos que pediu para serem partilhados com todos os sete leitores desta página.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eles (os conselhos) são uma espécie de manual de fácil leitura sobre como ter sucesso na vida sem fazer lá grande coisa. então é assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. “um homem que tem um milhão de contos sente-se tão bem como se fosse rico”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. “se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. o trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. “regra nº 1: nunca perca dinheiro. regra nº 2: nunca esqueça a regra nº1”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. “a parte mais sensível do ser humano é o bolso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. “é raro alguém querer ouvir aquilo que não quer ouvir”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. “para fazer fortuna, não é preciso ter talento; basta não ter correcção”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. “o trabalho é honesto; mas há muitas outras ocupações muito menos honestas e muito mais lucrativas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. “só o lucro não dá prejuízo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. “há muitas maneiras inteligentes de se ganhar dinheiro, mas só há uma de o gastar: menos do que se ganha”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. “sabedoria é saber o que fazer; virtude é fazer”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11. “sempre digo que ganho mais do que preciso e menos do que mereço”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12. “o sucesso faz o fracasso de muitos homens”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13. “as intenções são filhas póstumas dos grandes gestos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14. “nenhum cliente pode ser pior que cliente nenhum”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15. “bom o suficiente nunca é”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16. “há quem ganhe apenas o necessário para endividar-se”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17. “o dinheiro não muda o homem: ele apenas o desmascara”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18. “eu tenho dinheiro, o suficiente para o resto da minha vida, a não ser que eu compre qualquer coisa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19. “um contrato verbal não vale o papel em que está escrito”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20. “todas as herdeiras são lindas”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111834723500938438?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111834723500938438/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111834723500938438' title='13 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111834723500938438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111834723500938438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/06/como-vencer-na-vida-sem-fazer-fora.html' title='como vencer na vida sem fazer força'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111822607900913026</id><published>2005-06-08T03:18:00.000-07:00</published><updated>2005-06-08T03:21:19.016-07:00</updated><title type='text'>destinos</title><content type='html'>Lígia Pereira de Sousa, 75 anos, solteira, prima em terceiro grau da Condessa de Ourique, moradora de um T5 no Restelo. vive na companhia de Tareco, gato, cinco anos, rafeiro, sem parentes conhecidos, um presente de Octávio Francisco Magalhães de Almeida e Sousa, 43 anos, "bon vivant" e sobrinho querido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lígia tem a mania da limpeza e costuma banhar o Tareco uma vez por dia. neste momento, Ligia está a pôr o Tareco, todo molhado do seu último duche, a secar dentro de um forno de microondas. Tareco ainda protesta mas Lígia não se incomoda. fecha a porta do microondas. Liga-o no máximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto isto, no Algarve, Paulo Monsanto de Carvalho, quatro anos, mais conhecido como Baby, está a construir um castelo de areia na Praia do Gigi. É neste preciso momento que, Tomás Cardoso de Oliveira, sete anos, sardento, caixa-d'óculos e mau carácter, prepara-se para chutar o castelo de Baby. Tomás não sabe, mas Baby jamais irá esquecer o dia em que o seu castelo foi destruído. o trauma por ver uma obra sua deitada, literalmente, abaixo transformará Baby num homem eternamente ressentido, incapaz de acabar um curso, formar uma família, fazer uma carreira e que acabará por entregar-se ao álcool.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passados 30 anos deste fatídico dia, Baby encontrará casualmente Tomás, executivo bem sucedido, presidente de uma empresa importadora de bananas africanas, numa rua escura, ali pelos lados de Alfama. não me pergunte o porquê mas Baby estará armado com uma pistola de alto calibre. Baby reconhecerá as sardas e os óculos de Tomás imediatamente. Tomás mal terá tempo de pedir perdão. em segundos, estará no chão como o castelo que neste exacto momento ele chuta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto isto, Alfredo Redondinho Costa, 33 anos, publicitário e “serial killer”, devora o seu pequeno almoço num café ao pé do Marquês de Pombal. o sonho de Alfredo era ser um artista plástico reconhecido internacionalmente. porém, devido ao intenso ritmo do seu trabalho, a criar anúncios para vender lixívia de uma marca branca de supermercado ou hambúrgueres de uma conhecida rede de “fast food”, feitos a partir de restos de carne de porco, cavalo e papel jornal, nunca encontra tempo para dedicar-se à arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para compensar essa frustação, Alfredo costuma assassinar desconhecidos. executa-os usando com uma certa violência um taco de basebol. depois esfola as suas peles, arranca os seus cabelos e com esse material constrói uma instalação na porão da sua casa. Alfredo tem o hábito de escolher as suas vítimas pela manhã no café onde está neste momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e é por isso que ele concentra a sua atenção em Vanessa Pires Moutinho, 27 anos, mulata brasileira de compleição física avantajada, nascida Sebastião Pires Moutinho, objecto de uma cirurgia de mudança de sexo na Suécia. Vanessa repara nos olhares de Alfredo e corresponde. passados alguns minutos trocam os telefones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alfredo fica empolgado com a possibilidade de acrescentar um tom de pele mais escura à sua já imensa obra prima. não sabe que Sebastião, digo, Vanessa, antes de se tomar dançarina de um bar de strippers da 24 de Julho, era porteiro de uma boate em Recife. dona de uma força descomunal, será simples para Vanessa empalar, via anal, o psicopata com o seu próprio taco de basebol. surpreendentemente, Alfredo morrerá com dor, mas morrerá feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto isto, Pedro Saldanha Soares, 38 anos, filósofo formado numa universidade francesa, caminha pelo centro da cidade. está a reflectir sobre a sua tese de doutoramento baseada no conceito da não existência do destino. Pedro defende que o homem, através do raciocínio dialéctico e da argumentação entrópica, pode controlar todos os passos da sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro acredita que o destino não passa de uma invenção das almas ingénuas, uma herança abstracta da origem tribal da humanidade. ele está a pensar niso enquanto atravessa a rua sem perceber que um autocarro da linha Chelas-Rossio vem na sua direcção. Joaquim da Silva, 44 anos, ex-interno da Casa Pia, motorista, ainda tenta travar o autocarro mas é tarde demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto isto, Tareco arranha o vidro do microondas e dá a sua miada final.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111822607900913026?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111822607900913026/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111822607900913026' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111822607900913026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111822607900913026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/06/destinos.html' title='destinos'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111761335004047261</id><published>2005-06-01T01:07:00.000-07:00</published><updated>2005-06-01T01:09:10.046-07:00</updated><title type='text'>o Poema Feliz</title><content type='html'>O Poema Feliz era de amor que, é claro, rimava com a palavra flor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como todos os poemas felizes, era estúpido, envergonhado, deserdado pelo próprio autor. durante anos viveu escondido num caderno mas, como nenhum segredo é eterno, um dia foi descoberto por um literato que tirou o Poema Feliz da sua aldeia e o levou para a cidade, com o objectivo confesso de exibi-lo numa grande feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o Poema Feliz não era inteligente, diria mesmo que, apesar do grande coração, tinha pouca cabeça. confrontado com a súbita fama, reagiu de estranha maneira. em pouco tempo podia ser visto acompanhado de críticos, artistas, intelectuais, políticos e rameiras. comprou roupas de marca, passou todas as marcas, acreditou poder ser modelo, sem perceber que o que hoje é belo amanhã é feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na boleia da fama, frequentava os bares da moda, dava entrevistas, aparecia na televisão, sem perceber que os seus novos amigos de borga, não eram amigos, não eram felizes, eram a sua perdição. o Poema Feliz, que fora um ingénuo, passou a beber demais, a fumar demais, a cheirar coca. estava sempre trémulo pelo Bairro Alto à procura de drogas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aos poucos o seu estilo mudou. Esqueceu-se que era um poema. soberbo, imaginava-se prosa. e nem reparou quando a flor da sua poesia murchou. então, porque já não tinha piada, porque já não era um poema, porque já não era feliz, foi abandonado por todos a troco de nada, a troco de um novo poema que abusava da letra “x” e, isso que era de mais, praticamente não tinha vogais.&lt;br /&gt;daí para a prostituição foi um pulo. vendeu as suas rimas para um trovador caolho e chulo. as metáforas, perdeu nas Docas de Alcântara numa rusga onde uma navalha cortou do seu corpo a palavra esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o Poema agora era uma triste figura, dormia na rua a pensar, nas noites sem Lua, em praticar um haikai. foi quando o Lar do Poema Abandonado o recolheu e ofereceu-lhe tratamento. passado um tempo, o Poema era outro. recuperado, hoje vive numa vila ao sul do Tejo. mas o Poema sabe que Feliz nunca mais. perdera aquele seu ar de criança, que alguns chamavam pateta, mas que era apenas a opção de um esteta, inábil com as palavras mas cheio de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e quanto à sua flor, definitivamente morreu, nunca mais germinou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111761335004047261?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111761335004047261/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111761335004047261' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111761335004047261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111761335004047261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/06/o-poema-feliz.html' title='o Poema Feliz'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111739352171258815</id><published>2005-05-29T11:57:00.000-07:00</published><updated>2005-05-29T12:05:21.720-07:00</updated><title type='text'>desalmado</title><content type='html'>“compra-se alma. paga-se bem.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lia-se perfeitamente a frase num pequeno anúncio de jornal. Fausto achou a proposta interessante. como nunca foi crente ou poeta, sempre achou a própria alma algo de grande inutilidade. Fausto tinha uma alma como quem tem um par de meias vermelhas com bolinhas azuis, presente de alguma tia gorda e daltónica. guardava a alma na gaveta das cuecas e poucas vezes tivera motivos para a tirar de lá. mas agora havia um: dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desde que a proposta fosse boa, Fausto iria trocar a alma por uns cobres. poderia não ser o acto mais católico do mundo, mas Fausto não era católico, nem budista, nem protestante. a transação foi simples. a maquia era boa. bastou uma assinatura  e o número do contribuinte. em minutos, Fausto era um homem desalmado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fausto nem perguntou o que iriam fazer da sua alma. era um assunto para  ele pouco importante. saiu da loja com o bolso cheio notas e um grande sorriso estampado no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desde então Fausto prosperou. aplicou o dinheiro na bolsa e ganhou. com o lucro comprou uma empresa falida e transformou-a num grande negócio. Meteu-se nos mais arriscados projectos sem nenhum medo, pois quem não tem alma não teme. tornou-se num empresário de sucesso. deu entrevistas a todos os jornais do país, ficou famoso e cada vez mais vaidoso consigo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um belo dia, estava Fausto no seu apartamento de três andares em Nova Iorque, quando a Morte chegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- bom dia, vim buscar a sua alma.&lt;br /&gt;- dona Morte,  a senhora deve ter se enganado no apartamento. já não tenho alma há muito tempo.&lt;br /&gt;- o senhor não se chama Fausto Matias de Sousa?&lt;br /&gt;- sim, é o meu nome.&lt;br /&gt;- então não há engano algum. vocês mortais são realmente muito chatos. é sempre a mesma coisa quando eu chego: “é muito cedo”, “agora não, vou casar amanhã”, “justo hoje que o Benfica foi campeão?” sinceramente, não há pachorra para as suas desculpas. por favor, entregue-me a sua alma sem grandes resistências. tenho hoje uma agenda cheia. dentro de vinte minutos haverá um atentado no metro, ali pelos lados do Harlem, e só isso vai ser o suficiente para ocupar-me a tarde inteira.&lt;br /&gt;- caríssima morte, já disse que não tenho alma alguma. vendi-a faz mais de trinta anos. se duvida, olhe aqui o recibo.&lt;br /&gt;- hum... tanto? pagaram-lhe bem. já vi gente que vendeu a alma por muito menos.&lt;br /&gt;- era uma boa alma, quase sem uso. praticamente não a tirava de casa. só tinha ido com ela uma ou duas vezes à igreja e mesmo assim nem rezei, eram casamentos.&lt;br /&gt;- bem, o recibo parece-me verdadeiro. peço desculpa pelo incómodo. deve ter havido um erro. desde que instalaram os novos computadores lá no inferno, aquilo tem-se tornado um inferno, se me permite a redundância.&lt;br /&gt;- não há problema. mas, já agora, uma curiosidade. se veio buscar a minha alma é sinal de que alguém ainda a tem e esse alguém irá morrer hoje. é possível saber quem é essa triste figura?&lt;br /&gt;- sim, sim. posso usar o seu telefone?&lt;br /&gt;- claro. está logo ali naquela mesa, por debaixo do Picasso falso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a morte arrastou a sua foice até o telefone. fez a chamada. enquanto isso, Fausto fumava um charuto cubano. o apartamento foi tomado por uma cortina de fumo, tresandando a charuto e a enxofre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ora bem, senhor Fausto, já descobri o equívoco. na verdade, a sua alma pertence hoje a um famoso cientista, que mora do outro lado do Central Park.&lt;br /&gt;- e ele vai morrer de quê?&lt;br /&gt;- vai escorregar no sabonete e bater com a cabeça na banheira. vai ser uma grande perda. o tipo estava prestes a descobrir uma vacina para uma epidemia que irá alastrar-se pelo mundo dentro de dois ou três anos e que irá matar toda a população do planeta.&lt;br /&gt;- toda a população?&lt;br /&gt;- sim. vai ser uma trabalheira. o mundo vai ficar reduzido às baratas e aos desalmados que, como não têm alma, não podem morrer.&lt;br /&gt;- somos muitos?&lt;br /&gt;- imensos. só em Nova lorque há mais de dois milhões.&lt;br /&gt;- pena. estou a ver que os engarrafamentos vão continuar.&lt;br /&gt;- bom, tenho de ir. passar bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fausto despediu-se da morte. foi para a varanda e pôs-se a olhar a cidade. estranha era a vida, pensou. pôs-se a reflectir no futuro atroz da humanidade. era trágico que só por uma questão de troca de uma alma morresse o tal cientista no seu lugar e, com ele, toda a esperança do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nesse exacto instante, Fausto avistou uma pequena barata ao pé de um jarro de plantas. olhou-a fixamente e percebeu que entre os dois havia coisas em comum. a mesma ausência de sentimentos  e o mesmo destino: partilhar o planeta só porque eram representantes de duas espécies impuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fausto foi tomado então por uma comoção. sentiu que precisava fazer algo. não podia aceitar o futuro que se avizinhava de maneira passiva. caminhou em direcção à barata e sem pestanejar tomou uma atitude que iria marcar todo o resto da sua eterna vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Menos uma!”, gritou ao pisar a barata sem piedade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111739352171258815?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111739352171258815/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111739352171258815' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111739352171258815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111739352171258815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/05/desalmado.html' title='desalmado'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111684699640805926</id><published>2005-05-23T04:12:00.000-07:00</published><updated>2005-05-23T04:23:03.130-07:00</updated><title type='text'>o Prozac encarnado</title><content type='html'>Escrevo este texto na segunda-feira pela manhã. Ontem (Domingo) o Benfica sagrou-se campeão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo com o Rui sobre o tema. Falo, quer dizer, tento falar. O Rui está afónico e ainda meio a dormir. Esteve a comemorar até às sete da manhã a vitória do seu glorioso clube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento compreender o que ele me diz ao telefone. Não é fácil. A sua voz pastosa não ajuda, mas acho que ele diz-me ter dado várias voltas à rotunda do Marquês de Pombal em cuecas. E parece que não era o único. Algumas centenas de outros adeptos tiveram a mesma atitude (provavelmente, incentivados pela maneira como o Simão Sabrosa festejou o título).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico a pensar no assunto. O Rui é um rapaz sensato. Como é sensata a maioria dos portugueses. Não consigo imaginar em que outra situação o Rui sairia pela rua a gritar feito um guerreiro bárbaro, vestido como um índio brasileiro. Mas o Benfica provoca esse tipo de coisa nas pessoas. Nem é preciso álcool ou qualquer espécie de estupefaciente. Basta um golo. Bata uma taça. Basta um voo da águia. O Benfica é ele mesmo um droga perigosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do benfiquista contente pode se esperar tudo. Pois o benfiquista feliz é um inimputável inconsequente. O governo vai aumentar os impostos? Ah, tudo bem, o Benfica é campeão. O patrão é do Sporting e resolveu fazer um downsizing na empresa, a começar pelos adeptos encarnados? Óptimo, óptimo, não estava mesmo com vontade de trabalhar esta semana, assim fica mais fácil comemorar a vitória do meu Benfica. A esposa fugiu de casa com o malabarista do circo chinês? Boa, boa, vamos aproveitar que a casa está vazia e fazer uma grande festa, pois o Benfica é campeeeeeeeeãooooo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rui continua ao telefone a teorizar sobre os efeitos benéficos da glória do Benfica sobre a economia nacional. Segundo o seu ponto de vista, o país vai sair do défice a partir de agora. Isso porque os milhões de benfiquistas contentes vão entregar alegremente todas os seus pertences ao Estado. O benfiquista já tem a taça, não quer mais nada, não precisa de mais nada. O benfiquista só quer que o deixem em paz na sua doce loucura de campeão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De certa maneira, o benfiquista se contenta com pouco. Um campeonato de onze em onze anos basta. O benfiquista não quer ser bicampeão, nem tri, nem tetra. Os que dizem que sim, estão a mentir. A alma do verdadeiro benfiquista revela-se justamente nas derrotas e não nas vitórias. O verdadeiro benfiquista é aquele teimoso que acha completamente inexistente os campeonatos ganhos pelos outros. No fundo, a década que separa o recente título do anterior não existiu. O verdadeiro benfiquista saltou directamente de 1994 para 2005. Não é à toa que o Rui disse que ontem à noite dançou a Macarena na porta do Estádio da Luz (para o benfiquista este ainda é o hit musical do ano).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que o próximo título seja só em 2016, podemos todos ficar tranquilos. Os benfiquistas não vão nos deixar mais abater. Cada campeonato ganho pelo Benfica é como um antidepressivo a nível nacional com efeito prolongado. Deve ser por isso que o Rui não pára de rir mesmo estando a chorar de felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou como diria o meu Tio Olavo: “O Benfica é o Prozac encarnado.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111684699640805926?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111684699640805926/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111684699640805926' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111684699640805926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111684699640805926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/05/o-prozac-encarnado.html' title='o Prozac encarnado'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111632338141572222</id><published>2005-05-17T02:46:00.000-07:00</published><updated>2005-05-17T02:49:41.416-07:00</updated><title type='text'>o lado positivo</title><content type='html'>os cientistas descobriram que o cromossoma Y (aquele que permite a existência do sexo masculino) tem lá uma coisa qualquer que tende a provocar a sua perpetuação através dos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou seja, que é praticamente impossível a erradicação dos homens da nossa espécie. não deixa de ser uma boa notícia (embora as velhas feministas que queimam sutiãs talvez não achem lá muita piada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o certo é que a natureza é hábil e se determinou que os rapazes estão aqui para ficar é por algum bom motivo. o Brad Pitt é uma hipótese, mas não quero me alongar no assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a propósito disso, fui perguntar ao meu Tio Olavo quais eram para ele as diferenças entre os homens e as mulheres. ele respondeu-me o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tio Olavo, o que é que se deve dar para um homem que tem tudo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;uma mulher para ensiná-lo como funciona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por que é que as pilhas são melhores que os homens?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;é que as pilhas têm sempre um lado positivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por que é que os homens querem casar com virgens?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;é que eles não suportam comparações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;como é que se chama um homem interessante em Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;turista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por que é que Deus criou os homens?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;porque os vibradores não cortam a relva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por que é que apenas 10% dos homens vão para o céu?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;porque se todos fossem seria o inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;o que é que as mulheres mais odeiam ouvir quando estão a ter sexo de boa qualidade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; “querida, cheguei”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por que é que alguns homens na cama são como comida de microondas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;são 30 segundos e já está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;quando é que um homem perde 90% da sua inteligência?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;quando fica viúvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;e quando é que perde os 10% restantes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;quando morre o cão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111632338141572222?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111632338141572222/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111632338141572222' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111632338141572222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111632338141572222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/05/o-lado-positivo.html' title='o lado positivo'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111626811755313488</id><published>2005-05-16T11:21:00.000-07:00</published><updated>2005-05-29T15:55:30.583-07:00</updated><title type='text'>o yuppie louco</title><content type='html'>há horas em que dá vontade de mandar tudo para aquele lugar, chutar o balde, virar a mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há momentos em que temos gana de quebrar o pau da barraca, colocar lenha na fogueira, subir pelas paredes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há instantes em que o melhor é dar a volta ao texto, arrumar os pontos nos «is», arrancar a camisa de força ou tirar o pai da forca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há dias em que Deus só abençoa quem cedo madruga e nós levantamo-nos tarde e saímos da cama pelo lado esquerdo. aí, meu amigo, não tem jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em dias assim, questionamos tudo, pensamos muito, concluimos nada. tentamos calcular a quadratura do círculo, dar nó em pingo d'água, achar chifre em cabeça de vaca, pêlo em ovo e reiventar a roda. mas, como é óbvio, noves fora, nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi num dia assim, há pouco mais de dez anos, que escrevi um pequeno conto (?) prospectivo em que me imaginava trintão e tendo um crise existencial qualquer. nem calculava o quanto a ficção poderia se misturar com a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e é esse conto que transcrevo a seguir. primeiro porque o mais provável é que você nunca o tenha lido, logo terá uma boa oportunidade para continuar sem o ler. segundo porque acho que ele se enquadra perfeitamente no espírito deste blog e gostaria de compartilhá-lo com os meus dois ou três assíduos leitores. o conto (?) é mais ou menos assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«eu tenho tudo.&lt;br /&gt;eu tenho tudo, vejam vocês.&lt;br /&gt;tenho mulher, dinheiro, saúde.&lt;br /&gt;celular? tenho três.&lt;br /&gt;carro, diploma, cartão do Sporting.&lt;br /&gt;ano passado tive um jacto, mas passei adiante&lt;br /&gt;pois, hoje em dia, o que interessa é não ter nada&lt;br /&gt;de interessante.&lt;br /&gt;não moro numa casa, vivo num estúdio.&lt;br /&gt;tenho um loft no Soho e uma vizinha chamada&lt;br /&gt;Socorro.&lt;br /&gt;tenho um cão, uma catatua que canta boleros,&lt;br /&gt;um mastim assassino e uma chinchila.&lt;br /&gt;nunca mostro os documentos.&lt;br /&gt;quem é não precisa provar.&lt;br /&gt;tenho trinta, mas aparento menos,&lt;br /&gt;muita água francesa é o meu elemento.&lt;br /&gt;comprei dois laptops e fiz milhões:&lt;br /&gt;de euros, de inimigos, de escudos.&lt;br /&gt;não gosto da pobreza, o meu negócio é a beleza.&lt;br /&gt;de pobre basta o meu karma, o meu porteiro, o meu berço.&lt;br /&gt;já tentei vários suicídios, alguns bem sucedidos.&lt;br /&gt;também tenho as paranóias da moda.&lt;br /&gt;sonho com o dia do juízo final,&lt;br /&gt;o meu loft a arder e a catatua em chamas a cantar «Besame Mucho».&lt;br /&gt;nesse dia enforco o mastim e dou para o cão comer.&lt;br /&gt;a chinchila uso como casaco.&lt;br /&gt;apanho o primeiro voo para Bali.&lt;br /&gt;hospedo-me num Holliday Inn para manter as aparêndas.&lt;br /&gt;alugo um carro desportivo de um ano indefinido&lt;br /&gt;e vou para uma praia qualquer em que se assaltem as pessoas.&lt;br /&gt;ataco um ou dois turistas, com os meus próprios dentes arranco-lhes as orelhas&lt;br /&gt;vermelhas.&lt;br /&gt;depois mergulho na água e começo a cantar uma música do Lloyd Cole.&lt;br /&gt;e antes que o sol se ponha e que o mundo exploda,&lt;br /&gt;mergulho e conto até cento e cinquenta e cinco.&lt;br /&gt;e, por instantes, não vou ter nada na cabeça e no bolso.&lt;br /&gt;vou ser só um pobre yuppie louco.&lt;br /&gt;e, pela primeira vez na vida,&lt;br /&gt;quando o oxigénio acabar e eu vencer&lt;br /&gt;os meus primários instintos de sobrevivência,&lt;br /&gt;quando o meu corpo começar a contorcer-se à procura de luz&lt;br /&gt;quando pela minha boca entrar&lt;br /&gt;a água, o sal e todo o poder da mãe Terra,&lt;br /&gt;quando eu começar a grunhir e ganir&lt;br /&gt;e a chamar pela minha vizinha&lt;br /&gt;Socorro,&lt;br /&gt;eu serei por um milionésimo de segundo,&lt;br /&gt;acredite amigo, eu serei feliz.&lt;br /&gt;nem que seja por uma unha,&lt;br /&gt;por um casco,&lt;br /&gt;por um triz.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111626811755313488?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111626811755313488/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111626811755313488' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111626811755313488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111626811755313488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/05/o-yuppie-louco.html' title='o yuppie louco'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111588881351688321</id><published>2005-05-12T01:59:00.000-07:00</published><updated>2005-05-12T02:06:53.533-07:00</updated><title type='text'>Pigmalião</title><content type='html'>nalgumas versões, Pigmalião era o Rei de Chipre. noutras era um simples escultor. numas ele tinha uma aversão suspeita em relação às mulheres. há ainda algumas que dizem que, muito pelo contrário, Pigmalião era um homem obcecado pelas linhas do corpo feminino. em todas, Pigmalião decidiu esculpir a mulher perfeita. e assim ele fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pronta a estátua, Pigmaliâo apaixona-se perdidamente por ela. dá-lhe o nome de Galateia. beija-a. abraça-a. deseja profundamente ir para a cama com ela. mas, claro, não pode. por mais que seja tão perfeita que até parece ser feita de carne (e que carne!) e osso, Pigmalião sabe que ela é feita de pedra. e como nenhum homem é de ferro, ele pede para Afrodite (a deusa do amor) transformar Galateia numa mulher de verdade. e assim é feito. e Pigmalião casa com a sua obra e são felizes para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o mito de Pigmalião é um dos mais interessantes à luz do nossos dias. ele está presente um pouco por todo lado nas mais diversas formas. quem vai a um ginásio esculpir o próprio corpo está a ser um pouco pigmalião. tudo o que tem a ver com o universo da moda, das roupas aos acessórios, acaba por ser uma ferramenta pigmaliónica. querer ser melhor, mais bonito, mais charmoso aos olhos de si mesmo e dos outros é a nossa sina, o nosso fado, o nosso drama. somos todos Pigmaliões de nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;penso nisso depois de assistir a «Por Amor à Arte», do americano Neil LaBute. a peça mostra a história de um rapaz feio, desajeitado, sem piada, que encontra uma linda e hiper-activa rapariga que estuda arte. apaixonado, o rapaz deixa que ela mude as suas roupas, o seu penteado, a sua maneira de falar e até mesmo o nariz. ele então torna-se numa pessoa admirada, charmosa, cheia de auto estima. torna-se na verdade numa outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo corre bem, até ao dia em que a rapariga apresenta o seu projecto de fim de curso. e, na apresentação, descobrimos que o projecto dela era o próprio rapaz. a tese que ela defende é que a arte não passa de uma intervenção humana em materiais à procura da beleza e da perfeição. logo o novo rapaz era uma obra sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela, como uma escultora, moldou cada detalhe do corpo do namorado, cada pormenor da sua personalidade e da sua alma. resta dizer que ela nunca esteve apaixonada por ele. muito pelo contrário. como uma verdadeira artista, olhava para o rapaz como um pintor olha para uma tela vazia, como um escritor olha para o papel em branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois da revelação, senti por todo o teatro um cheiro de incómodo, um ar de consternação. os casais, principalmente os casais, não conseguiam disfarçar que o assunto seria debatido mais tarde ao jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;percebe se porquê. que relação não tem um pouco de Pigmallão? quem é que não tenta mudar o outro? e, admitindo que também aconteça entre amigos, parece me óbvio que as relações amorosas são o campo mais fértil para tal fenómeno. daí ser tão difícil para quem já tenha os seus trinta-e-tantos começar um novo romance fixo ou assumir um compromisso perene com alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem tem trinta-e-tantos já tem um jeito, uma maneira de ser e de estar. está bem pouco aberto a grandes modificações que venham de fora para dentro. já tem hábitos, manias, tiques e atitudes. já tem um jeito de ser e de viver. e acha que já não tem defeitos, só feitio. o que não impede de querer intervir nos outros. de ser um espécie de Pigmalião de pacotilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;imagino, então, um Pigmalião moderno e suburbano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ananias, um obtuso e baixinho funcionário público de uma repartição com funções obscuras, é casado há vinte anos com Celeste, uma simpática e gorda cabeleireira. Ananias nutre uma paixão impossível pela Nicole Kidman. e todas as (poucas) vezes que faz sexo com Celeste imagina que na verdade está na cama com a doce e loira actriz australiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma tarde, Ananias chega em casa e descobre que Celeste havia se transformado na Nicole Kidman. enfim, as suas preces à Afrodite haviam sido atendidas. Celeste estava de avental e rolinhos na cabeça, mas mesmo assim tinha o corpo e a cara da sua amada Nicole. Ananias aperta a nos braços, atira a na cama e faz amor até de manhã cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o tempo trouxe alguns problemas. com tanto sexo, Ananias começou a definhar, a dormir no trabalho, a chegar atrasado na repartição. só não foi suspenso porque o chefe queria descobrir qual era o segredo da transformação da Celeste. o chefe sonhava em um dia chegar em casa e ver que a sua esposa, a dona Cidinha, tinha se transformado no Kirk Douglas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para a Celeste, a vida também não corria nada fácil. tinha perdido todas as amigas, enciumadas com a sua beleza e temendo que os maridos se encontrassem com ela. além do mais, Celeste estava farta de tanto sexo. aquilo era a todas as horas, todos os dias. tinha saudades do tempo em que a função só ocorria na terceira quarta feira de cada mês (excluindo Fevereiro e Agosto que eram meses sabáticos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;até que uma tarde, Celeste chegou em casa vinda do supermercado. Ananias estava deitado nu no sofá. Celeste quase caiu para trás com o que viu. começou a chorar. foi directo para o quarto, fez as malas e fugiu para a casa da mãe, quase sem dizer uma palavra. Ananias ainda tentou argumentar mas foi em vão. Celeste estava decidida. não havia casado para viver daquele jeito com aquele homem. muito ela já tinha suportado. mas agora era preciso dar um basta naquela vergonha, naquele horror. Ananias tinha exagerado, ido longe demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;era que, sem pedir permissão, Ananias havia se transformado no Tom Cruise. E, como todos sabiam, Celeste só gostava de homens feios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou como diria o meu Tio Olavo: “quem ama o feio deveria procurar um oculista. “&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111588881351688321?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111588881351688321/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111588881351688321' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111588881351688321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111588881351688321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/05/pigmalio.html' title='Pigmalião'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111572958033116421</id><published>2005-05-10T05:48:00.000-07:00</published><updated>2005-05-10T05:53:00.380-07:00</updated><title type='text'>os homens preferem as loiras</title><content type='html'>está bem, está bem, as anedotas de loiras são sempre politicamente incorrectas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;demonstram um tipo de sexismo desprezível, ajudam a estigmatizar um grupo de pessoas que não deveria ter as suas capacidades reduzidas à cor dos seus cabelos e, last but not least, são injustas com relação a todas as loiras que são inteligentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na verdade, algumas das mulheres com as melhores cabeças que conheci eram loiras. já trabalhei com várias, tive algumas como chefe, já fui patrão de outras. nunca percebi que pelo facto de serem loiras eram filhas de um Deus menor. dito isto, fica claro que não concordo de maneira alguma com as piadas de loiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas o problema é que adoro-as. as loiras e as piadas (também não acho moralmente aceitável comer tarte de chocolate branco com cobertura de chocolate negro quente em cima de um trapézio, servido pela Vera Fischer nua. isso não quer dizer que não topasse essa sobremesa se alguém me oferecesse).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fui falar com o Tio Olavo sobre o assunto. o velho, exímio conhecedor do universo feminino em geral (e das loiras em específico), deu-me as seguintes lições:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tio Olavo, porque as loiras não fazem gelo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;porque elas esquecem sempre da receita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;como é que sabemos que um fax foi enviado por uma loira?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;o fax vem com selo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;como é que uma loira tenta matar um passarinho?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;retira-o da gaiola e atira-o pela janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;porque as loiras levam uma semana para comer um iogurte?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;porque vem escrito na embalagem: comer em uma semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;porque o cérebro de uma loira fica do tamanho de uma ervilha quando ela morre?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;porque incha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;o que uma loira vai fazer numa loja dos 300?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;pesquisa de preços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;como fazer uma loira rir de uma piada numa quarta-feira?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;fácil: basta contar a anedota num sábado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;o que é uma loira com o cabelo pintado de ruivo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Inteligência artificial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;como se sente um neurónio de uma loira?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;profundamente só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;o que um homem deve fazer para se casar com uma loira?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;basta ele dizer que ela está grávida. no que ela irá perguntar: "tem a certeza de que é meu?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;porque uma loira fica feliz quando consegue montar um quebra-cabeça em dois anos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;porque na caixa dizia: dos 8 aos 80 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;sabe quando uma loira tem dois neurónios?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;quando está grávida. de gémeos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;como é que se derruba uma loira que está dependurada numa árvore só com uma mão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;basta acenar para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;como é que seria uma lanterna se fosse inventada por uma loira?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;funcionaria à base de energia solar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;qual é a diferença entre uma loira burra e uma inteligente?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;na escola, a loira burra copia o que o professor escreve no quadro negro e depois apaga o texto do caderno quando o professor apaga o quadro. a loira inteligente nem copia, pois sabe que depois terá de apagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;porque as piadas de loiras são tão curtas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;para que as morenas possam entender.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111572958033116421?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111572958033116421/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111572958033116421' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111572958033116421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111572958033116421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/05/os-homens-preferem-as-loiras.html' title='os homens preferem as loiras'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111565782587595987</id><published>2005-05-09T09:51:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T10:03:35.303-07:00</updated><title type='text'>Anónimo</title><content type='html'>o Cidadão Anónimo por acaso tinha um nome e uma morada e um BI. era anónimo, mas era feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nunca tinha aparecido na TV, nem respondido aos inquéritos dos jornais sobre a incrível moda dos gelados de banana, nem mandado SMS para os concursos vários que dão bilhetes para festivais de rock de Verão ou elegem a rapariga mais bacana do quarteirão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o Cidadão Anónimo, além de ser anónimo e feliz, cultivava o saudável hábito da alienação. não lia jornais, nem revistas, nem livros. não que fosse analfabeto, pelo contrário, havia aprendido a ler muito cedo, apenas não queria se chatear com o que quer que fosse, nem com as notícias sobre golfinhos enfermos nem com os comentários de políticos torpes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não tinha mulher, nem filhos, tinha um cão, teve um gato, queria ter um papagaio e isso já era o bastante, tendo em vista que o basta não precisar ser necessariamente muito, nem pouco, nem grande, nem louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o Cidadão Anónimo não dava nas vistas, mais que um personagem, ele fazia parte do cenário, objecto perdido, sem brilho, nem mácula, como uma espécie de candelabro barato no castelo do Conde Drácula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;até que o Cidadão fez uma grande besteira ou cometeu um acto genial ou, se calhar, mais do que banal, mas que caiu no gosto dos media, catapultando o Anónimo para o reconhecimento geral, tornando-o no novo ídolo dos reformados, dos miúdos rebeldes, dos betos, dos queques e até de algumas tias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;famoso da noite para o dia, o Cidadão Anónimo deixou cair a sua máscara. afinal, tinha ideias sobre tudo, tinha a sua estranha visão do mundo e propostas concretas para salvar a humanidade ou para ajudar quem tinha problema de estrias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na boleia da fama, fez um filme e gravou um CD. participou em anúncios, deu entrevistas na rádio, posou para fotografias ao lado de belas modelos, simulou dois ou três romances com algumas loiras de plantão, até que casou com um morena e foi de lua de mel para o Ceilão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na volta, deparou-se com um dilema: na sua ausência, tendo em vista as necessidades da assistência, outro anónimo havia sido promovido e era o famoso da hora. o Anónimo ficou uma fera, saudoso da exclusividade de outrora e raivoso, pois o outro nem assim tão anónimo era, tendo participado, quando jovem, de uma cena bera qualquer e por isso ter tido a fotografia publicada num jomal ali para os lados de Alenquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na briga entre os dois, o público dividiu-se. uma parte preferia a boçalidade de um enquanto outra parte preferia a imbecilidade do outro. a disputa durou algumas semanas, tendo sido resolvida no dia em que, em plena televisão, o povo ter podido participar de uma mega-eleição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o resultado foi um empate, o que não era nenhum disparate, tendo em vista que entre os dois venha o diabo e escolha. o que foi feito em seguida. Satanás, chamado para dar o seu voto de minerva, preferiu o anónimo de segunda. declarou o seu voto enquanto príncipe das trevas, soltando fogo e vomitando pus. claro está que o resultado era roubado, pois nos bastidores o vencedor já havia vendido a sua alma por pouco mais que três tostões e um lugar numerado no novo Estádio da Luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;caído em desgraça, o Cidadão Anónimo voltou para a sua vidinha sem graça. hoje anda por ai, no papel de mais um ilustre desconhecido da praça. parece um tipo comum, mas só por fora. por dentro remói um plano de vingança. E, mais cedo ou mais tarde, cometerá um desatino, provocará uma guerra. se você ainda tem alguma, pode perder a esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pode não ser hoje, pode não ser amanhã, mas o Cidadão Anónimo vai se manifestar. votando no partido errado, crucificando um cristo ou simplesmente desrespeitando as leis de trânsito. e aí, amigo, vai ser o fim do mundo em cuecas. pois o Cidadão Anónimo pode até ser invisível, mas tem a marca da besta eternamente tatuada na testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;glossário para brasileiros: BI (carteira de identidade); reformados (aposentados); betos e queques (mauricinhos); tias (dondocas); Estádio da Luz (Estádio do Benfica).&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111565782587595987?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111565782587595987/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111565782587595987' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111565782587595987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111565782587595987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/05/annimo.html' title='Anónimo'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111524007970481297</id><published>2005-05-04T13:33:00.000-07:00</published><updated>2005-05-04T13:54:39.796-07:00</updated><title type='text'>duas vidas</title><content type='html'>duas vidas... duas vidas... quantas vidas uma pessoa pode ter?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a coisa não me saí da cabeça  desde que tropecei numa entrevista do cantor Manu Chao. ele dizia que teria, se pudesse, várias vida ao mesmo tempo. uma vida na França, outra no Senegal, outra em Cuba, e assim por diante. em todas as vidas ele seria o mesmo, só que aproveitando todos os factos do dia-a-dia de maneira diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a ideia é boa, não importa se impossível de realizar. eu, como imigrante que sou, sei bem o que é isso. há quase 15 anos deixei para trás uma vida no Brasil para vir viver outra em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mesmo por lá já havia passado cinco anos a andar de um lado para outro, de um estado para outro, nunca fincando raízes em parte alguma, trabalhando seis meses aqui para passear seis meses acolá. era uma vida episódica, como numa daquelas novelas intermináveis, tipo soap opera americana, onde estão sempre a mudar os cenários, os personagens, as tramas secundárias, mantendo apenas no ar o (eu) personagem principal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;independente do quão divertido foi esse período, o meu psicanalista bem sabe as sequelas que deixou. por pouco não fiquei baralhado das ideias a ponto de não saber exactamente quem eu era ou o que sou. adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não ter várias vidas para viver implica fazer opções. não dá para ser juiz de linha e futebolista ao mesmo tempo. não dá para ser padre de dia e cantor num bordel à noite. não dá para ser o dono de circo e o inventor da fórmula mágica que faz crescer os anões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a maior parte das pessoas não pensa muito no assunto. elas vivem o que têm de viver e pronto. porém, sou do time dos inconformados, faço parte do coro dos descontentes. procuro pensar sempre na vida que tenho e naquela que poderia ter. quando não estou feliz com o que vejo, mudo o ponto de vista, olho por outras janelas, troco o que tem que ser. como acho que você também poderia fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aproveito-me da ideia do Manu Chao para me imaginar um dia chegando numa estação de comboios no Rio de Janeiro e esbarrando na plataforma comigo mesmo. eu e eu somos os mesmos, sendo que muito diferentes. um nunca saiu do Brasil, o outro veio. um viveu o que o outro sonhou, reciprocamente. passamos pelo que o destino nos reservou, sentindo a eterna dúvida daquilo que poderia ter sido se lá atrás a opção de ficar ou partir tivesse sido outra. olhamos bem nos olhos um do outro e abraçamo-nos. daí seguimos para um bar para colocar a conversa em dia. sabendo que esse breve encontro é apenas o reflexo de uma longa e eterna despedida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou como diria o meu Tio Olavo: «o destino é apenas o acaso com uma certa mania de grandeza»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111524007970481297?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111524007970481297/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111524007970481297' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111524007970481297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111524007970481297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/05/duas-vidas.html' title='duas vidas'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111511460845186815</id><published>2005-05-03T02:53:00.000-07:00</published><updated>2005-05-03T03:03:28.456-07:00</updated><title type='text'>o endireita</title><content type='html'>ele era um endireita, gostaria de endireitar o mundo, o tudo, o todo. gostaria mas não conseguia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já que não era engenheiro, adpeto da magia, possuidor de dons sobrenaturais, dedicava-se a consertar colunas vertebrais. deixava recto como um biscoito quem chegava no seu consultório feito num oito. por força do seu amor ao oficio, acostumara-se a sentir-se como um palhaço de circo, daqueles que arrancam sorrisos até de quem está cheio de dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cada cliente era um número, uma cena, um sistema. cada coluna, um palco, um picadeiro, um teorema. em seus sonhos secretos, imaginava-se capaz de transformar a gorda com a marreca numa ginasta romena hirta e bela. o reformado reumático, após uma massagem, saltava da maca como um nadador-salvador de um colorido parque aquático. a grávida problemática, dona de um ar pesado e doente, tornava-se uma lasciva dançarina do ventre, daquelas que seduzem serpentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um certo dia, o Presidente do Mundo caiu duma escada durante uma gala e magoou a espinha. ficou preso numa cama dum quarto sem janelas, onde o Sol não entrava, nenhum pássaro voava e nem uma flor era amarela. o Presidente, então, perdeu o contacto com o mundo. o que acontecia fora do quarto passou a ser apenas as folhas de um relatório diário lido num tom monocórdico por um mordomo com um sotaque húngaro que, por acaso, era anão. e o Presidente, que já havia dado a volta ao planeta a bordo de um balão, contentava-se em dizer que sim ou que não, sem poder levantar-se do seu leito nem que fosse para beijar a mão de uma doce princesa ou abraçar um amigo do peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e ele, que antes era um governante alegre, sábio e justo, passou a tratar o planeta com desprezo e escárnio. tornou-se um déspota rezingão que cuspia por cada narina um trovão, fazendo do mundo um lugar obscuro. o mordomo anão era uma boa pessoa e gostava do presidente, apesar de ser tratado sempre com extrema desfeita. e, uma vez, visitando uma tia na Hungria, soube da fama do endireita. contratou os seus serviços na esperança dele curar o Presidente do Mundo e com isso acabar com aquele triste absurdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o endireita vestiu a sua roupa de missa e foi até a casa do Presidente tratar da tarefa. assustou-se como que viu. no lugar do antigo senhor do planeta, líder sereno e impávido, encontrou um homem pequeno, contorcido e inválido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o trabalho não foi fácil. o endireita passou sete dias e sete noites a tentar endireitar o enfermo. não comeu, não bebeu, não dormiu. atirou-se numa luta sem fim contra a coisa mais torta que um dia viu. gritou, blasfemou e até sussurrou algo que pareceu vagamente um puta-que-o-pariu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi quando o presidente finalmente reagiu. num movimento brusco, levantou se da cama e deu três pulinhos. depois rodopiou pelo quarto como se o mordomo anão tivesse um violino e tocasse uma valsa. e, sem sequer pestanejar, deu um salto mortal e fez o pino. o endireita de tão cansado só conseguiu esboçar um sorriso. caiu morto para o lado e deu o seu último suspiro, com a certeza de ter feito o certo, o justo, o recto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;endireitara o homem mais poderoso do mundo. e quem sabe com isso o futuro de todos. nem viu quando o Presidente, num estabanado movimento, tropeçou no anão, caindo de cara no penico, morrendo afogado no próprio excremento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o mordomo, ao contemplar a cena final, pensou em chorar, não sem antes formular a moral desse conto triste e porco: "afinal, é verdade, mundo que nasce torto, morre torto".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;glossário para brasileiros: endireita (espécie de quiroprático; pessoa que tenta resolver os problemas de coluna vertebral das outras através do uso das mãos); marreca (corcunda); fazer o pino (plantar bananeira)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111511460845186815?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111511460845186815/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111511460845186815' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111511460845186815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111511460845186815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/05/o-endireita.html' title='o endireita'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111467863818686357</id><published>2005-04-28T01:55:00.000-07:00</published><updated>2005-04-29T08:43:03.866-07:00</updated><title type='text'>metamorfose</title><content type='html'>naquela manhã, Octávio acordou e viu que havia se transformado num telefone celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ficou, obviamente, desesperado. tentou falar com Mirtes, a sua esposa, que estava na casa de praia com as crianças, mas foi impossível. ela tinha o telefone ocupado o tempo todo. ligou para o trabalho e avisou que estava doente. “oh, meu Deus! o que será de mim?”, perguntou-se,&lt;br /&gt;enquanto andava pela casa atrás de uma ficha para recarregar a bateria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pela hora do almoço, encomendou uma “telepizza” e tentou planear o futuro naquela nova condição. pensando bem, havia algumas vantagens em ser um telefone celular. para já, estaria sempre contactável. poderia comunicar-se com todos, quando bem entendesse. como gostava de música e o seu toque era polifónico, seria um prazer trocar de melodia a cada nova chamada que recebesse. os chatos ele despacharia por «SMS». e com um pouco de sorte, ainda poderia navegar na internet nas horas vagas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;talvez a Mirtes não gostasse da história. mas com o tempo ela iria acostumar-se. e, ora bolas!, ela sempre quis que ele comprasse um celular de 3º geração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passados alguns dias, Octávio já resolvia negócios, comprava e vendia acções, sempre pelo telefone. de vez em quando ligava para uma linha erótica, o que assustava as operadoras de sexo, devido o seu estranho interesse por unhas pintadas e dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mirtes continuava na casa de praia, sem desconfiar de nada. mas o tempo foi passando e a solidão do apartamento começou por deixar Octávio deprimido. foi quando a campainha tocou. Octávio abriu a porta e deu de caras com uma batedeira de bolo. era Magali, a vizinha do 4º andar que também havia sofrido uma metamoforse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magali queria uma chávena dechá de açúcar emprestada, pois estava a bater um suflé de morangos. Octávio pediu para ela entrar. talvez pelo insólito da situação, acabou por surgir um clima entre os dois. além do mais, a Magali ficara linda com aquele arrojado design italiano. nem uma hora depois estavam na cama. com o Octávio a sublinhar o ambiente romântico a tocar, através de si mesmo, o tema do «Barco do Amor». e a Magali a mexer sensualmente com as suas pás nas teclas do Octávio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de repente, a porta do quarto abriu-se. era Mirtes. raivosa, gritou: «eu sabia, meus grandes safados!» deu três tiros em cada um e depois matou-se. Magali ficou feita aos bocados na cama, com as suas pás ainda a mexerem-se sozinhas, apesar da sua morte cerebral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas Octávio fora atingido apenas de raspão. ligou imediatamente para a esquadra. e ficou a meditar na história que iria contar à policia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ps: o nosso sempre presente camarada Vasco deixou um post a propor uma possível história que o Octávio poderia contar à polícia. se mais alguém quiser fazer o mesmo a coisa ficaria divertida. é um bom jogo de escrita criativa. e ninguém mais poderia reclamar que este blog é pouco interactivo.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111467863818686357?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111467863818686357/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111467863818686357' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111467863818686357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111467863818686357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/04/metamorfose.html' title='metamorfose'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111459197226973574</id><published>2005-04-27T01:41:00.000-07:00</published><updated>2005-04-27T01:53:19.766-07:00</updated><title type='text'>doida demais</title><content type='html'>"...a culpa é dele, sou inocente. sempre fui assim, Senhor Polícia, maluca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dei em doida ainda em miúda. ele, o Pacheco, sabia. é, não casou enganado. no primeiro dia em que saímos, disse-lhe: "Pacheco, cuidado comigo, que eu não sou boa da cabeça'. se não acreditou o problema é dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a minha mãe também era chanfrada. castrou o meu pai. é, cortou a pila dele e deu aos cães. o coitado até hoje faz xixi por uma palhinha de borracha. rá, rá, rá! e sabe o que ele tinha feito, Senhor Polícia? nada. é, a minha mãe olhou para ele e disse: "peste, marido inútil, não fazes nada. todas as minha amigas são cornudas e tu aí a fazer palavras cruzadas. não tenho assunto para contar. peste, vais pagar!" e cortou lhe a pila. mereceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os homens não valem nada. a prova é o Pacheco. matei e matava outra vez. o senhor diz que foram sete e sete facadas. Rá, rá, rá! por mim, dava mais umas vinta sou maluca, sempre fui. quando vi o desgraçado com aquela loira falsa, pensei: "dei em doida'. e dei mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o Pacheco era um descarado. uma loira falsa, imagine. se fosse verdadeira não fazia nada. o que eu não suporto é mulher que pinta o cabelo. uma vez disse ao Pacheco: "mulher que pinta o cabelo tem parte com o demo". ele deu de ombros. o Pacheco tinha essa mania, dava de ombros, onde é que eu estava com a cabeça quando casei com aquele imprestável? eu, que era tão bonita. olha para o meu corpo, Senhor Polícia, olha para os meu peitos. põe a mão neles. pode pôr a mão, não tenho mais homem, sou viúva. sto, está a ver? são durinhos. peitos duros, sempre tive, desde miúda. como é que uma mulher com os peitos duros foi casar com um homem tão feio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o Senhor Polícia viu a cara dele? é, percebo, está difícil de ver, mas não tenho culpa, a faca é que era muito afiada. a culpa é dele, tinha a mania de afiar as facas. acho que ele sempre soube que teria este fim. afiava as facas como a dizer: "Celeste, mata me que eu vou sair com uma loira falsa". e saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;apanhei os dois na porta do cinema. o Pacheco nem gostava de cinema. aliás, o Pacheco não gostava de nada, homem sem piada estava ali, Senhor Polícia. eu falava: "Pacheco, vamos ver as marchas?' e ele dizia: 'ah, Celeste, não gosto, vai tu sozinha que eu fico aqui a afiar as facas'. que homem chato!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pois hoje, estava eu a sair do supermercado, quando vi o Pacheco e a loira falsa na porta do cinema. comiam pipocas. o Pacheco era um safado, sabia que não podia comer pipocas, aquilo é só manteiga, o médico já havia avisado que ele tinha o colesterol alto. fiquei tão nervosa que quase dei umas bolachas ali mesmo. mas depois pensei: "Celeste, tu és doida, dar bolachas é pouco, tens mais é que matar". e fui para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os miúdos estavam a ver TV. pensei em matá-los também, adoro ver criança morta, quando eu era miúda morreu o filho da vizinha, fui ao velório e achei tão bonito o defuntinho... mas desisti de matá-los. criança para morrer grita muito e eu estava com uma dor de cabeça insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;levei os miúdos para a casa da vizinha, a Dona Soraia, penso que ela é árabe, terrorista, é outra que não vale nada. e fui fazer o jantar do Pacheco. fiz sopa e pus vidro moído. eu sou assim, Senhor Polícia, cruel. Rá, rá, rá! aí o Pacheco chegou. servi a sopa e fiquei a olhar. comeu tudinho. nem desconfiou. homem burro. depois começou a passar mal. disse: 'Celeste, a minha úlcera estoirou!' e caiu no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi quando eu saltei sobre a barriga dele e comecei a dançar o twist. sempre fui boa no twist. foi tão gostoso. não dançava há séculos. o Pacheco começou a vomitar sangue. o homenzinho virou um vulcão escarlate. eram tripas, pipocas, esparguete por todos os lados. Rá, rá rá! não queria morrer o safado. gritou: 'Celeste, és louca!' finalmente, percebeu, o trombudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi aí que eu olhei bem nos olhos dele e vi a morte chegar. nos olhos do Pacheco. depois do twist. e não é que a morte é linda? e o Pacheco, que sempre foi feio, até parecia o Alain Delon. então, estava eu ali a dançar na barriga do desgraçado, naquela poça de sangue, quando ele começou a enrolar a lingua e a dizer: "Ceeeeeleeeeesteeee, euuuuu adooooooroooo teeee!' só não perdi a cabeça porque nunca tive. foi comer pipoca com a loira falsa e agora dizia que me adorava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;apanhei a faca e comecei o serviço. dei facadas a torto e a direito. Rá, rá, rá! foi divertido. aí ele morreu. de vez. mas não fossem vocês chegarem, aposto que foi a Soraia que chamou a policia, não foi?, sabia, não disse que ela não prestava?, não fossem vocês, continuava a matar o Pacheco, rá, rá, rá!, sou doida, Senhor Polícia, sempre fui, eu dizia para o Pacheco: 'cuidado com mulher que pinta o cabelo, olha que eu não sou boa da cabeça, vamos ver as marchas, não como manteiga', não quis me ouvir, a culpa é dele, sou inocente, põe a mão aqui nos meus peitos...."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111459197226973574?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111459197226973574/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111459197226973574' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111459197226973574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111459197226973574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/04/doida-demais.html' title='doida demais'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111450738202613760</id><published>2005-04-26T02:11:00.000-07:00</published><updated>2005-04-26T02:23:02.030-07:00</updated><title type='text'>vive le rio!</title><content type='html'>sou um daqueles tipos que perdem um namoro mas não perdem um passeio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;daqueles que acreditam que se Deus quisesse que tivessem raízes teriam nascido Pereira ou Silveira e não Athayde (que não é árvore de espécie alguma).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sempre tive a pancada de um dia dar uma volta ao mundo. tinha a pancada mas não tinha o dinheiro. daí que passei alguns anos a fingir que não tinha pancada alguma só para que me pagassem bem e pudesse um dia mandar tudo para o espaço e sair por aí sem lenço nem documento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;antes de mais nada um ponto importante: na verdade, dar uma volta ao mundo é uma coisa mais simples e mais barata do que muita gente imagina. sério. conhecer uma boa parte do planeta custa menos do que um carro de média gama usado (com a vantagem de não ter passar a vida a pagar gasolina, revisões, multas, estacionamentos etc...) ou seja, como em outras coisas na vida, é só uma questão de onde pomos o nosso foco, tudo tem um peso e um preço relativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como nem sei guiar, mal encontrei tempo na minha agenda existencial, decidi viver um período sabático de alguns meses, comprei um bilhete tipo «volta ao mundo», daqueles que pode fazer inúmeras viagens de avião desde que esteja sempre a ir geograficamente para frente (qualquer agência de turismo pode informar sobre a coisa) e pus-me com a mochila às costas a vagabundear pela Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foram cinco meses a rodar por cinco continentes. não vou falar de uma só vez sobre todas as cidades que conheci. com o tempo, pretendo ir voltando ao assunto. e, para surpresa geral da nação, vou começar por falar da cidade mais improvável do mundo: o Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para quem não sabe, sou carioca. na verdade, sou fluminense (não o time, fluminense é aquele que nasce no interior do estado do rio, que é o meu caso). mas um coisa que eu aprendi foi não menosprezar aquilo que é próximo em detrimento sobre aquilo que é mais exótico ou diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se quisesse poderia escrever sobre as ilhas Fidji (onde, durante a tal viagem, estive quase uma semana). como aquilo lá é longe que se farta, ficava fácil tecer elogios e narrar histórias fantasiosas sobre o lugar. mas o certo é que as illhas Fidji são uma grande treta. qualquer praia do Alentejo dá de 100 a zero naquela pocilga. daí que vou ficar pelo meu encanto sobre  rio de janeiro mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pouca gente se lembra, mas o Rio chegou a ser uma colónia francesa. em 10 de Novembro de 1555, o francês Nicolas Durand de Villegagnon, desembarcou em solo carioca e declarou fundada a França Antártica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;governou a terra como se fosse parte do império francês até ser expulso pelos índios e pelos portugueses alguns anos depois. tal passagem deixou poucas marcas na cara e alma do lugar. e só lembrei-me dele porque, na minha eleição das cidades mais bonitas do mundo, Rio e Paris terem chegado até a final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pois, perdoem-me os parisienses, mas o Rio ganhou. para mim é mesmo a cidade mais bonita do mundo. ponto final, parágrafo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não, não me venham falar de violência, pobreza e outros senões. o Rio realmente tem esses lados negativos. mas também tem o Pão de Açúcar, o Corcovado, a praia de Ipanema, o Leblon (que, reza a lenda, vem do nome do proprietário original daquela área de praia, o francês Charles Le Bron) e, mais isso e mais aquilo e está bem, está bem estou a ser um bocadinho óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas o Rio é assim: óbvio, frontal (e «peital», e «bundal» e outros «al» dependendo das partes do corpo que mais gostar), escancarado como o sorriso banguela daquele vendedor de gelados que acaba de fugir pela areia da praia do Leblon sem devolver o meu troco. adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o Rio não é Paris. não é bonito porque foi construído pelo homem. ele foi talhado pela natureza e atrapalhado pela raça humana. aliás, ver o pôr do Sol no Arpoador é só uma maneira de sermos lembrados de que não passamos de uns parasitas a emporcalhar o Jardim do Éden. e que Eva, afinal, é uma fogosa morena que trabalha como empregada doméstica e desfila no Sambódromo, com os fartos e siliconados seios de fora, como rainha do império persa uma vez por ano. ou será que a morena é um travesti? não importa. mais uma vez, adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não, o Rio não é Paris. também temos lá alguns rios fedorentos mas nenhum corta a cidade pelo meio como o Sena. mas que não seja por isso, a Baía da Guanabara e a Lagoa Rodrigo de Freitas, que são dois lindos cartões postais, também fedem se formos lá cheirá-las de perto, com a vantagem que são fedores muito mais horríveis e variados que os do Sena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não, mil vezes não, o Rio não é Paris. tem lá o Cristo Redentor mas não tem a Torre Eiffel. aliás, até já teve. sim, há uns 15 anos, a propósito de uma efeméride francesa qualquer, uma rede de lojas patrocinou a construção de um réplica perfeita da Torre Eiffel (com cerca de 20% do seu tamanho real) em pleno Aterro do Flamengo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o resultado até que ficou bonito e virou um ponto de visitação obrigatório. pena que durou pouco. para tristeza dos cariocas, passados algumas semanas desmontaram a torre. houve até protestos. a torre combinava com o visual da paisagem, na opinião de muitos ficava melhor ali do que na França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e, já agora, se era para desmontar que fossem os franceses a fazer isso com a deles. ou então que tentassem montar um Pão de Açúcar em Montmatre, que os cariocas não são ciumentos. são é esfomeados por coisas grandes e bonitas. por misturas estilísticas e arquitectónicas. por uma salada de cimento, vidros e palmeiras como a orla da zona sul faz questão de sublinhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não fosse por tudo isso (e por muito mais) o Rio não seria, como diz a música, a verdadeira cidade maravilhosa. Paris até pode ser a cidade luz. bom para eles. mas o Rio não quer ficar com um epíteto que mais parece o elogio a uma árvore de natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o Rio não quer ser Paris. os cariocas não querem ser parisienses. e uma coisa os cariocas aprenderam com os índios e não com os franceses: tomar banho todos os dias. pode não parecer, mas num calor de 40 graus é uma coisa que faz lá a sua diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou como diria o meu Tio Olavo: «em Roma, como os romanos. no Rio, prefiro uma mulatinha”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111450738202613760?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111450738202613760/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111450738202613760' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111450738202613760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111450738202613760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/04/vive-le-rio.html' title='vive le rio!'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111416395092207921</id><published>2005-04-22T02:55:00.000-07:00</published><updated>2005-04-22T02:59:10.923-07:00</updated><title type='text'>a língua viva</title><content type='html'>adoro o Brasil. mas adoro o Brasil que sabe rir-se de si mesmo e que não quer ser a Suíça (perdoem-me os suíços, mas o Brasil é um país um bocadinho mais divertido).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;certa vez, uma leitora brasileira declarou-se irritada pelo facto das minhas crónicas utilizar expressões portuguesas. na sua (pouco) modesta opinião, é um delito grave um brasileiro adaptar a sua linguagem à do país onde vive. esta leitora acusa-me de ser puxa-saco (lambe-botas) dos portugueses só porque escrevo coisas como "tipo", "se calhar", "casa de banho", evito os gerúndios e fico feliz quando acerto na localização dos pronomes e na declinação dos verbos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tendo em vista que regularmente recebo críticas de leitores lusos que acham o meu português uma lástima (o que, de resto, não está longe da verdade), sinto-me num território de ninguém. aparentemente consigo desagradar aos membros mais radicais das duas facções que reivindicam o espólio de Camões e de Machado de Assis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desde muito cedo aprendi que a língua é viva. talvez os meus professores fossem anarquistas e quisessem destruir tanto o Brasil como Portugal através da fala e da escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cresci a acreditar que as vírgulas não foram feitas para envergonhar ninguém, que os acentos são apenas sinais gráficos a tentar simular a linguagem oral e pior do que escrever errado é ser analfabeto de pai e mãe. diga-se, de passagem, que é o que eu sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os meus pais mal sabem assinar o próprio nome. o que não os impediu de me pagar os estudos e de me ensinar a tratar da minha vida em vez de ficar a controlar a língua dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando era miúdo sonhava em ser astronauta ou futebolista, nunca imaginei que pudesse ganhar a minha vida a escrever. Deus, que escreve certo por linhas tortas (até ele!), castigou-me transformando-me num inepto num sem-número de coisas. inábil no futebol e a viver longe da NASA, acabei com um lápis na mão. fiz escola de jornalismo e empreguei-me numa agência de publicidade a redigir reclames.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de certa maneira, passei os últimos 25 anos da minha vida a tentar aprender a escrever. como todos os farsantes, de vez em quando, acredito na minha própria mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passo longos períodos a pensar que Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade são meus pares, que são meus companheiros, só porque tive a sorte de nascer num país lusófono. ainda bem que há sempre um purista de plantão, a lembrar-me que pela maneira como escrevo deveria mais era trabalhar na estiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma vez, Caetano Veloso (que, como todos os bons poetas modernos, costuma tratar a língua aos pontapés, criando neologismos indecifráveis e metáforas malditas) escreveu que se você tem uma boa ideia o melhor é fazer uma canção, pois está mais do que provado que só é possível filosofar em alemão. Caetano é génio e errado eu sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às vezes penso em escrever as minhas crónicas em javanês. é provável que então ninguém mais repare nos meus pobres raciocínios e nos meus erros de sintaxe. a não ser, é claro, não estou bem certo, que a blogosfera também seja possível de se aceder em Java.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou como diria o meu Tio Olavo: "o universo é uma bela obra. o ser humano trata-se apenas de um pequeno erro na revisão."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111416395092207921?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111416395092207921/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111416395092207921' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111416395092207921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111416395092207921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/04/lngua-viva.html' title='a língua viva'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111390796623141213</id><published>2005-04-19T03:46:00.000-07:00</published><updated>2005-04-19T03:56:05.930-07:00</updated><title type='text'>amor na multidão</title><content type='html'>eles se encontraram no tempo em que o mundo estava cheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lembra se? naquela época havia gente por todos os lados. cada um era para o outro um verdadeiro emplastro. o mundo parecia, às vezes, uma imensa Tóquio. e Tóquio havia afundado com o peso dos japoneses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com o mundo tão cheio, não havia privacidade. em cada canto da cidade, em cada casa, em cada quarto havia sempre vinte, trinta, quarenta pessoas a disputar uns parcos centímetros. o mundo estava cheio e eles não podiam estar a sós, nem só com o seu amor. foi num elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nas pequenas colunas do tecto, Aretha Franklin cantava “I Say a Little Pray For You”. talvez tenha sido aquele leve toque no braço ou a maneira dela respirar, o facto é que ele, se houvesse espaço, teria caído para o lado no exacto instante que se apaixonou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com ela não foi diferente. muitos homens já haviam passado pela sua vida mas não como aquele. e, de repente, era como se não houvesse mais ninguém na sua frente. saíram do elevador e foram para o lounge do hotel. ao fundo, sob a luz de um lustre cor de mel, "Garota de Ipanema" era literalmente executada por uma pianista derrotada pela vida. não deixava de ser irónico uma música tão ensolarada ser tocada por pessoa tão sombria. Mas, voltemos a história principal: ele lhe fez um sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela respondeu levantando ligeiramente a pestana. e, isso é que foi bacana, dali teriam, se possível fosse, ido directamente para a cama. mas o mundo estava cheio, lembra se? o sexo era difícil. só os mais desinibidos conseguiam fazer de conta que não estavam ali a serem vistos, durante o acto, por completos desconhecidos e meia dúzia de tarados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há muito que já não havia portas. todos viviam como em vidros de compota, agarrados uns nos outros e, como é óbvio, sozinhos como ninguém. mas a vontade era tanta que eles se amaram mesmo assim, sob o olhar de reprovação de cinco freiras que rezavam e diziam amén.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois do sexo, dormiram, de pé como era o costume. e sonharam com pradarias virgens, onde corriam cavalos selvagens. com nuvens fofinhas onde se podiam deitar. com praias desertas onde podiam rolar pela areia como nos filmes americanos antigos, daqueles que passam na televisão nas madrugadas de certos domingos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas a verdade é que não, tudo aquilo eram apenas sonhos. quando acordaram já trinta pessoas reclamavam para que eles fossem um pouco mais para o lado pois queriam passar. ela ainda pensou que ele iria agarrar na sua mão e tentar fugir dali, correndo contra a multidão. ele, um espirito prático, despediu-se em silêncio, deixando-se levar pela corrente. ela, como uma demente, chorou desesperada enquanto ele sumia a meio daquele turbilhão de gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e pensou, horas depois, resignada, que certa estava a sua avó que sempre que podia dizia "minha filha, antes só do que mal acompanhada".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111390796623141213?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111390796623141213/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111390796623141213' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111390796623141213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111390796623141213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/04/amor-na-multido.html' title='amor na multidão'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111381982428674024</id><published>2005-04-18T03:11:00.000-07:00</published><updated>2005-04-18T03:30:11.306-07:00</updated><title type='text'>um ano a mais</title><content type='html'>ou mais um ano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;todos os dias 18 de abril, falo com os meus botões (que são excelentes interlocutores, concordam sempre comigo, pois como sabemos, quem cala, consente) e faço essa pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a ordem dos factores, altera substancialmente o produto. a questão passa por optar entre uma soma (pessoas, sentimentos, expectativas, sonhos e ilusões) ou um alinhar burocrático de dias, semanas e meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a palavra aniversário (sim estou a falar do meu, que é hoje, obrigado pelos parabéns, o primeiro pedaço do bolo vai para si) vem do latim e significa "aquilo que volta todos os anos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;anniversarius&lt;/em&gt; vem de &lt;em&gt;annus&lt;/em&gt; (ano) e &lt;em&gt;vertere&lt;/em&gt; (voltar), ou seja, aquilo que se faz ou que volta todos os anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que faz-me voltar a um tema recorrente: o tempo e a sua relatividade emocional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e se você soubesse que teria apenas mais um ano de vida? ou seis meses? ou uma semana? ou dez anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como vê, não importa o valor da cifra, o que assusta é saber um tempo exacto de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tempo exacto de vida. mas serei um pouco inexacto (para manter a coerência): o meu último ano passou rápido. passou mais depressa do que poderia imaginar. não sei o que você fez e viveu nesse tempo. eu fiz o possível para não estar parado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aliás, a vida não passa de um exercício dinâmico de fisica: o nosso destino (aquele que traçamos) é uma equação inconstante cheia de variáveis como o tempo, a velocidade e a temperatura dos nossos humores. é por isso que nem sempre ir mais rápido significa chegar mais longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mais longe. toda gente quer ir mais longe, a maioria sem sair do lugar. essa é a grande contradição dos que conseguiram ultrapassar mais ou menos ilesos a barreira dos trinta (faço 39, mas com um corpinho de 37 e meio). olho para o lado e o que mais vejo é isso: insatisfeitos encartados, crises existênciais encomendadas por catálogo, mágoas, depressões e revoltas compradas num pronto-a-vestir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vamos falar a verdade, nessa altura do campeonato (depois dos 30) sabemos perfeitamente que pouco ou nada vai mudar na humanidade se conseguirmos a difícil tarefa de mudarmos a nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o universo está-se perfeitamente nas tintas para as nossas mazelas interiores. o máximo dos máximos que podemos fazer para melhorar o mundo em geral e a sociedade como um todo é parar de fumar e beber um pouco menos. pode não parecer muito, mas iremos provocar menos cancros involuntários em quem convive connosco, além de não sermos inconvenientes na festa de fim de ano da empresa. quanto ao resto, aconselho a seguir a técnica das nossas mães, quando somos miúdos e começamos a chorar de birra: engula o choro ou ainda apanha (no caso, da vida) para ver o que é chorar com gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o jeito é seguir em frente. connosco ou sem nosco o planeta teima em girar e a vida tende a seguir. podemos ir juntos mais leves ou ficar para trás por causa do peso dos fardos do passado que insistimos em carregar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;daí que me lembro de um poema que circula por aí desde o tempo em que não havia internet e a divulgação de textos esotéricos em geral e de orações de santos obscuros em específico era feita através do correio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o texto foi um dia atribuído erradamente ao escritor argentino Jorge Luis Borges. muito anos depois, o equívoco foi mais ou menos desfeito. mas até hoje há quem pense que o poema é de Borges. eu sei que não é mas preferia que fosse. o texto é o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se pudesse viver novamente a minha vida,&lt;br /&gt;na próxima trataria de cometer mais erros.&lt;br /&gt;Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.&lt;br /&gt;Seria mais tolo ainda do que tenho sido,&lt;br /&gt;na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.&lt;br /&gt;Seria menos higiénico.&lt;br /&gt;Correria mais riscos,&lt;br /&gt;viajaria mais,&lt;br /&gt;contemplaria mais entardeceres,&lt;br /&gt;subiria mais montanhas,&lt;br /&gt;nadaria mais rios.&lt;br /&gt;Iria a lugares onde nunca fui,&lt;br /&gt;comeria mais sorvete e menos lentilhas,&lt;br /&gt;teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.&lt;br /&gt;Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente&lt;br /&gt;cada minuto da sua vida;&lt;br /&gt;claro que tive momentos de alegria.&lt;br /&gt;Mas, se pudesse voltar a viver,&lt;br /&gt;trataria de ter somente bons momentos.&lt;br /&gt;Porque, se não sabem, disso é feita a vida,&lt;br /&gt;só de momentos,não perca o de agora.&lt;br /&gt;Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termómetro,&lt;br /&gt;uma bolsa de água quente, um guarda chuva e um pára quedas;&lt;br /&gt;se voltasse a viver, viajaria mais leve.&lt;br /&gt;Se eu pudesse voltar a viver,&lt;br /&gt;começaria a andar descalço no começo da primavera&lt;br /&gt;e continuaria assim até o fim do outono.&lt;br /&gt;Daria mais voltas na minha rua.&lt;br /&gt;Contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças.&lt;br /&gt;Se tivesse outra vez uma vida pela frente.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou como diria o meu Tio Olavo: «não adianta reclamar. viver faz mal à saúde, envelhece, cria rugas, dá reumatismo, ataca os rins, o fígado e o coração. mas a única cura possível (a morte) ainda carece de mais testes para ser recomendada pelos médicos.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111381982428674024?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111381982428674024/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111381982428674024' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111381982428674024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111381982428674024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/04/um-ano-mais.html' title='um ano a mais'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111346341174414660</id><published>2005-04-14T00:15:00.000-07:00</published><updated>2005-04-14T00:23:31.746-07:00</updated><title type='text'>uma questão de tempo</title><content type='html'>«És um senhor tão bonito&lt;br /&gt;  quanto a cara do meu filho&lt;br /&gt;  Tempo Tempo Tempo Tempo&lt;br /&gt;  vou te fazer um pedido&lt;br /&gt;  Tempo Tempo Tempo Tempo&lt;br /&gt;  Compositor de destinos&lt;br /&gt;  tambor de todos os ritmos&lt;br /&gt;  Tempo Tempo Tempo&lt;br /&gt;  Tempo entro num acordo contigo&lt;br /&gt;  Tempo Tempo Tempo&lt;br /&gt;  Por seres tão inventivo&lt;br /&gt;  e pareceres contínuo&lt;br /&gt;  Tempo Tempo Tempo Tempo&lt;br /&gt;  és um dos deuses mais lindos&lt;br /&gt;  Tempo Tempo Tempo Tempo&lt;br /&gt;  Que sejas ainda mais vivo&lt;br /&gt;  no som do meu estribilho » (...) *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mais cedo ou mais tarde, você pára para pensar no tempo. não no tempo metereológico das conversas de elevador, do tipo está bom, está mau, vai chover, faz calor. estou a falar do tempo/tempo, do tempo/dia, do tempo/hora, do tempo/mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mais cedo ou mais tarde, é só uma (voilá) questão de tempo, as cronologias da vida e das coisas passam a ser uma questão relevante. o tempo perdido, o tempo passado, o tempo ganho. ficando bem daro que, tempo que é tempo, passa sempre voando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há quem queira ser «um homem do seu tempo». nunca percebi claramente o que é que quer dizer essa expressão. creio que tem vagamente a ver com a vontade de ser contemporâneo, como se fosse possível ser do passado ou do füturo. toda gente é do tempo que há, não do tempo que quer. estamos todos acorrentados aos ponteiros do relógio, amarrados às folhas do calendário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estava a pensar no tempo quando outro dia lembrei-me que faz tempo um monte de coisas. faz tempo que o mundo tinha medo da guerra fria, da bomba atómica e dos russos. faz tempo que para se ver um umbigo quase que era preciso casar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;faz tempo que os momentos mais bonitos das nossas vidas ficavam registados em polaroids e em filmes de super8. faz tempo que telefonar era caro, difícil e bonito, em que um «alô» poderia provocar um luminoso sorriso ou um vale de lágrimas. faz tempo que havia raparigas virgens, homens honestos e um monte de políticos sinceros (não, pensando bem, isso já é uma raridade faz tempo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;faz tempo em que um dos grandes enigmas da humanidade era saber se a luz do frigorífico continuava acesa depois que fechávamos a porta. faz tempo que o termo conflito de gerações era utilizado para falar das desavenças entre velhos e jovens e não sobre incompatibilidades entre versões de programas de computadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;faz tempo que «O Último Tango» era um ícone da revolução (desculpe-me a redundância) dos tempos e ainda chocava aos espíritos mais simples, o que era possível ser feito num apartamento vazio com uma tablete de manteiga (e, já agora, não de margarina light, pois naquele tempo toda a gente era mais magra, indusive eu, você e o Marlon Brando). faz tempo que o tempo não pára.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Disparo contra o sol Sou forte, sou por acaso&lt;br /&gt;  Minha metralhadora cheia de mágoas&lt;br /&gt;  Eu sou um cara&lt;br /&gt;  Cansado de correr na direcção contrária&lt;br /&gt;  Sem podium de chegada&lt;br /&gt;  Ou beijo de namorada&lt;br /&gt;  Eu sou mais um cara&lt;br /&gt;  Mas se você achar&lt;br /&gt;  Que eu estou derrotado&lt;br /&gt;  Saiba que ainda estão rolando os dados&lt;br /&gt;  Porque o tempo não pára&lt;br /&gt;  Dias sim, dias não&lt;br /&gt;  Eu vou sobrevivendo sem um arranhão&lt;br /&gt;  De caridade de quem me detesta&lt;br /&gt;  A tua piscina está cheia de ratos&lt;br /&gt;  Sua idéias não correspondem aos factos&lt;br /&gt;  O tempo não pára&lt;br /&gt;  Eu vejo o futuro repetir o passado&lt;br /&gt;  Eu vejo um museu de grandes novidades&lt;br /&gt;  O tempo não pára» (...) **&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santo Agostinho dedicou boa parte da sua obra a pensar nas relações entre Deus, o Homem e o Tempo. por volta do ano 399, ele dizia: «o que é, pois, o Tempo? (...) Se ninguém me perguntar, eu sei; se o quiser explicar já não sei».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agostinho (que, até decidir-se pela fé e tornar-se santo, de santo não tinha nada) também pensou e escreveu muito sobre o pecado e (para usar uma analogia um bocadinho simplista mas não menos correcta) sobre o que veio antes, se o ovo ou a galinha. explico: uma parte da lógica agostiniana gira em tomo da liberdade de Adão antes e depois do pecado original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a questão é, antes da maçã, Adão «podia não pecar»; depois, a Adão restou «não poder não pecar». o tempo é que marca a linha divisória, é o momento do pecado original que não deixa hipóteses a Adão, pois o tempo não volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deixemos por momentos a metafisica. vamos ficar pela fisica que se estuda no colégio. como a nossa professora tentou nos ensinar (embora estivéssemos mais interessados nos seios salientes da Magali, a nossa colega de carteira) toda acção provoca uma reacção. somos consequência inexorável do que fizemos, estamos a preparar neste momento o que vamos ser amanhã. como vê, pouco podemos fazer pelo passado, mas ainda é possível remediar o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não chore todos os seus pecados (alguns deles foram, de certeza, algumas das melhores coisas da sua existência), mas tente fazer qualquer coisa hoje que possa ser motivo de auto-orgulho daqui a dez, vinte, trinta anos. não se contente em ter uma vida. tente ter uma biografia. enquanto ainda dá tempo para tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há uma parábola judaica sobre o tempo que ilustra bem o que digo. um rei queria ser o homem mais sábio da terra. ordenou então aos seus homens que reunissem todos os livros do mundo e os condensassem para que ele os pudesse ler sem perdas de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;levaram 30 anos para reunir os livros e mais 10 para produzir um resumo em 500 volumes. o rei entretanto achou que era muito, que não tinha tempo para aquela maçada e mandou resumir mais. passaram mais cinco anos e homens conseguiram encaixar tudo em 10 volumes. mesmo assim o rei, impaciente, vociferou que não tinha mais tempo para perder com aquilo, que um só livro era a medida ideal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cinco anos passaram e finalmente o conjunto de sábios responsáveis pela empreitada chegou a um volume de 300 páginas com todos os conhecimentos da humanidade. mas o trabalho foi inútil. o rei então já estava velho e mortalmente enfermo. e, o pior, na espera de todo o saber do mundo, havia esquecido de aprender a ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou como diria o meu Tio Olavo: «nós matamos o tempo, mas é ele que nos enterra».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Não serei o poeta de um mundo caduco.&lt;br /&gt;  Também não cantarei o mundo futuro.&lt;br /&gt;  Estou preso à vida e olho meus companheiros.&lt;br /&gt;  Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.&lt;br /&gt;  Entre eles, considere a enorme realidade.&lt;br /&gt;  O presente é tão grande, de mãos dados.&lt;br /&gt;  Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.&lt;br /&gt;  Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.&lt;br /&gt;  Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.&lt;br /&gt;  Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.&lt;br /&gt;  O tempo é a minha matéria,&lt;br /&gt;  o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.» ***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Poemas de: * Caetano Veloso / ** Cazuza / *** Carlos Drummond de Andrade&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111346341174414660?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111346341174414660/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111346341174414660' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111346341174414660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111346341174414660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/04/uma-questo-de-tempo.html' title='uma questão de tempo'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111338028257266051</id><published>2005-04-13T00:54:00.000-07:00</published><updated>2005-04-13T01:26:11.826-07:00</updated><title type='text'>la vie en close</title><content type='html'>«nunca cometo o mesmo erro&lt;br /&gt;duas vezes&lt;br /&gt;já cometo duas três&lt;br /&gt;quatro cinco seis&lt;br /&gt;até esse erro aprender&lt;br /&gt;que só o erro tem vez»*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mania de acertar. mania de fazer a coisa certa. o ser humano é o único animal à procura da perfeição, logo o único que tem que admitir a possibilidade de ser feio, sujo, mau e imperfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pergunte para a lagarta se ela pensa ser horrorosa. ela vai dizer que não. entretanto, no entanto, contudo, cedo ou tarde, ela vai ter razão, ela vai tornar-se numa borboleta. somos, pois, uma libélula ao contrário. e os trinta-e-tantos é a fase em que estamos dentro de um casulo obscuro. para lá entramos jovens e sapecas e de lá sairemos enrugados, grisalhos ou carecas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mania de fazer a coisa certa. mania de acertar. toda gente quer ser reconhecida pelos seus acertos. ninguém pede para colocar na lápide: «aqui jaz uma pessoa cheia de defeitos». mas se olharmos bem para trás, veremos que são os imperfeitos, os errados, os tortos, os esquerdos que ocupam, estes sim, os lugares de honra da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mania de acertar. mania de fazer a coisa certa. passo a citar. «nunca ficamos adultos, só ficamos bobos maiores» (Luís Fernando Veríssimo); «é melhor morrer de vodka do que de tédio» (Maiakoviski); «quem não é belo aos 20, nem forte aos 30, nem rico aos 40, nem sábio ao 50, nunca será nem belo, nem forte, nem rico, nem sábio» (George Hebert). chamo também a Bíblia para me apoiar: «não há lembrança durável do sábio e nem do insensato, pois nos anos vindouros tudo será esquecido: o sábio morre como o insensato» (Eclesiastes 2, 16).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"quem me dera&lt;br /&gt;até para a flor no vaso&lt;br /&gt;um dia chega&lt;br /&gt;a primavera»" *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estações. outro dia estava a contar: já vivi 38 verões. dos primeiros 13 lembro pouco mais do que estar no banco de trás do carro do meu pai, de temer me afogar cada vez que íamos a banhos, de achar que cada pequena parte de mar em que punha os pés não era só um bocado do todo, mas sim todo o oceano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passei então cinco verões em fase de transição. entre o miúdo e o rapaz, sobrou pouco mais que o sorriso Colgate desta ou daquela rapariga. esses anos foram apagados da memória, como apagamos, por acaso, uma cassete de um filme B que gravamos na televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;coisas para recordar que valham realmente a pena, só começaram a partir dos 18. o que significa a partir aí dos 20 verões propriamente ditos. fale a verdade, é bem poucochinho. e mesmo assim, se em metade dos dias não fez sol ou passei trabalhando, restam então 10 verões contabilísticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desses 10, dois foram desperdiçados em paixões equivocadas. um numa má opção de viagem. três em companhias chatas. um por um motivo qualquer que não vem ao caso. sendo assim sobram três. e o que se pode esperar de alguém que só viveu três verões bem vívidos e vividos (como um acento faz toda a diferença)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é por isso que este ano, mal comece o Verão (e há dias nesta Primavera aqui em Lisboa que parece até que isso já aconteceu) vou a praia com meu baldinho de água, minhas pás de plástico e meu bonézinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sentarei na areia e construirei castelos, desenharei peixes e sereias. e pouco irei ligar se me disserem que um senhor da minha idade não deveria estar a fazer isso. sim, sou velho, mas somente no inverno. no Verão, terei apenas três. como de resto, toda a gente deveria ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou como diria o meu Tio Olavo: «descobri o segredo da eterna juventude. minto a respeito da minha idade».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«o papel é curto.&lt;br /&gt;viver é comprido.&lt;br /&gt;oculto ou ambíguo,&lt;br /&gt;tudo o que digo tem ultrasentido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se rio de mim,&lt;br /&gt;me levam a sério.&lt;br /&gt;ironia estéril?&lt;br /&gt;vai nesse interim,&lt;br /&gt;meu inframistério.»*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* todos os poemas desta crónica foram extraídos do livro «La vie en dose», do poeta brasileiro Paulo Leminski&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111338028257266051?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111338028257266051/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111338028257266051' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111338028257266051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111338028257266051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/04/la-vie-en-close_13.html' title='la vie en close'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111330904419122145</id><published>2005-04-12T05:26:00.000-07:00</published><updated>2005-04-12T05:35:59.906-07:00</updated><title type='text'>o País das Palavras</title><content type='html'>Inconstitucional era um rei triste. disputava com o seu irmão Paralelepípedo o trono do País das Palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;era uma refrega sangrenta. com um incontável número de línguas mortas em combate. houve mesmo palavras que de tão estropiadas caíram em desuso. e crescia cada vez mais, naquele empobrecido país, a quantidade de blasfémias e termos chulos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inconstitucional preocupava-se. Paralelepípedo perdera a última batalha mas não a guerra. Paralelepípedo era duro como uma pedra. e, junto com a sua amante, chamada Quimera, dona de sonhos dignos de uma alforreca, tramava o seu regresso ao poder com um plano de guerrilhas, executado por um grupo de mercenários chamado Gírias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;segundo rumores, o Reino dos Números ajudava-o de maneira camuflada, infiltrando zeros, disfarçados de “ós”, em palavras dúbias como Orangotangos e Quiprocós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os números desejavam destruir o País das Palavras. eram invejosos. sempre foram ricos, somavam e multiplicavam cifras ao infinito, mas sabiam que as palavras quando queriam eram muito mais simpáticas. os números odiavam principalmente o Exército das Poesias, pois sabiam que era o mais poderoso. e que as Poesias usavam armas ardilosas, eram dificeis de atacar, ao colocar as palavras foram do habitual contexto. para ter uma ideia, uma vez os números atacaram a simplória palavra «cesto», sem saber que fazia parte de um poema de um desconhecido escritor bissexto. quando perceberam já era tarde, o «cesto» afinal representava o próprio universo, num sentido, é claro, pouco concreto. não foram poucos os pares e os ímpares que no ataque desapareceram, como que engolidos por buracos negros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com tantos problemas, Inconstitucional sentia que algo estava errado. qual seria o futuro do seu país? como não poderia deixar de ser, ele era um rei letrado. mas o que aprendera do passado já de nada servia. os tempos eram outros. recordava-se amargurado de antigos aliados. suspirava de saudades por Aristóteles e Platão. os gregos, esses sim, é que eram bons. mas o que fazer num tempo em que dominavam os fundamentalistas do Calão, uma estranha religião, um tempo em que nada mais era estupendo, glorioso, magnífico, no máximo era giro, era fixe. e o pior, Inconstitucional já não tinha mais sequer adjectivos bons para expressar o tamanho da sua tristeza. se ainda mantinha a realeza era porque os adjuntos, adverbiais e nominais, ajudavam. mas eram cada vez maiores os problemas de conjugação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inconstitucional estava diante do espelho a reflectir, metaforicamente falando, sobre a situação, quando o palácio foi invadido por uma horda de ícones chineses, liderados por um indecifrável anagrama alemão. Inconstitucional quis resistir mas tinha sido abandonado por todos. só lhe restava a fidelidade da sua secreta amada Esperanto, mas que era obviamente uma língua inútil. desesperado, ainda tentou escrever uma carta de suicida mas faltaram-lhe as palavras. e assim morreu Inconstitucional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao lado do seu corpo foi encontrado apenas um papel com o seu nome, umas aspas e um ponto final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;glossário para brasileiros: alforreca (animal aquático invertebrado, o mesmo que medusa); calão (gíria); giro (maneiro); fixe (legal).&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111330904419122145?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111330904419122145/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111330904419122145' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111330904419122145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111330904419122145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/04/o-pas-das-palavras.html' title='o País das Palavras'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111321338859428949</id><published>2005-04-11T02:55:00.000-07:00</published><updated>2005-04-11T03:26:59.540-07:00</updated><title type='text'>a filosofia da coceira</title><content type='html'>ok, eu já disse isso aqui de outro jeito, mas volto a afirmar que, de todas as características da alma humana ,a que mais me encanta é a estupidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sim, porque a inteligência tem limites. a imbecilidade, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o imbecil está em todos os lados, diria mesmo que está dentro de toda gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem é que nunca fez algo de estúpido na vida? quem nunca traiu, quem nunca errou, quem nunca trairá, quem nunca errará? quem quiser atirar a primeira pedra, se faz favor, dê um passinho a frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;todos os sábios têm sempre dentro de si um idiota, louco para sair para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o grande escritor Nelson Rodrigues dizia: "cuidado com os idiotas, eles vão herdar o reino dos céus."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fui perguntar ao meu Tio Olavo o que pensa do assunto. ele deu-me as seguintes respostas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tio Olavo, acha a humanidade tola como um todo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;se existisse apenas um tolo no planeta, ele teria prosperado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;mas há quem não seja idiota.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;costumo dizer que toda gente é estúpida. o segredo do sucesso é apenas ser um bocadinho menos que os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;dá para quantificar os imbecis que há no mundo?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;milhões, biliões, zilhões... mesmo os sábios, os filósofos, os intelectuais, a maioria deles é como os espelhos: reflectem sem pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;a culpa das pessoas serem tão estúpidas está relacionada com o sistema escolar?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;uma coisa não tem nada a ver com a outra. nunca deixei que o período que passei na escola interferisse na minha educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;vê alguma solução para isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;claro que não. em terra de cego, quem tem olho nunca é visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por essa ordem de ideias, começo a acreditar que sou também um idiota.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;bem, é sempre bom acreditar em alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;não tem medo de estar a cometer um erro de abordagem?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;não creio. que eu me lembre, só uma vez achei que errei, mas estava errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;há quem irá ficar chateado com as suas opiniões.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;não quero que as pessoas concordem comigo. isso poupa-me o trabalho de ter que gostar delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;o senhor está a ser demasiado frontal.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;meu filho, se eu tivesse duas caras, acha que eu estaria a usar esta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;de qualquer maneira, o senhor não está a ser muito diferente de ninguém. os seus raciocínios estão a ser um pouco rasos.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;pode ser, adoro ser uma pessoa profundamente superficial. aliás, a minha filosofia de vida é muito simples: encha o que está vazio, esvazie o que está cheio. e coce sempre que sentir coceira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111321338859428949?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111321338859428949/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111321338859428949' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111321338859428949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111321338859428949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/04/filosofia-da-coceira.html' title='a filosofia da coceira'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111295627858786310</id><published>2005-04-08T03:25:00.000-07:00</published><updated>2005-04-08T03:34:30.860-07:00</updated><title type='text'>mások okosabbak</title><content type='html'>&lt;em&gt;"ááegyesek kétszer követiek el ugyanazt a hibát. mások okosabbak: új hibákat találnak, amiket elkövethetnek". &lt;/em&gt;(Edson Athayde)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sei o que é que diz a frase acima. não sei que língua é. achei na internet, pesquisando o meu nome. apareceu no cabeçalho de um site, cujo domínio também é para mim completamente obscuro. primeiro achei que era polonês. sei lá eu porquê. mas também pode ser javanês ou qualquer outro idioma que termine em "ês", "usso" ou "trusco".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se alguém souber traduzir, por favor me informe. gostaria de saber afinal o que foi que eu disse que mereça ser traduzido e transformado em tantos “k”s “a”s e “e”s.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas até que ficou bonitinho assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bom fim de semana e &lt;em&gt;mások okosabbak&lt;/em&gt; para todos vocês.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111295627858786310?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111295627858786310/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111295627858786310' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111295627858786310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111295627858786310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/04/msok-okosabbak.html' title='mások okosabbak'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111278180676556184</id><published>2005-04-06T02:53:00.000-07:00</published><updated>2005-04-06T03:03:26.766-07:00</updated><title type='text'>guerra dos sexos</title><content type='html'>os cientistas descobriram que o cromossoma Y (aquele que permite a existência do sexo masculino) tem lá uma coisa qualquer que tende a provocar a sua perpetuação através dos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou seja, é praticamente impossível a erradicação dos homens da nossa espécie. não deixa de ser uma boa notícia (embora as velhas feministas que queimam sutiãs talvez não achem lá muita piada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o certo é que se a natureza (que sempre é muito hábil) determinou que os rapazes estão aqui para durar é por algum bom motivo. a existência do Brad Pitt é uma hipótese, mas não quero me alongar no assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fui perguntar ao meu Tio Olavo quais eram para ele as verdadeiras diferenças entre os homens e as mulheres. ele respondeu-me assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tio, o que se deve dar para um homem que tem tudo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;uma mulher para ensiná-lo como funciona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por que é que as mulheres dizem que pilhas são melhores que os homens?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;é que as pilhas têm sempre um lado positivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por que é que os homens querem casar com virgens?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;é que eles não suportam críticas e comparações.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;como é que se chama um homem interessante em Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;turista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por que é que Deus criou os homens?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;porque os vibradores não cortam a relva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por que é que apenas 10% dos homens vão para o céu?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;porque se todos fossem seria o inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;o que é que as mulheres mais odeiam ouvir quando estão a ter sexo de boa qualidade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;«querida, cheguei!».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por que é que alguns homens na cama são como comida de microondas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;são 30 segundos e já está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;quando é que um homem perde 90% da sua inteligência?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;quando fica viúvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;e quando é que perde os 10% restantes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;quando morre o cão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111278180676556184?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111278180676556184/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111278180676556184' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111278180676556184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111278180676556184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/04/guerra-dos-sexos.html' title='guerra dos sexos'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111263958669992147</id><published>2005-04-04T11:30:00.000-07:00</published><updated>2005-04-04T11:35:45.323-07:00</updated><title type='text'>cinema mudo</title><content type='html'>antes de tudo, nada. ou melhor um pouco menos que nada. alguma coisa, portanto, sobre o próximo texto e outros que já vieram ou virão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho uma especial pancada pela prosa poética. mais do que um efeito, é um defeito de quem escreve como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acho bacana brincar com as palavras e contar histórias que vivem muito mais pelo seu aspecto sonoro do que pelo seu conteúdo propriamente dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho um prazer inenarrável de narrar as coisas mais banais do mundo, alinhando cada palavra como se fosse mais um fio de uma manta. acho que faço tricô, não acho, longe de mim, que faço literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o caso a seguir é exemplar. conto mais uma vez o encontro/desencontro de dois amantes. é um tema recorrente. não me lembro de ter escrito uma história de amor com final realmente feliz. talvez porque não saiba escrever sobre o que não vivi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aproveito também para fazer um glossário breve para que os leitores brasileiros não fiquem muito por fora: eléctrico (bonde); autocarro (ônibus); Charlot (Carlitos); Baixa (centro da cidade); Terreiro do Paço (Cinelândia/Praça da Sé); Carris (empresa pública de ônibus); peões (pedestres).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;espero que curtam. e por enquanto é só, pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;cinema mudo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se ele não entrar naquele eléctrico, ele que é tão racional, tão terra-a-terra, tão céptico, nunca vai ver, na outra esquina, a rapariga que vende flores embrulhadas em jornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela, tão magra, mirrada, pequenina, fugira de um filme do Chaplin e jurara nunca mais voltar. a rapariga vive em câmara lenta, sempre com um solo de piano a sublinhar os seus gestos. passa a vida a olhar os carros que passam, as pessoas que passam, à espera do seu grande amor, de um homem que lhe dê valor, mesmo sabendo que ela é muda como nos filmes do passado, daquelas que falam com os olhos, acreditando por todos os poros, num ardor temerário, que o amor não é um filme falado, muito pelo contrário, que o amor é gesto e silêncio, é um momento sublime suspenso no vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se ele não entrar naquele eléctrico, não vai, numa obra do tal acaso, esse sujeito tão imprevisível e tão parvo, apaixonar-se pela rapariga das flores. não vai descer quatro paragens antes da sua, voltando correndo e suando para o Terreiro do Paço, com o coração aos saltos, esbarrando em homens altos que circulam pela Baixa com propósitos desconhecidos, talvez a caminho dos empregos ou apenas a fugir de medo, o que é normal entre aqueles que não sabem o próprio destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se ele não entrar naquele eléctrico, não terá motivo para, enquanto corre debaixo da chuva fina, repassar toda a vida. não lembrará do primeiro beijo, nem da última noite de desejo, nem o vazio da manhã seguinte, o cheiro de cigarro no quarto, aquela dor no peito, espécie poética de infarto, típica de quem está sentado na beira da cama, ao lado de uma qualquer fulana, perto de quem acaba de fazer amor mas longe de alguém que posse chamar de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se ele não entrar naquele eléctrico, não vai, dali a pouco, trocar olhares de louco com a rapariga das flores. e ela não vai por um instante tão curto acreditar que o seu sonho absurdo finalmente se realizou. ela não vai seguir o movimento do eléctrico com a cabeça, esquecendo que está a atender uma freguesa que pedira três rosas, dois lírios e um cravo, um ramalhete que servirá de desagravo no encontro com uma paixão antiga, do tempo em que ainda era tão menina que nem tinha todos os dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se ele não entrar naquele eléctrico, não poderá olhar pela janela, nem a rapariga das flores terá vontade de se levantar e correr atrás daqueles olhos febris, que circulam pela cidade num veículo amarelo da Carris, nem ficará afinal sentada, assistindo a tudo desesperada. ela não irá agarrar, transtornada, numa qualquer flor, nem irá ferir a sua mão nos espinhos, nem sangrará na calçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se ele não entrar naquele eléctrico, não terá motivos para sentir-se o melhor dos homens quando, depois de correr toda a rua Augusta, avistar do outro lado da praça a rapariga que vende flores e que saiu de um filme raro da cinemateca. nem, por isso, irá saltar distraído para a frente de um autocarro da linha Benfica-Marateca que perdera os travões. não irá ser atropelado e morrer. não irá ficar estendido na rua, motivo de pena e escárnio de anónimos peões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nem terá o corpo coberto pelos jornais do dia enquanto não chega a polícia. nem irá emocionar-se, apesar de morto que está, quando a rapariga depositar sobre o seu peito todas as flores que teria que vender naquele dia. nem vai chorar, nem vai sorrir quando ela se afastar e decidir regressar para a sua velha fita. onde ao lado do Charlot vai tentar, sem conseguir, esquecer que um dia o seu grande amor encontrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se ele não entrar naquele eléctrico, nada disso vai acontecer. e a sua vida seguirá, sem graça, patética e vulgar, até morrer de velho, de gripe, de sarna ou de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas, graças a Deus, ele entrou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111263958669992147?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111263958669992147/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111263958669992147' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111263958669992147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111263958669992147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/04/cinema-mudo.html' title='cinema mudo'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111234337191276476</id><published>2005-04-01T00:10:00.000-08:00</published><updated>2005-04-01T00:18:18.223-08:00</updated><title type='text'>"aqui há putas!"</title><content type='html'>&lt;strong&gt;ou "os dez mandamentos da publicidade"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para início de conversa, quero avisar que gosto de publicidade. ou melhor, de boa publicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e que tenho pouca paciência para com quem decide colocar nos ombros da publicidade a responsabilidade de todas as mazelas do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas, como em todas as actividades, a publicidade tem coisas boas e coisas más. não adianta fingir que os publicitários são todos uns poços de virtudes. e interessa-me discutir (desde que seja de maneira inteligente) os aspectos negativos dessa actividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi com esse espírito aberto à crítica que li um interessante texto publicado num muito antigo livro, chamado "Análise Transacional da Propaganda", do publicitário brasileiro Roberto Menna Barreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;propaganda no Brasil é um sinónino total da palavra publicidade. e é sobre a publicidade que Roberto faz os seguintes comentários:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«em que estão baseados, moralmente, nossos antigos valores e virtudes? na tradição judaico-cristã. é nesse pano de fundo que moralmente procuramos viver, e é mais ou menos em direcção a seus preceitos que procuramos educar os nossos filhos. alguém discorda?deixem-me colocar aqui um check-list: os Dez Mandamentos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) amar a Deus sobre todas as coisas;&lt;br /&gt;2) não pronunciar o seu santo nome em vão;&lt;br /&gt;3) guardar os domingos e dias de festas;&lt;br /&gt;4) honrar pai e mãe;&lt;br /&gt;5) não matar;&lt;br /&gt;6) não pecar contra a castidade;&lt;br /&gt;7) não furtar;&lt;br /&gt;8) não levantar falso testemunho;&lt;br /&gt;9) não desejar a mulher do próximo;&lt;br /&gt;10) não cobiçar as coisas alheias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;são preceitos que podem sofrer, aqui e ali, alguma nova interpretação actualizadora, mas são, concretamente, os pilares da moralidade no mundo ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(.. )é lógico que a idolatria publicitária não diz: "mate! roube! desonre pai e mãe!", etc. a idolatria publicitária está em mãos de "abençoadas almas astutas". tudo é proposto marotamente, com pitadas de humor, malícia, permissão e criatividade. analisemos, por exemplo, à luz desses apelos tentadores, mandamento por mandamento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) nada de amar a Deus sobre todas as coisas. deve-se amar, sobre todas as coisas, ao bezerro de ouro: o produto. e também o seus sucedâneos irresistíveis: o sucesso, a riqueza. (...)&lt;br /&gt;2) deus e seu santo nome são excelentes testemunhos, aqui e ali, para inumeráveis campanhas. e também os seus símbolos: padres a contabilizar lucros numa máquina de calcular; freirinhas sensuais; monges meio safados a beber o seu licor preferido; mulheres no confessionário a dizer "pequei", que invariavelmente arrastam para a farra o próprio confessor (...)&lt;br /&gt;3) guardar os domingos e festas implica não só abster-se de trabalhar como, antes de tudo, em considerar tais dias santos. que diferença existe, para a idolatria publicitária, entre os dias santos e, digamos, os feriados? o mais santo dos dias da cristandade (o natal) é evento para uma saturnal pagã de vendas e saldos. (...)&lt;br /&gt;4) pai e mãe são supostamente "honrados" no Dia do Pai e no Dia da Mãe. uma avalanche de sentimentalismo mercenário. (...)&lt;br /&gt;5) É uma excepção. (...) a publicidade exprime interesses de uma sociedade que quer o indivíduo em contínuo esforço de trabalhar e comprar. nunca localizei na publicidade comercial, por "mais audaciosa", qualquer permissão para matar. (ao contrário, é claro, da propaganda de guerra.)&lt;br /&gt;6) No comments. só há convites para pecar contra a castidade.&lt;br /&gt;7) o lucro a qualquer preço, o "levar vantagem" sem especificar como é a permissão para qualquer falcatrua que passe despercebida.&lt;br /&gt;8) no comments.&lt;br /&gt;9) no comments.&lt;br /&gt;10) no comments. mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os Dez Mandamentos são muito mais entendidos, e promovidos, por essas abençoadas almas astutas, na forma optimista que aparece num anúncio de lançamento imobiliário, de página inteira, publicado no Jornal do Brasil de 25 de Janeiro de 1979:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) não trabalharás;&lt;br /&gt;2) honrarás a paz;&lt;br /&gt;3) não te aborrecerás;&lt;br /&gt;4) deitarás e rolarás;&lt;br /&gt;5) cochilarás à sombra;&lt;br /&gt;6) bronzearás o teu corpo;&lt;br /&gt;7) curtirás as ondas;&lt;br /&gt;8) lucrarás nos negócios;&lt;br /&gt;9) zelarás pelo teu dinheiro;&lt;br /&gt;10) viverás feliz para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não me digam que estou a catar à unha casos isolados. essa é a moralidade promovida pela publicidade, e ponto.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e ponto: é esse o pensamento do Roberto Menna Barreto. infelizmente, também é o meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a publicidade não foi feita para salvar o mundo. foi feita para extrair o máximo de lucro dele. podemos fazer isso de maneira mais ou menos honesta. mas, temos de assumir, não somos o Pai Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;diria mesmo que a mais antiga profissão do mundo tem alguma coisa a ver com a nossa. um dia, foi fundado o primeiro prostíbulo. nesse mesmo dia, alguém fez um cartaz a dizer "aqui há putas!" e colou na porta. eis o primeiro publicitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou como diria o meu Tio Olavo: "Deus está em todas as coisas, até mesmo na publicidade. mas é o Diabo que negoceia a comissão."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111234337191276476?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111234337191276476/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111234337191276476' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111234337191276476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111234337191276476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/04/aqui-h-putas.html' title='&quot;aqui há putas!&quot;'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111227293611440792</id><published>2005-03-31T04:31:00.000-08:00</published><updated>2005-03-31T04:42:16.116-08:00</updated><title type='text'>short curt</title><content type='html'>&lt;strong&gt;diálogo num notário&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- bom dia. gostaria de dar um nome ao meu filho.&lt;br /&gt;- pois não. e qual vai ser?&lt;br /&gt;- sei lá, não pensei muito no assunto. que nomes o senhor tem?&lt;br /&gt;- eu só tenho um: Adalberto. mas é meu. sinto muito, não posso emprestar.&lt;br /&gt;- compreendo. tenho uma tia que se chamava Magali e emprestou o nome para uma vizinha que precisava dele para ir a uma festa. nunca mais o viu.&lt;br /&gt;- emprestar o nome é um perigo. e como chamam a sua tia desde então?&lt;br /&gt;- chamamos de Garibaldo, que é um nome que o nosso bisavô italiano deixou em testamento.&lt;br /&gt;- Garibaldo até é um bom nome. rima com «caldo» e com «saldo», o que dá um certo jeito. mas voltando ao seu filho, como é que o vai chamar?&lt;br /&gt;- o senhor tem alguma sugestão?&lt;br /&gt;- hum, deixa-me ver...&lt;br /&gt;- é isso! muito obrigado! é isso!&lt;br /&gt;- isso o quê?&lt;br /&gt;- Hum Deixa-me Ver da Silva! grande nome! pode registar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111227293611440792?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111227293611440792/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111227293611440792' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111227293611440792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111227293611440792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/short-curt.html' title='short curt'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111220642188785408</id><published>2005-03-30T10:08:00.000-08:00</published><updated>2005-03-30T10:19:02.993-08:00</updated><title type='text'>as aparências enganam</title><content type='html'>pois é, meus caros, vou ser pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é que mais ou menos no final de maio, estará nas livrarias o meu quinto filho, digo, livro. vai se chamar "Os Trintões" e é a minha cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os textos são uma colectânea das melhores (na opinião de quem?) crónicas publicadas no Dna, do tempo em que eu lá escrevia sobre a vida dos homens de-trinta-e-tantos, mais alguns inéditos, mais alguns textos que publiquei dispersamente ao longo do anos, mas que achei serem pertinentes na composição dessa grande salada de frutas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o livro vai ser meio auto-ajuda, meio autobiográfico, meio ficção desvairada, meio sim, meio não. meio muito pelo contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vai sair pela Editora Palavra e já está a entrar na gráfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;entretanto, segue abaixo um dos textos de abertura do livro para que você possa ter uma ideia da coisa toda. Trata-se de um texto publicado há quase três anos, mas que ainda não perdeu o seu prazo de validade. então vamos ao trailer da obra. e vá guardando já algumas moedas para comprar o livro inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;as aparências enganam&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o ecran ainda está a negro. ouvimos as primeiras batidas de uma bateria electrónica. a música é o antigo hit dos Simple Minds, "Don’t You Forget About Me". quando Jim Kerr, o chatíssimo vocalista da banda começa a gritar (ou a ganir, nunca percebi muito bem) a imagem aparece em fade. e aí começa o filme. aliás, na verdade, começa o filme da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estou num ginásio, a correr numa passadeira como um rato num laboratório. corro de frente para um espelho a admirar as minhas belas formas. sim, sou tipo muito bem parecido, uma incrível mistura de Tom Cruise e António Banderas. a minha imagem é a do próprio sucesso: 36 anos, executivo bem sucedido, profissional multi-premiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao meu lado, a frente e atrás, dezenas de gajas boas e gajos bons levantam pesos, suam um suor perfumado a lavanda, exibindo os seus corpos perfeitos para a câmara. enquanto corro, ouço no meu iPod alguns pop-rocks dos anos 80 e penso: se a minha vida fosse um filme, as imagens da primeira sequência, enquanto aparecessem os créditos com o nome dos actores, seriam exactamente assim. é nessa hora que eu piso no atacador do meu Nike preto, tropeço e caio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando levanto-me a música é outra. já não há os Simple Minds e sim um dos temas do "Música no Coração" (há uma velhinha no ginásio que só consegue se exercitar ouvindo o raio dessa cassete). as gajas boas e os gajos bons desapareceram e foram substituídos por um grupo de pessoas mais ou menos gordas, mais ou menos carecas, mais ou menos desesperadas em perder algum peso e ganhar alguma forma. eu também já não pareço o Banderas. pareço comigo mesmo. continuo a correr na passadeira. olho para a minha imagem no espelho e penso: "como é que eu me transformei no tipo que aparece a minha frente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fui parar num ginásio mais ou menos como um condenado a pena de morte em que é dado uma última oportunidade de se regenerar. passei quase toda a minha vida a desprezar qualquer tipo de actividade física. o meu record foi chegar a pesar um pouco mais de 100 kilos (mais 20 do que o meu peso ideal) e, confesso, não estava assim tão preocupado com assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem tem trintas-e-meios tem uma certa tendência para se acomodar. o fulgor da juventude ficou lá para atrás, perdido num copo qualquer de vodka deixado vazio no chão de uma discoteca, depois de uma noite em que as coisas não correram assim tão bem (igual a não comemos ninguém) e em que você pára e pensa que já não tem mais idade para essas coisas e precisa se concentrar no trabalho, arrumar uma família e abrir espaço na pista de dança para os chavalos de vinte-e-poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não é que você nunca mais vai sair, vai beber ou vai dançar. mas nunca mais deixará de pensar coisas como: "o que será que esses putos pensam ao ver um cota como eu aqui a rebolar? será que é pedofilia tentar rebocar aquela loira fabulosa que não deve ter mais que 16 anos? e, meu Deus!, como é que se dança essa música da Britney Spears?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem trintas-e-meios raramente está satisfeito consigo próprio. e muito menos com o seu corpo. um belo dia você acorda com uma hérnia de disco ou um princípio de diabetes ou com um fígado que já não pode conviver pacificamente com o uísque (que pena, eram tão amigos) ou com os cabelos a desaparecem da cabeça e aparecem abundantemente no nariz e no ouvido ou com uma apnéia do sono ou com stress (que os médicos diagnosticam quando não encontram nenhuma outra doença melhor para lhe oferecer).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma parte dos de trinta-e-meios conforma-se alegremente quando aparecem esses primeiros sintomas. de uma forma ou de outra é sempre mais assunto para conversa ("vês, sou como tu, pleno de enfermidades no corpo e cicatrizes na alma"). outra parte, resolve virar a mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o ponto da virada pode ser qualquer coisa (e quase nunca tem a ver com o corpo em si, fora os casos de saudades extremas de conseguir ver o pénis enquanto se toma um duche): é a descoberta que o casamento foi um erro; que a carreira escolhida foi um equívoco (mesmo nos exemplos de sucesso); uma paixão fulminante por alguém bem mais novo ou (a melhor de todas) levar uma bela encornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a consequência directa dessa crise pode ser a tentativa de fazer as pazes com o espelho. e que redunda numa via crucis que passa pela (re)descoberta tardia do desporto, por operações plásticas e lipoaspirações, sem falar nas malditas dietas (como diria o meu Tio Olavo: "a dieta é o self-service da infelicidade"). passa por ser gozado pelos amigos, espezinhado pelos colegas de trabalho, humilhado pela demora no aparecimento dos resultados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na maioria das vezes tanto esforço dá em nada. a vontade de mudar é vencida pelo quotidiano, pelo sentimento de se estar a ser ridículo ou porque a sua paixão de vinte anos foi para um festival de música heavy metal acampar com gente da mesma idade dela e nem ligou para si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois disso o que sobra é voltar para a sua velha vidinha, é ir encontrar com os amigos barrigudos no bar e entre um copo e outro de Jameson admitir que tudo não passou de um grande equívoco. os seus amigos vão receber você de braços (flácidos) abertos e fingir que nada se passou. A única coisa que vão exigir é que você pare de usar brinco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto corro no passadeira, constato que sei que esse não será o meu caso. a verdade é que já perdi os 20 Kilos que estavam a mais (equivale a parir uma criança razoavelmente bem nutrida). como todos os bons trintões tento enganar os outros e iludir a mim mesmo a respeito da idade. tento enfiar o meu cérebro (que guarda tudo o que eu sei sobre a vida, tudo o que eu aprendi nesses quase quarenta anos de estrada) num corpo que não é o meu, no corpo de um jovem. talvez não seja a coisa mais bacana do mundo mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sorrio para o espelho. a câmara começa a se afastar. fico a espera que apareçam os créditos, afinal o filme está a acabar. mas, não, não aparecem créditos alguns. é que (essa é que é essa) o filme da minha vida ainda vai a meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e, constato agora, a história é óptima e o actor principal, além de bonito (e modesto), está para lá de muito bem escolhido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111220642188785408?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111220642188785408/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111220642188785408' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111220642188785408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111220642188785408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/as-aparncias-enganam_30.html' title='as aparências enganam'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111210026849451479</id><published>2005-03-29T04:39:00.000-08:00</published><updated>2005-03-29T04:44:28.496-08:00</updated><title type='text'>sonhar não paga imposto</title><content type='html'>é verdade, sonhar não paga imposto, não engorda, não faz mal à saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sonhar não é proibido (aliás, trata-se de uma das poucas coisas boas da vida que a lei permite e onde o Estado e a Igreja não interferem). sonhar é democrático, sonha o rico, sonha o pobre, sonha-se bem num colchão de penas e às vezes melhor no chão frio de uma calçada (o melhor sonho é o daquele de quem mais precisa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sonhar não tem sexo, não tem complexo, não tem nexo. sonhar é como respirar, para fazer basta o ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;qual foi o seu último sonho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há quem sonhe com riquezas, há quem sonhe com amores, há quem sonhe com a fama, com o sucesso, com balões de gás amarelos, há quem sonhe que está a comer gelado de baunilha, com calda de chocolate quente, dependurado num trapézio, servido pela Vera Fischer nua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;qual foi o seu último sonho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só não sonha quem não tem alma. dizem quem os porcos não sonham. já os cães sonham todos as horas, os gatos todos os dias, os passarinhos quando estão a voar. os índios não sabiam o que era o sonho, confundiam tudo, se calhar era por isso que eram tão felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;qual foi o seu último sonho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o sonho é sempre uma hipérbole, um exagero, um paradoxo. o sonho do baixinho é que o planeta seja povoado só por anões. o sonho do feio é que não haja espelhos. o sonho da gorda é que o mundo acabe em mel para que possa morrer doce. o sonho do general é ser uma bailarina de can-can, estrela do Moulin Rouge. o sonho do idiota é ter asas (é por isso que se os cretinos voassem nunca veríamos o céu). o sonho do bispo saiu nua capa da última Playboy. o sonho da rapariga de olhar triste, que passa a vida na janela, casou com uma prima dentuça e ruiva e foi morar para Badajoz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;qual foi o seu último sonho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;algumas pesquisas atestam que sonhamos todas as noites, várias vezes, mas nem sempre lembramos. Victor Hugo dizia: "poucos trabalham para realizar os seus sonhos, a maioria apenas ressona." já Anatole France exclamava: "a loucura é o sonho de uma pessoa. a razão é, sem dúvida, a loucura de todos." por outro lado, La Fontaine afirmava: "cada um transforma em realidade tanto quanto pode dos seus sonhos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;qual foi o seu último sonho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;segundo Freud, nós somos o que sonhamos. por isso seremos tanto maiores quanto for o que projectamos. se sonhar pequeno, será insignificante. se nada sonhar, nada será. de compromissos com a realidade a sua vida e o inferno já estão cheios. aproveite para sonhar sonhos enormes, sonhos fantásticos, sonhos impossíveis. o máximo que pode acontecer é algum desses sonhos se realizar. mas aí, como em tudo na vida que vale a pena viver, o sonho deixará de ser sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aliás, já agora, qual foi o seu último sonho?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111210026849451479?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111210026849451479/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111210026849451479' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111210026849451479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111210026849451479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/sonhar-no-paga-imposto.html' title='sonhar não paga imposto'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111204047581990597</id><published>2005-03-28T12:03:00.000-08:00</published><updated>2005-03-28T12:07:55.823-08:00</updated><title type='text'>outrora</title><content type='html'>antigamente, o antigamente era chamado de outrora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bons tempos aqueles em que o passado tinha um nome tão bonito e sonoro. quem falava do outrora não falava de uma coisa qualquer. o outrora era sempre acompanhado de um suspiro fundo e uma afirmação de que algo já tinha sido muito melhor do que hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como uma vez escreveu Milôr Fernandes: "falar do passado é falar do presente pelas costas." já falar do outrora é pior. falar do outrora é humilhar o presente, é deixar bem claro que ele não tem futuro nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;junto com o outrora desapareceram hábitos e costumes tão bonitos como passear com a família depois da missa ou beijar a namorada no banco da praça, a ouvir uma banda a tocar no coreto. aliás, também desapareceram a praça, a banda, o coreto e a namorada fugiu com a mulher-barbada de um circo libanês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nos tempos de outrora, tudo era perfeito. ou, pelo menos, parecia perfeito. o mundo ainda não era colorido e resistia em tons de sépia contra todas as maldades. as raparigas casavam virgens, os filhos respeitavam os pais, os compromissos eram feitos para serem honrados. nos tempos de outrora, o homem ainda acreditava em si mesmo. isso porque o outrora (como o homem) era um ingénuo. não surpreende que tenha sido extinto, como também vão ser extintos os papagaios, os golfinhos e os fãs da Barbra Streisand.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;essa coisa do outrora faz-me pensar em para onde vão as palavras que caem em desuso. o que será que acontece com as palavras que, passados os seus momentos de glória, são relegadas ao esquecimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;imagino se não serão recolhidas, como cães abandonados, por funcionários de uma qualquer repartição pública. e se lá, um dia, eles não travariam o seguinte diálogo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- chefe temos um problema. fugiu o Outrora.&lt;br /&gt;- não pode ser, Constantino. já é a quinta palavra que foge este mês.&lt;br /&gt;- ainda conseguimos agarrar o Alvíssaras, o Homessa e o Catadupa. entretanto, tivemos que atirar à queima-roupa no Catatau. acho que ele feneceu.&lt;br /&gt;- não pode ter fenecido. já ninguém fenece. no máximo morreu, faleceu, extinguiu-se, cessou de viver. o fenecer é que feneceu, há muitos anos. que péssimo exemplo, Constantino. francamente, usar a palavra fenecer depois dela já estar morta... são pessoas como você que tornam o nosso trabalho difícil.&lt;br /&gt;- desculpe, chefe. é que estou nervoso. temo pelo pior só de imaginar que o Outrora está por aí, livre para actuar. o que iremos fazer?&lt;br /&gt;- temos que ser radicais. carregue a sua pistola com alguns neologismos e vá já para a rua. traga-me o Outrora vivo ou morto.&lt;br /&gt;- mas, chefe, valerá a pena? quanto mais palavras recolhemos, mais palavras temos para recolher. é como se a língua hoje em dia tramasse contra nós. isto já foi mais fácil. outrora...&lt;br /&gt;- o que disse?&lt;br /&gt;- eu estava a dizer que outrora...&lt;br /&gt;- arrá! apanhei-te, calhorda! estás preso, Outrora. pensavam que me enganavam. mas sempre desconfiei que tu e o Constantino fossem cúmplices.&lt;br /&gt;- e como soube?&lt;br /&gt;- pelo nome. ninguém mais se chama Constantino hoje em dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou, como diria o meu Tio Olavo: "outrora as coisas eram bem diferentes. para se ter uma ideia, o ar ainda era limpo e o sexo ainda era sujo."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111204047581990597?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111204047581990597/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111204047581990597' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111204047581990597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111204047581990597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/outrora.html' title='outrora'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111176783745033221</id><published>2005-03-25T08:16:00.000-08:00</published><updated>2005-03-25T08:28:11.476-08:00</updated><title type='text'>realismo mágico</title><content type='html'>ele é um respeitável executivo. ela uma respeitável octogenária. a acção decorre toda dentro de um elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- que horror!&lt;br /&gt;- o que disse, minha senhora?&lt;br /&gt;- que horror! que horror! um traque!&lt;br /&gt;- um o quê?- não se faça de desentendido. o senhor sabe multo bem o que é um traque.&lt;br /&gt;- claro que sei o que é um... um..., perdoe-me a expressão, um traque.&lt;br /&gt;- tanto sabe que deu um. incrível, não se pode mais andar num elevador e vem logo um anormal a dar traques. no meu tempo...&lt;br /&gt;- minha senhora, por favor, acha que eu tenho cara de quem dá traques.&lt;br /&gt;- ah, quer dizer que o rapaz nunca dá traques?&lt;br /&gt;- claro que dou... quer dizer, não dou muitos... desculpe-me, é um assunto embaraçoso de se tratar.&lt;br /&gt;- embaraçoso é estar num elevador com um mau cheiro destes.&lt;br /&gt;- sinceramente, não fui eu que dei coisa alguma.&lt;br /&gt;- se não foi o senhor, quem foi?&lt;br /&gt;- foi... foi... foi a senhora, pronto. é isso mesmo, foi a senhora.&lt;br /&gt;- ah! além de javardo é mentiroso. que horror! que horror!&lt;br /&gt;- não vejo piada alguma em debater este assunto. que situação! já agora este elevador está a levar séculos para chegar ao meu andar.&lt;br /&gt;- não vai chegar tão cedo. o autor é um principiante. não tem controlo sobre a lógica narrativa.&lt;br /&gt;- como?&lt;br /&gt;- por favor, não se faça de ingénuo. acredita mesmo que seja possível uma octogenária respeitável como eu estar a falar sobre traques e ainda mais num elevador que nunca chega a lugar nenhum? é óbvio que estamos metidos num conto de um autor inexperiente.&lt;br /&gt;- a senhora é louca!&lt;br /&gt;- e o senhor é parvo. qual é o seu nome?&lt;br /&gt;- o que é que tem o meu nome?&lt;br /&gt;- não importa. responda-me, qual é o seu nome?&lt;br /&gt;- é... é... é... que coisa! não me lembro do meu nome?&lt;br /&gt;- bingo! o senhor não se lembra do seu nome porque o senhor não sabe o seu nome. o autor não referiu o seu nome na introdução deste conto. é essa a explicação.&lt;br /&gt;- a explicação, minha senhora, é que eu estou nervoso com esta conversa, é por isso que eu não lembro do meu nome. a senhora é louca, este elevador é lento, aqui faz um calor insuportável e eu não estou a passar bem.&lt;br /&gt;- aposto que comeu feijoada ao almoço.&lt;br /&gt;- por acaso comi.&lt;br /&gt;- eu sabia! vi logo pelo traque.&lt;br /&gt;- oh, não! a história do traque outra vez?&lt;br /&gt;- quer queira ou não, é essa a nossa história. repare bem: somos duas personagens estereotipadas. enquanto fios condutores de um drama, somos rasos como um pires. como diriam os ingleses, somos «flats. qual é o nosso passado? qual é a nossa real motivação para estarmos num elevador? você é casado ou solteiro? eu devo ser viúva. velhinha octogenária num texto cómico só pode ser viúva. mas por que tudo é encaminhado para que eu pareça uma louca desvairada? não tente responder. você não sabe. confesse. nem eu. que azar! caímos nas mãos de um autor incompetente. e muito hesitante. ele nem deve saber como é que vai acabar essa história.&lt;br /&gt;- eu sei onde é que vai terminar. vai terminar comigo a sair do elevador e a chamar um manicómio para interná-la!&lt;br /&gt;- é parvo! não vai fazer nada disso, porque a porta do elevador nunca vai se abrir. se o elevador se abrir o conto acaba.&lt;br /&gt;- minha senhora, este assunto está encerrado.&lt;br /&gt;- então está bem. ficarei calada. vamos esperar que a porta se abra.&lt;br /&gt;- óptimo.&lt;br /&gt;- hum, hum&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- que demora!&lt;br /&gt;- não disse?&lt;br /&gt;- oh, meu deus! será que a senhora tem razão?&lt;br /&gt;- meu filho, eu sou uma octogenária. não sabe que enquanto arquétipo os velhos representam a sabedoria?&lt;br /&gt;- e será que não há uma maneira de sair desse pesadelo?&lt;br /&gt;- bem, eu tenho uma teoria. imagino que a nossa história acabaria com um de nós a assumir a autoria do traque. como esse é o nosso único «plot» narrativo, o autor seria obrigado a dar o conto como encerrado. não sem antes introduzir um elemento qualquer tipo realismo mágico, uma coisa típica desses escritores moderninhos.&lt;br /&gt;- então, está bem. pronto, fui eu que dei o traque! satisfeita? fui eu, sim! sou um depravado que come feijoadas e passa a vida como um sátiro a dar traques nos elevadores da cidade. além disso, uso roupa interior feminina. pronto. não vale mais a pena esconder a verdade. fui eu que dei o traque, sim senhora! dei e daria outro! daria não, dou! pruuuuuum!&lt;br /&gt;- arrá! eu sabia! porcalhão! e eu aqui a ter que inventar esta história toda de literatura e personagens só para poder apanhá-lo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi nessa hora que a porta se abriu e o elevador foi invadido por uma legião de pigmeus canibais famintos. do executivo e da octogenária só sobraram os ossos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111176783745033221?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111176783745033221/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111176783745033221' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111176783745033221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111176783745033221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/realismo-mgico.html' title='realismo mágico'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111168500742741949</id><published>2005-03-24T09:16:00.000-08:00</published><updated>2005-03-24T09:23:27.430-08:00</updated><title type='text'>paul newman era em preto em branco</title><content type='html'>Marlon Brando era em preto e branco. João era em preto e branco. Ana era colorida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;James Dean era em preto e branco, como todas as coisas deveriam ser. João, por exemplo, era em sépia quando queria, mas nunca abusava do efeito, sabia que, mais cor menos cor, um homem poderia se pôr a jeito. já a Ana tinha a mania da policromia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João não era um problema de impressão, era assim por opção, decidira ainda miúdo não ligar para as cores do mundo, não ser verde como a relva, nem azul como um sonho, preferia ser a imagem no espelho de um radical daltónico, retrato velho de um saudoso crónico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já a Ana era pastel às quartas e quintas, ton sur ton segundas, terças e sextas, berrante aos domingos e aos sábados irreal arco-íris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bogart era em preto em branco, João também usava sobretudo e sobre tudo não tinha mais que uma pálida opinião. João era um tipo discreto, até meio cinzento, daqueles que não gostam de festas, não vão a bailes, usam galochas no invemo e tratam doenças com unguentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana era daquelas que se faziam notar, com suas roupas de hippie, cabelos ao vento, sandálias no ar. Era daquelas que se alimentam de risos, que já nasceram sem sisos, incapazes de pensamentos sombrios e torpes, que acreditam num mundo em technicolor, em amores de cinemascope.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João e Ana se encontraram por acaso numa exposição de pintura. João tinha ido interessado numa série de gravuras feitas em carvão. Ana, claro que não, só tinha olhos para um certo pintor impressionista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o certo é que, como num cliché de uma gráfica antiga, os opostos se atraíram, não fosse cupido um irresponsável artista. e assim, Ana e João se apaixonaram em frente ao quadro daquele espanhol cubista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no início a coisa até não correu mal. Ana pintou o sete com a alma de João. e ele imprimiu sombras na aguarela da amada, o que só tornou as suas cores ainda mais bonitas. mas, há sempre um mas, com o tempo aquela paixão enfim desbotou. João deixara de ser genuíno, já não era em preto e branco como a opinião de um menino. João tornara-se garboso como um pavão e passou a ter casos com raparigas de cartazes de oficina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana ainda saiu com dois ou três cromos da bola só para fazer ciúmes mas mal conseguia disfarçar o seu negro azedume. Desesperada, viciou-se em tinta da china enquanto João andava enrolado numa lasciva e falsificada serigrafia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um dia, vermelha de raiva, verde de inveja, amarela de desespero, Ana morreu de overdose com uma caneta tinteiro. João, em lágrimas, percebeu o erro mas era tarde demais. pálido com a perda do amor, ele que permitira se enfeitiçar pelo mundo da cor, deixou de se armar em bom, deu em maluco e em noites sem lua sai pelas ruas a ganir e a tentar explodir os cartazes Benneton.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111168500742741949?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111168500742741949/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111168500742741949' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111168500742741949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111168500742741949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/paul-newman-era-em-preto-em-branco.html' title='paul newman era em preto em branco'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111160401353496709</id><published>2005-03-23T10:08:00.000-08:00</published><updated>2005-03-23T10:53:33.536-08:00</updated><title type='text'>aviso aos navegantes</title><content type='html'>então vamos lá, isso não uma escola de samba mas é chegada a hora de fazer um balanço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;primeiro, para quem já aqui veio, um beijo e um queijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;alguns eu conheço pessoalmente. outros nunca vi nem mais gordos nem mais magros, o que é bom, pois isso de ficar sempre a mudar de peso não faz bem a saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há, supreendentemente, brasileiros por todos os lados (thanks, Julio Hungria e o pessoal do BlueBus). há portugueses, como era de se esperar (saravá, Luís Gaspar). há até espanhóis. ainda não notei a presença de nenhum grego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há quem deixe posts ou envia-me e-mails que eu, mal educadamente, raramente respondo. ou melhor, não respondo sempre que nada foi perguntado. cada um que diga o que bem entenda. eu, na modesta figura de autor, tenho mais é que enfiar a minha viola no saco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aos elogios, fico grato. às críticas, faço as devidas reflexões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aos amigos, mando um abraço. aos inimigos, a cadeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a maioria dos textos até agora publicados não é inédita. e nem era essa a intenção. estou apenas a recuperar crónicas, contos e outras irrelevâncias que foram publicadas anos atrás nas folhas de jornais que há muito já serviram de colchão para gatos ou embrulho de peixes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como sempre trabalhei com criatividade, como sempre fui um gigolô de palavras (abenção, Luís Fernando Verissímo), aprendi que uma ideia quando boa deve ser vista e revista, visitada e revisitada. daí que não tenho vergonha de pegar em material antigo e apresentar a um público novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deve ser coisa de velho, é acho que estou a ficar senil, pois quase sempre quando pego num texto antigo ele parece-me novo. e se eu que escrevi não lembro do material, imagina quem leu tal coisa no jornal, a tomar café num domingo de manhã a curar a ressaca da noite anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas fica a promessa: de vez em quando publicarei aqui inéditos de verdade. só não prometo que sejam melhores do que os antigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e para terminar, um pedido: por favor, sempre que achar relevante, deixe aqui a sua mensagem. não há nada mais estimulante para quem escreve saber que existe pelo menos um leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou como diria o meu Tio Olavo: "para um bom actor, desde que haja uma pessoa a assistir, a plateia está cheia."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ps: ah, repondendo a uma questão que me foi enviada por um leitor brasileiro: os textos estão sempre publicados no português de Portugal, daí as diferenças nos acentos e na grafia de algumas palavras. claro que pelo meio há erros grosseiros (sou péssimo revisor de mim mesmo) e algumas liberdades de estilo. quaisquer dúvidas sobre o significado de uma palavra ou expressão idiomática, desde que solicitado, serão prontamente esclarecidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111160401353496709?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111160401353496709/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111160401353496709' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111160401353496709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111160401353496709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/aviso-aos-navegantes.html' title='aviso aos navegantes'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111160120257607914</id><published>2005-03-23T09:52:00.000-08:00</published><updated>2005-03-23T10:06:42.580-08:00</updated><title type='text'>dar em doido</title><content type='html'>sou brasileiro, mas sou também o primeiro a concordar com a ideia de que o Brasil não é, boa parte das vezes, um país sério. já Portugal é diferente. Portugal é seríssimo. Às vezes sério até de mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às vezes de uma seriedade que beira o absurdo. está aí: o absurdo sempre me interessou.&lt;br /&gt;deve ser por isso que sempre admirei o trabalho de Ionesco, o pai do teatro do absurdo. há um "quê" de Ionesco em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal é um bom País. diria mesmo que é um belo País. com um povo pacato e hospitaleiro. católico e respeitador dos bons costumes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que sempre fico surpreso quando Portugal enlouquece. nem é uma coisa que aconteça assim de maneira tão pouco frequente. a histeria nacional ocorre com cada vez mais assiduidade. e, nessas horas, Portugal parece ficar fora de órbita, como um planeta atingido por um pesado meteorito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mesmo a língua parece outra: por mais português que se fale ou escreva, as ideias parecem todas fora de ordem, sendo impossível compreender os seus significados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de uma hora para outra, regularmente, Portugal deixa-se de se preocupar com todas aquelas coisas normais com que os países se preocupam (a saúde, a economia, as drogas e a selecção nacional, para citar apenas as mais importantes e em ordem inversa) e põe-se a discutir qualquer outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;basta ler os jornais para se ficar com a ideia que, de absurdo em absurdo, Portugal vai caminhando para se tornar numa peça de Ionesco, onde palco e plateia se confundem. e onde fica cada vez mais difícil saber a hora que o pano vai descer para que possamos bater as palmas. como se desse vontade de bater palmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fui conversar o meu Tio Olavo sobre essas metafísicas questões. E ele deu-me as seguintes respostas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tio Olavo, qual é sua visão da actualidade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;o mundo está se tornando um hospício dirigido por loucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;é o caso de Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O problema não é Portugal parecer cada vez mais um vasto hospício. o problema é que andam a faltar remédios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;defina-me a loucura.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;a loucura é o sonho de uma pessoa. A razão é a loucura de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;e os loucos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;um louco é alguém que crê em tudo que vem à sua mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;a loucura é uma coisa assim tão má?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;nem sempre. mais vale um homem que expõe a sua loucura do que um que esconde a sua sabedoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;acha que muito do que anda a escrever por aí nos jornais é uma amostra de loucura?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;sim. ou de burrice. para qualquer burrice que você escreva encontrará sempre um burro para dar apoio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;e o senhor não é apenas mais um exemplo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;de certa maneira. mas isso não é um problema. toda gente é meio burra, só que em assuntos diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;mas o senhor tem a mania de que é um intelectual.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;e daí? já está provado: se você cortar a cabeça de um intelectual quase sempre ele morre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111160120257607914?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111160120257607914/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111160120257607914' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111160120257607914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111160120257607914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/dar-em-doido.html' title='dar em doido'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111153201651994814</id><published>2005-03-22T14:43:00.000-08:00</published><updated>2005-03-22T14:53:36.523-08:00</updated><title type='text'>o pato</title><content type='html'>ela era a rainha balzaquiana da teleculinária. ele apresentava o telejornal. ela conquistava as audiências da manhã com bolos fabulosos, pastéis e rissóis. ele ganhava a vida a falar com ar carrancudo sobre guerras, epidemias e defuntos. ela acordava cedo, depois dos desenhos animados. ele deitava-se tarde, nunca antes do fecho de emissão. ela era divorciada de Asdrúbal, o palhaço loiro e mudo, aquele que apresentava números sem graça no telecirco de domingo. ele tinha várias namoradas, incluindo a enfermeira chefe da série sobre médicos e a rapariga bonita da meteorologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os dois encontraram se por acaso num talk show noturno que debatia um tema qualquer obscuro. ela sentia-se só. ele, em plena meia idade, demasiado acompanhado. depois do programa foram tomar uns copos. ela falou do dia em que em frente às câmaras matou um pato. ele de como era amigo de secretários de estado. ela reparou que ele estava magro. ele de como ela ficava bem com aquele penteado. o empregado avisou que o bar ia fechar. ele fez questão de pagar a conta. ela convidou-o para jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- olá, cheguei cedo?&lt;br /&gt;- não. Entre e fique à vontade.&lt;br /&gt;- e a sua amiga da SIC Mulher não veio?&lt;br /&gt;- desistiu. algum problema do jantar não ser a três?&lt;br /&gt;- prefiro assim. etesto multidões.&lt;br /&gt;- o jantar está quase pronto.&lt;br /&gt;- hum, que cheiro bom.. O que é?&lt;br /&gt;- pato assado.&lt;br /&gt;- estava a falar do seu perfume.&lt;br /&gt;- ah... Chanel nº 5.&lt;br /&gt;- mal posso esperar para prová-lo.&lt;br /&gt;- calma. não vá rápido demais. há muito que não recebo um homem em casa.&lt;br /&gt;- estava a falar do pato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele comeu como um rei e repetiu três vezes. ela bebeu demasiado vinho. ele revelou que estava cansado de apresentar o telejornal, que queria ser valorizado como um bom jornalista e não apenas mais um rosto bonito. ela não ouviu nada. estava concentrada naquela covinha charmosa que ele tinha no queixo. foram para a cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- foi bom para ti?&lt;br /&gt;- sei lá, bebi demais. não penses que sou dessas.&lt;br /&gt;- não penso nada. a noite foi óptima. há muito que não comia um pato como esse.&lt;br /&gt;- a receita é da minha avó. o Asdrúbal não gostava&lt;br /&gt;- ele é um palhaço.&lt;br /&gt;- não fales mal do Asdrúbal que eu não gosto.&lt;br /&gt;- estava apenas a citar a profissão dele.&lt;br /&gt;- o Asdrúbal quando comia em casa nunca repetia.&lt;br /&gt;- e além do pato do que mais ele não gostava?&lt;br /&gt;- de mim.&lt;br /&gt;- hum... posso repetir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no dia seguinte ela estava de cabeça tão perdida que durante o seu programa ensinou a colocar pimenta numa receita de pudim flan. ele estava tão feliz que teve um acesso de risos enquanto lia a notícia da demissão de um ministro. ele passou a jantar na casa dela todas as noites. os sinais da paixão eram visíveis em ambos. ele cada vez mais gordo a apresentar o telejornal. ela com umas olheiras enormes em seu programa matinal. ele terminou com as outras namoradas. a rapariga bonita da meteorologia tornou-se numa triste. só falava de tempestades e de nuvens sombrias a sobrevoar o litoral. e a enfermeira chefe passou a deixar morrer um paciente atrás de outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um dia, ela foi surpreendida pela visita do Asdrúbal, o palhaço loiro e mudo. Asdrúbal, apesar do sorriso vermelho pintado na cara, chorava. dos seus olhos saíam esguichos de lágrimas. andava pelo apartamento a arrastar os seus longos sapatos, a derrubar coisas, a levar tombos involuntários. e a dizer, por gestos descoordenados, que estava arrependido e que queria voltar. ela, sensibilizada, perguntou se ele não queria ficar para jantar. fez um teste, assou um pato. asdrúbal comeu com prazer. repetiu seis vezes. e mais tarde na cama, idem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- temos que terminar.&lt;br /&gt;- o quê?!&lt;br /&gt;- o Asdrúbal. ele pediu para voltar.&lt;br /&gt;- aquele palhaço?&lt;br /&gt;- a profissão dele não importa.&lt;br /&gt;- mas quem falou de profissão? ele é um palhaço mesmo.&lt;br /&gt;- não fales assim. estou confusa. acho que ele merece uma segunda oportunidade.&lt;br /&gt;- não posso crer. mas o que ele faz por ti que eu não possa fazer?&lt;br /&gt;- ele faz-me rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e foi assim que tudo terminou. sem os pratos saborosos que ela lhe fazia, ele voltou a emagrecer. cadavérico e feio, ganhou respeito e um prémio como jornalista do ano. casou-se com a rapariga da meteorologia, que desde então passou a só prever um bom tempo. ela abandonou o programa de culinária e passou a cozinhar apenas em casa. Asdrúbal, o palhaço loiro e mudo, pintou o cabelo de ruivo e passou a fazer números com imensa piada. a enfermeira chefe mudou se para uma telenovela venezuelana onde agora faz de freira. e o pato?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;está óptimo, obrigado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111153201651994814?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111153201651994814/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111153201651994814' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111153201651994814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111153201651994814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/o-pato.html' title='o pato'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111143414634177211</id><published>2005-03-21T11:38:00.000-08:00</published><updated>2005-03-21T11:42:26.343-08:00</updated><title type='text'>pálida polaroid</title><content type='html'>como um lampião num poste, ele era anacrónico. tinha uma timidez intrínseca, uma desesperança anímica e um ar levemente cómico. ela, ao contrário, já nasceu em berço esplêndido, boca, lábios siderados, pernas, coxas de marquesa, seios fartos, generosos como apóstolos numa santa ceia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele tropeçava em vírgulas, era gago e muito feio. apanhava na escola dos miúdos, dos valentes encartados, seis gonçalos, vários nunos e um talvez chamado pedro. ela dava certo em tudo, era a musa do recreio, frequentava os sonhos lúbricos de todos os caixa d'óculos, onde sempre aparecia nua e lívida, enigmática, uma mini-monalisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele era anacrónico. fazia ilusionismo no intervalo das aulas para um escasso público: duas professoras gordas, um amigo cego e outro surdo. tranformava lenço em flores, tirava pombas da cartola, sem receber um simples aplauso, um elogio, uma gala. Houdini desencantado, deixou-se prender aos livros, gostava de Pessoa, de Eça, de O'Neill mesmo sem perceber palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela, ao contrário, era fútil, inconsequente. miúda rica, filha única de um demente, estava mal acostumada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;encontraram-se, por acaso, numa ida ao Gran Circo. ela de vestido e brinco, simplesmente um arraso. ele quase teve um treco só de ver tal epifânia, meio metro de beleza tão rara quanto estranha. e jurou amor para sempre, sem nem saber seu nome. mas sabendo lá por dentro que o que é do homem o bicho não come.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela disfarçou o incómodo, sempre impávida e serena, assistiu ao espectáculo com a altivez de uma sereia. aproveitaram o entreacto para ir comprar farturas. ele num rompante de coragem aproximou-se da medusa. tocou no seu lindo braço e sorriu com o aparelho. ela desceu do pedestal, permitiu tal investida. apesar de tão miúdos, apaixonaram-se num segundo. deliram no espaço, esqueceram o pobre mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele era anacrónico. ela era estupenda. ele era desolado. ela era uma encomenda. ele era execrado. ela era um pesadelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;encantados que estavam nem toparam o grande pânico. pipocas voaram pelo ar, gritos, corre-corre súbito. fugia lépido um leão, solto, livre, esfomeado. terror total na multidão. enquanto eles parados como um quadro, freeze frame da paixão. a fera aproximou-se rápido, pronta para dar o bote, engolir a rapariga, estraçalhar a pincesinha e arrotar seu laçarote. ele num gesto de magia, improvável Harry Potter, paralisou a grande besta. valente como nunca, agarrou a sua cauda e rodou no ar o mau leão, provocando a sua morte afogado num tufão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele levitou incrédulo. ela desmaiou de medo. perderam-se de vista ia a tormenta ao meio. nunca mais se encontraram. e os anos se passaram. ele seguiu com aquele circo, tal Mandrake redivivo, deu a volta ao planeta, só não voltou, no grande giro, a passar pela cidade. dela quis o destino pouco mais que o medonho. formou-se em contabilidade. casou, pariu, enviuvou. sem esquecer aquela noite do sorriso, da fera e do sonho. de como ela era tão menina. que ele tinha um aparelho. que ela era tão bonita. que ele era grande, bobo e feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas, o que é o mais irónico, foi o único que ela amou. ele que era anacrónico. como um trenó no inverno. como uma pálida polaroid. como um conto de amor eterno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111143414634177211?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111143414634177211/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111143414634177211' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111143414634177211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111143414634177211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/plida-polaroid.html' title='pálida polaroid'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111134340914365082</id><published>2005-03-20T09:59:00.000-08:00</published><updated>2005-03-20T10:41:27.276-08:00</updated><title type='text'>o homem de La Mancha</title><content type='html'>"o rapaz sem braços e sem pernas queria nadar. sonhava atravessar o Canal da Mancha".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;durante anos essas duas frases não saíam da cabeça. acho que elas primeiro me ocorreram durante uma visita a Londres. e eu sabia que mais cedo ou mais tarde iria escrever uma história a partir delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sei a quem interessa isso, mas a minha técnica de escrita tem muito a ver com essa coisa de ficar com uma frase solta na cabeça ou com uma palava cuja sonoridade me interessa ("inconstitucional" ou "paralelepípedo" são dois bons exemplos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na maior parte das vezes a frase vem e a história demora a vir. porém no dia que aparece, dá o ar da sua graça inteirinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o meu tempo normal de escrita de um conto é mais ou menos duas horas. sento-me ao computador e numa espécie de "jam" escrevo sem parar, sem saber para onde a história vai me levar. não sei o que vai acontecer na linha seguinte, não faço a mínima ideia sobre quais são as reais dimensões dos personagens. eles são para mim apenas palavras em movimento, pelo menos enquanto o conto não está terminado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aí vem o fim. ele aparece, não sou eu que decido. acho ele bom quando me supreende. e aí releio tudo. mudo uma ou duas palavras. procuro um título. fecho a loja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o conto em questão ( e que reproduzo a seguir), primeiro foi publicado com o título de "Longe é um Lugar que Não Existe", paródia do nome de um livro que fez grande sucesso nos anos setenta e que tentava convencer as pessoas que se tivessem muita fé em si mesmas poderiam tudo, até atravessar as paredes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;muitos anos depois, achei que "O Homem de La Mancha" era um título melhor para esse conto. e é assim que aqui ele aparece. espero que ache que os anos em que a frase original ficou marinando na minha cabeça tenham sido os suficientes para resultar numa boa história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;o homem de La Mancha&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o rapaz sem braços e sem pernas queira nadar. sonhava em atravessar o Canal da Mancha. queria mesmo bater o recode mundial dessa travessia. e por isso ele podia ser visto pelas manhãs nas margens do canal a passear na sua cadeira de rodas prateada. era nesses passeios que ele treinava. dava braçadas ilusórias contra ondas irreais. não tinha braços, não tinha pernas, mas tinha sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o rapaz não tinha pais, parentes, descendentes. a sua única companheira era uma enfermeira, gorda como uma baleia. era ela que empurrava de cá para lá, de lá para cá a sua cadeira. gostava de levá-lo para passear no canal por causa das gaivotas e dos ventos. havia lido, nuns quaisquer documentos, que os espaços abertos contribuíam para a tranquilidade de uma alma sofrida. nem imaginava as intenções secretas do pobre rapaz. de qualquer maneira, pensava, "passear mal não faz". a enfermeira, além de gorda, também se achava muito sabida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passados alguns anos, o rapaz sem braços e sem pernas já era um atleta. nadara milhares de quilómetros dentro da sua cabeça. ganhara medalhas de ouro, prata e bronze, todas atribuídas por um juiz que existia apenas em seu cérebro. e por mais que pareça absurdo, dentro do seu ranking etéreo, ele ocupava o primeiro lugar do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um belo dia, o rapaz sem braços e sem pernas cansou da ilusão. se ele queria atravessar o canal, teria que cair na água, sair do chão. faria isso de qualquer maneira, contra tudo, contra todos, contra a enfermeira. ele não tinha braços, nem pernas, mas era um homem duro. e depois de tantos anos de treino, sentia-se seguro. conhecia cada palmo da Mancha, sabia que se o seu desejo fosse verdadeiro, se a sua vontade fosse muita, poderia atravessar o canal e ser recebido na outra margem com uma grande festança. e então não seria mais o rapaz que braços e pernas não tinha, seria um herói nacional, mundial, interplanetário. dedicaria a vitória a todos os que ultrapassaram barreiras algum dia. e mostraria que, mesmo sem metade do corpo, estava no páreo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a enfermeira nem viu quando o rapaz, a utilizar apenas a força da mente, soltou o travão da cadeira, que saiu ladeira abaixo em desabalada carreira. não demorou a cair na água. e então o rapaz sem braços e sem pernas descobriu o que era um mergulho de verdade. sentiu as ondas a acariciarem-lhe o corpo, a deixarem-no louco. nesse momento ele tornou-se um puro de espírito, um ser sem vaidade. riu, sorriu, gargalhou. o seu sonho mais secreto tomara-se verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi aí que o rapaz deixou de ser ele mesmo e passou a simbolizar todos nós, a representar na sua débil estrutura os nossos mais íntimos desejos, as nossas mais estúpidas loucuras. ele iria atravessar o Canal da Mancha não mais para ganhar um prémio, para vencer uma aposta, nem porque gosta, ele iria fazer aquilo como um santo moderno para salvar-nos do inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e, pela primeira vez em décadas, parou de chover na Mancha e os raios de um sol muito forte iluminaram as águas. quem lá estava relata, talvez num exagero de prosa, que as nuvens tornaram-se algumas azuis e outras cor de rosa. é pouco provável, mas o rapaz pensou ter visto um golfinho a indicar-lhe o caminho. e ao mover a cabeça, ao girar o tronco, ao agitar o dorso, bendito seja, encontrou a paz necessária para cumprir o seu destino, para sentir-se uno, para sentir-se inteiro, para sentir-se todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;levaram uma semana para encontrar o seu corpo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111134340914365082?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111134340914365082/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111134340914365082' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111134340914365082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111134340914365082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/o-homem-de-la-mancha.html' title='o homem de La Mancha'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111109188200945259</id><published>2005-03-17T12:33:00.000-08:00</published><updated>2005-03-17T12:38:02.010-08:00</updated><title type='text'>bilíngue</title><content type='html'>o homem com duas línguas falava de mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o problema é que uma das suas duas línguas só falava estrangeiro, era poliglota. a outra traduzia em simultâneo, tornando as conversas com ele numa estranha experiência auditiva, como se estivéssemos a bater papo com uma entrega do óscar ou uma sessão da ONU.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o homem com duas línguas ainda tentou ser locutor de uma rádio pirata, cantor de casamentos, provador de vinho do Porto. mas não deu. por um desses tristes azares do destino, tipo Deus escreve certo por linhas tortas, eis que o homem com duas línguas também era gago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o fracasso fez degenerar o seu carácter. na falta do que dizer de si mesmo, tomou se bufo, o que não teria nada de errado não fosse ele parar várias vezes ao hospital por estar sempre a dar com a língua nos dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi num desses internamentos que ele encontrou um jornalista inglês que o levou para Londres para participar num reality show televisivo. foi lá, no programa, ao lado do homem com cinco orelhas e do rapaz de três rabos, que ele descobriu a mulher com duas vaginas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi amor à primeira vista. Sairam do estúdio directo para a cama. hoje o casal vive num subúrbio parisiense com a mulher a trabalhar como prostituta. como tem dois sexos, factura o dobro e cansa-se a metade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quanto ao homem com duas línguas, vive calado mas vive feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111109188200945259?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111109188200945259/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111109188200945259' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111109188200945259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111109188200945259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/bilngue.html' title='bilíngue'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111109110245967718</id><published>2005-03-17T12:19:00.000-08:00</published><updated>2005-03-17T12:25:02.473-08:00</updated><title type='text'>tolices - II</title><content type='html'>seguem mais e melhores tolices. ou como diria o meu Tio Olavo: "errar é umano".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"esta nova terapia traz esperanças a todos aqueles que morrem de cancro a cada ano."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"apesar da meteorologia estar em greve, o tempo esfriou ontem intensamente."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"os sete artistas compõem um trio de talento."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"a polícia encontrou no esgoto um tronco que provém, seguramente, de um corpo cortado em pedaços. e tudo indica que este tronco faça parte das pernas encontradas na semana passada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"a vítima foi estrangulada a golpes de facão."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"um surdo-mudo foi morto por um mal-entendido."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"os nossos leitores nos desculparão por este erro indesculpável."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111109110245967718?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111109110245967718/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111109110245967718' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111109110245967718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111109110245967718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/tolices-ii.html' title='tolices - II'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111087762173758494</id><published>2005-03-15T01:03:00.000-08:00</published><updated>2005-03-15T01:14:57.210-08:00</updated><title type='text'>tolices jornalísticas - I</title><content type='html'>ainda sou um caloiro nessas lides da blogosfera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;confesso que durante muito tempo não tive muito boa opinião dos blogs e coisas afins. é natural. uma das boas coisas de se ficar velho é não gostar de nada que seja novidade. o que dá imenso jeito, tendo em vista que nem tudo o que é antigo é mau como nem tudo o que é novo valhe a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;essa posição pode parecer meio reacionária. e é. mas vamos lá, não deixa de ser uma prova de alguma abertura intelectual render-se a uma coisa que antes só sabia dizer mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e olha que não tenho nada contra a internet, muito pelo contrário. já tive empresas na área na época do boom e, claro, perdi muito dinheiro com elas. mas valeu a experiência. agora prefiro investir a minha grana em viagens. adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo isso para contar uma história bem exemplar de como as coisas se processam no espaço virtual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há quase dez anos, escrevi uma crónica no diário de notícias sobre os equívocos factuais ou de linguagem que os jornais cometem no dia a dia. para ilustrar o raciocínio, transcrevi uma série de títulos de jornais que, apesar de reais, beiravam a estupidez. esses tais títulos vieram do livro de um francês que agora não recordo o nome. mas lá na crónica original constava tudo, o nome dele, o do livro, acho até que o da editora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passados alguns dias, fazendo uma pesquisa de rotina com o meu nome na internet (é, eu faço isso com frequência, mas isso já é assunto para outra crónica), encontrei alguns links para páginas onde estava parte da minha crónica, os tais títulos de jornais imbecis, para ser mais exacto. em nenhuma constava o nome do francês. em todas eu era apresentado como o autor da pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passadas mais algumas semanas, os links já estavam na ordem de algumas dezenas. uma grande maioria era (sei lá eu a razão) de sites brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mais algum tempo e descubro um texto publicado no jornal O Estado de São Paulo, assinado pelo Mário Prata, uns dos maiores cronistas do Brasil, onde a tal lista de títulos aparecia, dando a entender que eu havia enviado para ele. infelizmente, apesar até de o conhecer (embora ele, de certeza, não se lembre), nunca tive intimidade com o Mário para tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pouco depois, estou a assistir o programa do Jô Soares no GNT e o gordo diz que recebeu um e-mail de um tal de Edson Athayde, de Portugal, com uma série de títulos engraçado que haviam saído no jornal Diário de Notícias. a coisa deve ter feito sucesso, pois em pelo menos mais duas ocasiões a rábula se repetiu. eu nunca enviei e-mail nenhum para o Jô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e a coisa continua. cada vez que vou no Google há mais e mais sites com os tais títulos. já vão em centenas, alguns em inglês, espanhol e francês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acho estranho como uma simples colecção de frases deu tal volta ao mundo. acho mais estranho ainda eu ter me tornado pesquisador de jornais para um sem número de pessoas. mas assim é a internet. o que eu hei de fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bem, no mínimo, republicar aqui uma parte das tais frases (o restante segue outro dia). quem sabe você também não goste. e envia para cada vez mais gente. por exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"parece que ela foi morta pelo seu assassino"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"ferido no joelho, ele perdeu a cabeça."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"os antigos prisioneiros terão a alegria de se reencontrar para lembrar os anos de sofrimento."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"a polícia e a justiça são as duas mãos de um mesmo braço."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"o acidente fez um total de um morto e três desaparecidos. teme-se que não haja vítimas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"o acidente foi no tristemente célebre Rectângulo das Bermudas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"este ano, as festas do 4 de Setembro coincidem exactamente com a data de 4 de Setembro, que é a data exacta, pois o 4 de Setembro é um domingo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"o tribunal, após breve deliberação, foi condenado a um mês de prisão."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"quatro hectares de trigo foram queimados. a princípio trata-se de um incêndio."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"o velho reformado, antes de apertar o pescoço da sua mulher até à morte, suicidou-se."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"no corredor do hospital psiquiátrico, os doentes corriam como loucos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"ela contraiu a doença na época em que ainda estava viva."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"a conferência sobre a prisão-de-ventre foi seguida de um farto almoço."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"o acidente provocou uma forte comoção em toda a região, onde o veículo era bem conhecido."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"o aumento do desemprego foi de 0% em novembro."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"o cabrito-montês ficou morto na estrada durante alguns instantes."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"à chegada da polícia, o cadáver encontrava-se rigorosamente imóvel."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"as circunstâncias da morte do chefe de iluminação permanecem rigorosamente obscuras."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"o presidente de honra é um jovem septuagenário de 81 anos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"é uma bela obra, de onde parecia exalar toda a fria tristeza da estepe gelada. foi executada com um calor magistral."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"depois de algum tempo, a água corrente foi instalada no cemitério, para satisfação dos habitantes."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(continua)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111087762173758494?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111087762173758494/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111087762173758494' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111087762173758494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111087762173758494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/tolices-jornalsticas-i.html' title='tolices jornalísticas - I'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111082594480043827</id><published>2005-03-14T10:39:00.000-08:00</published><updated>2005-03-14T10:49:04.230-08:00</updated><title type='text'>velho é a avozinha</title><content type='html'>(a maioria d)as pessoas são como os espelhos, reflectem sem pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não estou livre desse vício. mas, confesso, com a idade, aprendi a pensar menos e, em contrapartida, a tentar pensar melhor. o que não deixa de ser contraditório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dizem que a velhice traz sabedoria. a mim está a trazer apenas rugas, gorduras localizadas e dúvidas inteiramente novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estou naquela fase a que os mais novos chamam meia-idade e os mais velhos chamam período produtivo. mais uma vez, os termos e as expressões não dizem nada. não me sinto a meio caminho de coisa nenhuma (muito menos, no caso, do túmulo) nem acho que ando a produzir muita coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;envolto neste mar de questionamentos, fui falar com o meu tio Olavo. sábio como sempre, ele deu-me algumas respostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tio Olavo, o que é ser adulto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;o adulto é uma criança recheada de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;tem saudades da sua juventude?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;às vezes. tudo era mais fácil. um jovem não precisa de razões para viver, apenas de pretextos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;isso quer dizer que era um jovem feliz?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;juventude e felicidade são conceitos antagónicos. o jovem vive tão intensamente que não pode ser feliz o tempo todo. isso da juventude ser feliz é uma invenção dos velhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;e é bom ser velho?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;nem tanto. hoje em dia, o único respeito que se tem para com os mais velhos é quando eles vêm engarrafados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;é assim tão mau?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;um bocado. mas de qualquer maneira, envelhecer é ainda o único meio que inventaram para se viver muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;tudo isso também é válido para as mulheres?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;uma mulher de 45 anos parece sempre mais velha do que um homem de 45. e sabe porquê? porque, na verdade, ela é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;explique-me melhor a influência da idade nas mulheres.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;aos 20 anos, a mulher é instável, como a Ásia. aos 30, é ardente, como a África. aos 40, é pragmática, como a América. aos 50, está fora do circuito, como a Austrália. aos 60, ela debruça-se sobre o seu passado e lamenta não ter aproveitado a vida, como a Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;o que é a terceira idade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;é quando você precisa de usar óculos até para ouvir rádio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;e qual é a verdadeira diferença entre as idades?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;os velhos crêem em tudo; as pessoas de meia-idade suspeitam de tudo; os jovens sabem tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;interessante.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Isso faz-me lembrar um poema, que diz o seguinte: às vezes fico aflito./nada faz sentido./quanto mais cresço,/menos o mundo cabe//no meu umbigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;para finalizar, quer dar algum conselho?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;torna-te velho cedo, se queres ser velho por muito tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111082594480043827?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111082594480043827/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111082594480043827' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111082594480043827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111082594480043827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/velho-avozinha.html' title='velho é a avozinha'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111063489279891145</id><published>2005-03-12T05:30:00.000-08:00</published><updated>2005-03-12T05:41:32.803-08:00</updated><title type='text'>más notícias</title><content type='html'>afinal, o que é a publicidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nos mais de vinte anos que tive de carreira publcitária, li e ouvi centenas de definições.&lt;br /&gt;algumas fazem mais sentido do que outras. todas tentam de alguma maneira explicar o que é essa coisa que entra na nossa casa, nos nossos olhos, orelhas e bocas sem pedir ao menos licença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que tal essa definição do finado comunicólogo e guru canadiano Marshal McLuhan: "os anúncios são notícias. o mal é que são sempre boas notícias. é por isso que os anúncios têm de gritar a sua mensagem feliz em voz alta e clara, a fim de contrabalançar o penetrante poder das más notícias que o circundam."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;McLuhan costumava ter razão no que dizia. foi ele que inventou o jargão "aldeia global" para definir o impacto que o desenvolvimento dos meios de comunicação provocariam na vida do planeta. e isso, décadas antes de inventarem a Internet e de alguém falar mal ou bem da globalização. na sua definição, McLuhan faz uma clara comparação entre as notícias dos jornais e as "notícias" publicitárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;diferente do jornalismo, onde o que interessa é a ruptura com o normal, a publicidade tem por hábito tentar "vender" um mundo bom. ao jornal não interessa o avião que não caiu. à publicidade interessa justamente o contrário: destacar com todas as letras que os aviões da companhia Y ou X nunca caíram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por conviverem no mesmo espaço (seja na TV, no rádio ou na impressa escrita) a publicidade e o jornalismo acabaram por criar uma relação clara de interdependencia. não, não estou a falar do velho lugar comum de que é o dinheiro da publicidade que financia a actividade jornalística. o que estou a dizer é que muito do impacto da publicidade reside simplesmente em trazer o belo, o mítico, o simbólico, o positivo, como se fosse uma aspirina, para quem vive confrontado com a dura realidade do dia-a-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no mundo da publicidade clássica todos os membros das famílias amam-se uns aos outros (noras e sogras incluídas). os cães são simpáticos. as casas são bem decoradas. as roupas estão sempre bem passadas. as crianças não são terríveis monstrinhos. até mesmo nos anúncios cómicos (inclusive naqueles onde as situações negativas são elevadas ao exagero, onde os personagens são caricatos, onde os cenários são surrealistas) o que interessa é que os problemas têm sempre uma solução, na forma de um produto ou serviço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de certa maneira, a publicidade funciona como as fábulas infantis. por mais que o lobo coma a avózinha haverá sempre um caçador para entrar na história e provocar um final feliz. outro possível ponto de comparação em termos de narrativa são as telenovelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o telespectador habitual de telenovelas sabe que, por mais confusões que aconteçam, os maus personagens serão, via de regra, punidos no final e os bons serão recompensados. muito do choque causado pelas campanhas da Beneton teve a ver com isso. teve a ver com a invasão de um espaço reservado para as boas notícias no nosso admirável mundo cão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vou dizer uma coisa terrivel: quanto piores forem as coisas na vida das pessoas mais eficaz é a publicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;duvida? então tente explicar porque resultam os anúncios de remédios milagrosos, de astrólogas que vêem o futuro, de paranormais que ensinam como ganhar na lotaria. esses anúncios, que para si não representam nada, podem ser a última esperança na vida de muita gente. claro que estou a falar numa situação limite. mas que representa muito da realidade de qualquer anúncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou como diria o meu Tio Olavo: "com boa publicidade as pessoas acreditam até em ovo quadrado."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111063489279891145?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111063489279891145/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111063489279891145' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111063489279891145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111063489279891145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/ms-notcias.html' title='más notícias'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111063384291724521</id><published>2005-03-12T05:21:00.000-08:00</published><updated>2005-03-12T05:24:02.920-08:00</updated><title type='text'>como vai, vai bem?</title><content type='html'>a história é brasileira, mas penso que pode alguma ter graça contada em portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nos anos 50, houve um presidente brasileiro chamado Dutra. rra um marechal gordinho e bonacheirão. na época os EUA estavam em plena política de boa vizinhança com a América do Sul. e o então presidente americano Truman foi ao Brasil fazer uma visitinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o problema é que o marechal Dutra não falava inglês. na verdade, o marechal Dutra não entrou para a história exactamente pela sua inteligência. Truman já sabia disso e foi instruído a não tentar fazer grandes conversas com o marechal. Truman tencionava apenas fazer curtas perguntas retóricas que não exigissem como resposta mais do que um inglês instrumental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e foi assim que, mal avistou o marechal Dutra no sagão do aeroporto do Rio de Janeiro, Truman estendeu-lhe a mão e disse com aquela simpatia artificial tipicamente americana: "how do you do, Dutra?" e Dutra, com um ar ligeiramente assustado, respondeu: "how tru you tru, Truman?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;perguntas retóricas. sempre fui encantado pelas perguntas retóricas. não servem para grande coisa. mas ao mesmo tempo não podemos viver sem elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o melhor exemplo são os cumprimentos. todos os dias falamos para alguém: "como vai, tudo bem?" até parece que realmente queremos saber como vão as coisas com os outros. mentira. estamos literalmente nas tintas com relação à vida da maioria do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"como vai, tudo bem?" a resposta é invariavelmente: "tudo bem." o que não passa de mais retórica. nada vai bem. ou, pelo menos, nem tudo vai bem com ninguém. há sempre uma avó que caiu da escada, um flho adolescente que passou 15 horas ao telefone numa linha erótica e produziu uma conta telefónica de dois mil contos, um cunhado que decidiu morar na sua casa e passa a vida a passear de cuecas pela sala, um cão que mordeu um vizinho que, em represália, pasou a ameaçar moder a sua empregada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;imagine se as pessoas passassem a responder com sinceridade ao "tudo bem?" num instante ninguém mais perguntava. apenas responderíamos com um "bom-dia" seco e sairíamos correndo com medo de ter que ouvir as mazelas alheias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e a maneira como atendemos o telefone em portugal? faz algum sentido perguntar a quem está do outro lado da linha "estou?". essa pergunta se for levada ao pé da letra deixa de ser retórica e passa a ser filosófica. "estou ou não estou, eis a questão.""estou, sim, logo existo." se não estivéssemos ao telefone poderíamos perguntar se estávamos? claro que não. a não ser que não estivéssemos nunca, que o universo, o tempo e a história não passassem de uma grande abstração, que a nossa existência fosse apenas a invenção de um autor vanguardista com pendores para a metafísica e, assim, seríamos apenas o atendedor de chamadas de nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as perguntas retóricas podem levar as pessoas ao delírio. é o caso de quando falamos com os bebés. quantas vezes não nos viramos para um sobrinho recém-nascido e perguntamos: "então, estás com saudades do tio?" quando indagamos isto estamos à espera do quê? o pobre miúdo só sabe chorar, comer, defecar e dormir. o máximo que podemos ter como resposta é um arroto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que, por acaso, também será apenas retórico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111063384291724521?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111063384291724521/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111063384291724521' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111063384291724521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111063384291724521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/como-vai-vai-bem.html' title='como vai, vai bem?'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111056338555318548</id><published>2005-03-11T09:46:00.000-08:00</published><updated>2005-03-11T09:49:45.556-08:00</updated><title type='text'>a última valsa</title><content type='html'>há coisas que parecem que acabam, mas na verdade nunca terminam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desaparecem, mas voltam, morrem, mas ressuscitam, desafiando as leis da lógica, da física, da metafísica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o ser humano tem a mania de ser moderno. como se ser moderno ou, pelo menos, ser modernista, não fosse por si só uma coisa do início do século passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e para ser moderno é preciso estar sempre a inventar qualquer coisa nova em contraposição a uma antiga. já dizia Napoleão: "os homens são melhor governados pelos seus vícios do que pelas suas virtudes." faz sentido. se o homem fosse lógico, ficava na mesma. não inventava o progresso e todas as suas maravilhosas consequências como o tamagotchi e a telepizza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o problema é que aprendemos a trocar de hábitos, de roupas, de penteados como se isso mudasse o que somos por dentro. e o que somos por dentro? em realidade não somos lá grande coisa. posso garantir que é impossível sentir algum tipo de atracção sexual ou admiração intelectual pelos rins de quem quer que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não nos enganemos. o mundo é um eterno retorno. damos cada passo para a frente apenas para disfarçar os dois passos que demos para trás. as coisas voltam, as coisas voltam. e é por isso que acho que ainda vamos acabar todos num grande baile de valsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não vai ser hoje, porque essas coisas levam o seu tempo. primeiro, vamos ter de enfrentar mais alguns anos de U2 e de Fafá de Belém. mas depois vai ser a vez da valsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho provas concretas disso. outro dia, liguei o rádio e ouvi uma valsa. dito assim, parece a coisa mais simples do mundo. mas não é. é assim que tudo começa. lembra-se quando você ouviu a "Macarena" pela primeira vez? pois é. quem me garante que a valsa não voltará a ser dança da moda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;supostamente, a valsa já foi extinta, como os dinossauros ou os mamutes, e substituída por coisas mais nobres e desenvolvidas, como a salsa e a dança da garrafa. de certa maneira, eu nem deveria saber o que é uma valsa. nem você. talvez a sua avó tenha valsado com naturalidade. provavelmente, a tentar controlar aquela mão atrevida do seu avô. mas o tempo e a história não nos deram este direito. já nascemos com a valsa completamente anacrónica e a cheirar a bolor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas o que eu sei é que outro dia no meu rádio tocou uma valsa. o "Danúbio Azul" para ser mais exacto. e a verdade é que eu sabia a sua melodia inteirinha. eu que mal consigo trautear uma canção dos Beatles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lembrei-me então de um texto do melhor cronista americano de todos os tempos, chamado H. L. Mencken, que há quase 100 anos escreveu: "a valsa nunca sai completamente de moda, fica apenas de tocaia; de vez em quando, faz um triunfal regresso, para tormento e corrupção da pureza química. (...) A valsa é, na verdade, magnificamente indecorosa, porque torna lúbrico o espírito. arrisco-me a dizer que as composições de Johann Strauss já fisgaram mais rapazes e moças do que todos os astros de cinema e caçadores de escravas brancas desde a queda do império romano. há algo de irresistível na valsa. aplique-a na mais gorda e patusca ou na mais magra e ácida das mulheres; e em dez minutos ela estrará pronta para o mais clandestino beijo atrás da porta."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se calhar é disso que o mundo precisa. de um bocadinho de valsa. um mundo com valsa é um mundo com algum pudor. é um mundo que cora ao mais pequeno indício de pecado. e que ainda acredita que certas coisas até podem ser feitas, mas não podem ser ditas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de qualquer forma, se mais cedo ou mais tarde, a Coréia ou os EUA vão atirar bombas atómicas sobre o planeta e provocar o apocalipse, sempre seria mais bonito que isso acontecesse ao som de uma valsa, a última valsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rodopiaríamos entre as ondas de radiação até sermos engolidos pelas fendas que se abririam no chão. ou até a orquestra acabar o tema e passar a tocar o último sucesso do Roberto Carlos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou como diria o meu Tio Olavo: "dançar valsa é uma das duas melhores coisas do mundo. e a única que dá para fazer com roupa."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111056338555318548?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111056338555318548/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111056338555318548' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111056338555318548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111056338555318548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/ltima-valsa.html' title='a última valsa'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111056230069802669</id><published>2005-03-11T09:27:00.000-08:00</published><updated>2005-03-11T09:54:46.096-08:00</updated><title type='text'>elogio à loucura</title><content type='html'>vivo a dizer que uma coisa é ser sério, outra é ser sisudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um pouco de leveza nunca fez mal a ninguém. só assim é que dá para toca a vida sem criar cabelos brancos até debaixo do braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;outro dia, enviaram me um e mail que mais ou menos ensina como viver mantendo um nível saudável de insanidade. é um manual que não deve ser seguido à risca, mas que traz algumas boas sugestões como:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) no seu horário de almoço, sente-se no seu carro estacionado, coloque óculos escuros e aponte um secador de cabelos para os carros que passam. veja se eles diminuem a velocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) encoraje os seus colegas de escritório a fazer uma dança das cadeiras sincronizada consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) insista que o seu e mail é xena.princesa.guerreira@telepac.pt ou elvis.o.rei@hotmail.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) coloque a sua lata de lixo sobre a mesa e cole uma placa a dizer "entre, se faz favor" nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) sempre que alguém lhe pedir para fazer alguma coisa, pergunte se quer batatas fritas a acompanhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) sempre que alguém lhe falar alguma coisa, responda com "isso é o que você pensa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7) termine todas as suas frases com "de acordo com a profecia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8) escreva sem usar maiúsculas ou qualquer tipo de pontuação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9) sempre que possível, salte ao invés de andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10) pergunte às pessoas de que sexo elas são. ria histericamente depois que elas responderem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11) descubra onde o seu chefe faz as compras e compre exactamente as mesmas roupas. use-as um dia depois do seu chefe usá-las. isso é especialmente efectivo se o seu chefe for do sexo oposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12) coloque uma tela de mosquitos ao redor do seu posto de trabalho. toque um CD com sons da floresta o dia inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13) com cinco dias de antecedência, avise aos seus amigos que não pode ir à festa deles, porque "não está no clima".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14) faça os seus colegas de trabalho chamarem-lhe pelo seu apelido, que é "Duro na Queda".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15) quando sair de um banco, grite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16) sempre que o seu chefe pedir uma opinião, depois de responder acrescente: "garantem-me as vozes na minha cabeça."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17) na hora do jantar, anuncie para os seus filhos: "devido à nossa situação económica, teremos de mandar um de vocês embora."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18) todas as vezes que você vir uma vassoura, grite: "amor, a sua mãe chegou!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19) ao sair do prédio da sua empresa, corra na direcção do parque de estacionamento sempre a gritar: "salve se quem puder, eles estão soltos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20) mande um e-mail com uma cópia deste texto para toda a sua lista de endereços, mesmo que eles tenham pedido para você não mandar e-mails como este.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;amigo, siga essas instruções. seja insano e seja feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111056230069802669?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111056230069802669/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111056230069802669' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111056230069802669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111056230069802669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/elogio-loucura.html' title='elogio à loucura'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111053321071247940</id><published>2005-03-11T01:14:00.000-08:00</published><updated>2005-03-11T01:29:28.006-08:00</updated><title type='text'>11 de Março</title><content type='html'>passado apenas 1 ano desde o atentado de madri, a ideia que se tem aqui no burgo é que o mundo está em paz e não há mais ameaça alguma no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tanto é verdade que praticamente não se falou no assunto durante as recentes eleições. estamos, aparentemente, no lugar mais seguro do mundo, que é em cima do muro. onde, provavelmente, as bombas do senhor George W. Bush e do senhor Bin Laden não chegam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deve ser por isso que leio cada vez mais nos periódicos aqui da província textos a tentar ver razões em ambas as partes da contenda (como num acidente de trânsito em que um motorista que ia na contra-mão bate num outro que vinha bêbado como um texugo). de que lado está a razão? que venha o diabo e escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;isso me faz lembrar de um velha lenda judaica, que fala de uma desavença entre Jacob e Salomão que, estando em desacordo, foram falar com o rabino e ver quem é que estava com a razão.o rabino recebeu os em casa e pediu que Jacob explicasse a sua versão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jacob dissertou brilhantemente e ao fim o rabino disse: "Jacob, você está com a razão."Salomão ficou enfurecido. disse que também queria mostrar o seu ponto de vista e então contou o que tinha se passado na sua opinião. foi tão ou mais eloquente que Jacob. ao fim, o rabino disse: "Salomão, você está com a razão."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e assim, os dois, Jacob e Salomão, saíram da casa do rabino pacificados, cada qual com a sua razão.mas Sara, a mulher do rabino que a tudo assistiu, ficou extremamente descontente com o resultado da consulta. voltou se contra o marido e argumentou que aquilo não era justo, que dois oponentes não podem ter igualmente razão, que ele, o rabino, deveria ter tomado o partido de um dos lados e dado a razão apenas a quem merecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o rabino ouviu Sara atentamente, pensou um bocado e disse, ciente de que estava a fazer justiça: "é verdade, Sara. afinal, você é que está com a razão."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111053321071247940?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111053321071247940/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111053321071247940' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111053321071247940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111053321071247940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/11-de-maro.html' title='11 de Março'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111053247552715888</id><published>2005-03-11T01:05:00.000-08:00</published><updated>2005-03-11T01:33:05.743-08:00</updated><title type='text'>lógica</title><content type='html'>diz a lógica que há melhores maneiras de se matar um rato do que atirando nele um piano de cauda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas a lógica diz muitas coisas. a maior parte delas sem lógica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sou o Manuel Carrilho, mas o pouco que estudei de filosofia faz me ver que, desde Aristóteles, pouco evoluímos além do raciocínio dedutivo. e o raciocínio dedutivo levou ao silogismo (meu Deus!, estou a ficar velho e chato, nunca pensei que um dia escreveria uma frase dessas).e o silogismo levou a todos os tipos de disparates, muitas vezes apresentados como uma simples questão de lógica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;senão, vejamos: as guerras são coisas barulhentas; a paz é silenciosa; como saímos às ruas e não ouvimos os ruídos das bombas, logo, estamos em paz. as más notícias vêm rápido; as boas notícias demoram; como ainda não aconteceu nada mais visivelmente pavoroso no nosso horizonte geográfico mais próximo depois do atentado de 11 de março, há muita gente por aí a afirmar que, logo, o pior já passou. vale lembrar que foi a partir de lógicas como essas que as grandes guerras do passado encontraram terreno fértil para vingar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou, como diria o meu Tio Olavo, a respeito do andar dos acontecimentos e apoiando se na lógica: "não adianta reclamar. depois que a pasta de dente sai do tubo é quase impossível fazer com que ela volte para dentro."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111053247552715888?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111053247552715888/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111053247552715888' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111053247552715888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111053247552715888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/lgica.html' title='lógica'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111048475493175337</id><published>2005-03-10T11:58:00.000-08:00</published><updated>2005-03-10T11:59:14.936-08:00</updated><title type='text'>as leis de edson</title><content type='html'>a coisa mais fácil do mundo é ditar regras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deve ser por isso que praticamente todas as publicações do mundo se esfalfam em estabelecer leis sobre todas as coisas. de "como salvar o seu casamento" até "como ficar rico sem fazer força", passando por "truques fantásticos para conseguir orgasmos multiplos na terceira idade", tudo parece caber dentro de fórmulas matemáticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como não sou alheio a essas coisas, vou também meter a minha colher na conversa. seguem as "Leis de Edson" para quem quer dar certo na vida. não sei se vão resultar no seu caso, só sei que comigo a coisa funcionou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) não seja parvo. 90 % das pessoas são parvas. dos 10 % que restam, 9 % são loucas de babar na gravata ou de correr atrás de avião para anotar a placa. ou seja, apenas 1% tem o cérebro em pleno funcionamento. e é essa minoria que tem alguma chance de dar certo no que quer que seja. nem é preciso ser génio. basta ser menos idiota do que os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) trabalhe. é triste ter que afirmar isso. mas ainda não inventaram um negócio onde se pode ganhar dinheiro sem trabalhar. do céu, amigo, só cai chuva e avião. para ficar rico, você vai ter que levantar o rabo da cadeira e pôr a mão na massa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) seja pessimista. tudo na vida que tende a dar certo costuma dar errado. e tudo que tende a dar errado com certeza dará. o pessimista nada mais é do que um optimista bem informado. e o único que faz planos altemativos para o caso das coisas não sairem como o desejado. num mundo em que tudo é novo e muda do dia para a noite, o melhor é não contar com o ovo dentro da galinha e estar preparado para o pior. e rezar para estar enganado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) tenha humildade. por incrível que pareça (e por mais injusto que seja), fora a sua mãe, toda a humanidade acha que você é bem pior do que imagina. E acredita que seria um excelente negócio comprar você pelo que vale e vender depois pelo que você pensa que vale. todas as manhãs olhe-se no espelho e faça uma rigorosa autocrítica. quanto mais acreditar que é maravilhoso, mais terá chances de enganar a si mesmo e ir de cabeça numa grande furada. gostar de si mesmo é bom. mas não esqueça que o amor emburrece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) faça as coisas na hora certa. o que ontem era excelente, amanhã pode ser uma porcaria. é preciso estar sempre a inventar(-se) e a reinventar(-se). A aprender e a reaprender. entre nos negócios sempre com a certeza de que eles não têm formatos definitivos. e mude o negócio (ou de negócio) com a rapidez devida. não se esqueça da grande máxima da vida: jacaré parado,vira bolsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou como diria o meu Tio Olavo: "para vencer na vida não é preciso ser o melhor. basta ser o mal menor."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111048475493175337?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111048475493175337/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111048475493175337' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111048475493175337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111048475493175337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/as-leis-de-edson_111048475493175337.html' title='as leis de edson'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111047828539400141</id><published>2005-03-10T10:06:00.000-08:00</published><updated>2005-03-10T10:11:25.396-08:00</updated><title type='text'>cristo e o publicitário</title><content type='html'>essa é dos tempos em que eu era publicitário:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um dia, o dono da fábrica de pregos baptista decidiu fazer uma grande campanha a promover os seus produtos. foi até uma agência da moda, fez o seu briefing e teve a garantia do director criativo de que os anúncios seriam extremamente criativos e de grande impacto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passadas duas semanas, o dono da fábrica de pregos estava no seu carro a ir para o trabalho e deparou-se com uns cartazes de rua a mostrar a fotografia de um Cristo de cabeça para baixo, pregado apenas pelos pés. nos cartazes, podia ler-se: "se usassem os pregos baptista, ele não caía."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o dono da fábrica quase teve um ataque do coração. foi directo até a agência exigir uma explicação. o director criativo mostrou-se supreso com a reacção do cliente. afinal, tinha feito o prometido: anúncios que chamavam a atenção. mas o dono da fábrica argumentou que muitos dos seus clientes eram católicos e de certeza não gostariam de ver Jesus Cristo a ser gozado daquela maneira. o director criativo, mesmo a contragosto, aceitou fazer novos cartazes com a promessa de não usar mais a imagem de Cristo. Mas avisou que seriam, ainda assim, peças de grande impacto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no dia seguinte, o dono da fábrica saiu de casa e viu os seus novos cartazes na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eram um anúncio de grande simplicidade. onde se viam apenas uma marca de sangue na parte de baixo do outdoor e uma frase a dizer: "se usassem os pregos baptista, ele não fugia."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111047828539400141?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111047828539400141/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111047828539400141' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111047828539400141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111047828539400141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/cristo-e-o-publicitrio_10.html' title='cristo e o publicitário'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111047772587682446</id><published>2005-03-10T09:50:00.000-08:00</published><updated>2005-03-10T10:02:05.896-08:00</updated><title type='text'>diálogo de surdos</title><content type='html'>outro dia, um investidor português perguntou-me o que eu achava dele aplicar parte do seu dinheiro em projectos no Brasil. não foi o primeiro a tocar no assunto comigo (por ser brasileiro, as pessoas acham que tenho alguma credibilidade nessas questões).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;via de regra, em casos desses, costumo recomendar alguns cuidados. o facto de falarmos todos a mesma língua (ou, pelo menos, línguas muito parecidas), não faz com que a comunicação entre as partes seja sempre a melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aliás, é aí que reside o principal problema nas relações empresariais entre os dois países. portugueses e brasileiros tendem a acreditar que, quando se sentam para negociar, são iguais na maneira de pensar. não são. na verdade, há um oceano de separação (a metáfora é velha e gasta, mas serve perfeitamente para o caso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por exemplo, o brasileiro costuma acreditar que está a falar com quem deve. o modelo de gestão português é muito diferente do brasileiro (que é bastante americanizado). um director executivo brasileiro costuma estar mandatado para (pasmem!) mandar. não tem que necessariamente reportar cada acto de gestão a um administrador que reporta a um conselho de administração que reporta ao presidente do conselho de administração que reporta ao conselho de administração da holding que reporta, reporta, reporta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já acompanhei diversas negociações entre brasileiros e portugueses. chega a ser caricato o diálogo de surdos estabelecido entre as partes. enquanto o brasileiro apanha o avião da Varig de volta para casa a achar que tudo está decidido, é aí que o português vai começar a encaminhar os papéis dentro de casa e ver se consegue dar seguimento ao processo sem esbarrar nas vontades políticas internas que o cercam. ah, e já agora, ver se afinal há mesmo dinheiro para tocar a coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não estou a dizer que uma das partes está mais certa que a outra. o voluntarismo e a rapidez de decisões exigidas de um executivo brasileiro têm a ver com um mercado muito agressivo e com condições económicas que estão sempre a mudar. no meio de tanta agilidade, muitos negócios dão errado por não terem tido tempo suficiente para serem maturados. a ditadura do "fazer" nem sempre é a melhor para quem gosta de pensar antes de decidir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ainda na questão do ritmo em que as coisas são tratadas, o brasileiro costuma tocar os projectos sempre de maneira condicional. Ou seja, se não der certo, fecha-se o negócio, encerra-se a parceria, parte-se para outra. ninguém quer fazer negócios para sempre. os projectos existem enquanto valem a pena. e só. o português pensa justamente o contrário. se é para fazer um negócio, que ele seja perene, semente para coisas ainda maiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e os preconceitos? o português costuma acreditar que o brasileiro não gosta de trabalhar. logo, todos os processos irão se arrastar por falta de dedicação do brasileiro. a realidade pode ser outra. o brasileiro (como já disse) tem sempre um timing muito apertado para fazer as coisas. não pode, por exemplo, esperar que Portugal regresse dos seus quase três meses de férias de verão para que as coisas voltem a andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma vez, ouvi de um investidor brasileiro que pretendia vir a Portugal em agosto para agilizar os processos da sua parceria comercial. quase caí no chão de tanto rir. e foi com alguma dificuldade que lhe expliquei que ou as coisas estavam prontas em maio ou só valia a pena pensar que ficariam decididas em outubro ou novembro. no mínimo, faltaria sempre uma assinatura no contracto (fruto da ausência momentânea de algum administrador que estaria de férias).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quanto ao rigor dos números, esqueça. o brasileiro não costuma gastar muito tempo a quantificar dados rigorosos sobre nada. é tudo sempre estimado por cima. se quer saber ao centavo quanto irá investir no Brasil mais vale ir fazer negócios na Suécia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;outro detalhe divertido tem a ver com a questão monetária. se vai negociar com um brasileiro leve uma máquina de calcular e os indíces do câmbio do dia. brasileiro só sabe fazer contas em dólar. e, consequência disso, os valores que são discutidos à mesa são sempre flutuantes. basta amanhã o real ser devalorizado em 30% e o negócio que está a fazer ficará 30 % mais caro. pensa que o brasileiro acha isto um grande problema? na verdade, não. ele pensa que esse tipo de imprecisão, como é óbvio, faz parte do próprio negócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, é mais do que natural que existam negócios entre Brasil e Portugal. essa é a única maneira de brasileiros e portugueses competirem contra o bloco hispanico. ao Brasil interessa fincar uma bandeira em solo europeu. e a Portugal interessa um mercado da dimensão do brasileiro. ou como diria o meu Tio Olavo: "a minha pátria é a minha língua."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111047772587682446?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111047772587682446/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111047772587682446' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111047772587682446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111047772587682446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/dilogo-de-surdos.html' title='diálogo de surdos'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111047636875233795</id><published>2005-03-10T09:36:00.000-08:00</published><updated>2005-03-10T10:20:36.903-08:00</updated><title type='text'>viva a imbecilidade</title><content type='html'>há tempos, tropecei numa música que tinha como tema a burrice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como é óbvio, a canção não era brilhante. é uma pena que seja sempre assim: por algum motivo que desconheço, a humanidade passa a maior parte do tempo a gastar a sua melhor energia criativa a falar da inteligência em vez de reflectir sobre cretinice. como se, via de regra, as pessoas que encontramos no nosso dia a dia não fossem idiotas reincidentes, parvalhões declarados, gente com dois neurónios (que mal se conhecem e raramente se cumprimentam).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aliás, para não parecer parcial, somos percebidos pelos outros da mesma maneira: não passamos de imbecis de pai e mãe, cretinos mal amanhados, patetas de plantão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não, não me venha fazer essa cara de "comigo não é assim". é, ponto final. você tem tanto respeito pela inteligência alheia como pelo raciocínio de uma ameba albina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a música sobre a qual falei é de um grupo chamado Simply Red. trata-se de uma balada romântica sobre um tipo que está a namorar uma linda mulher que é tão burra, mas tão burra, que o tal namorado cada vez que se encontra com ela só pensa em se suicidar. e ela, coitada, não percebe nada, não está nem aí, é feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a verdade é que não há imbecil que não seja profundamente feliz. nunca encontrei um beócio stressado ou um energúmero entristecido por não atingir as suas metas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o cretino é por definição a pessoa mais bem resolvida do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele tem o mundo nas mãos, não tem dúvidas sobre nada (para duvidar de alguma coisa é primeiro conhecer a coisa e saber que há alternativas para ela).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um certo filósofo uma vez afirmou que a "ignorância tem asas de águia e olhos de coruja". é uma bela frase, embora não consiga perceber o seu significado. diga se de passagem, raramente percebemos o significado do que quer que seja. apenas intuímos que percebemos o que nos dizem e daí tiramos ilações e certezas. deve ser por isso que há discussões, brigas e guerras: cada um percebe o que bem lhe apetece e o que lhe traz mais vantagens, daí para uma cena de porradaria é um passo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vamos lá, vamos lá, amigo, vamos deixar de tentar parecer inteligentes, até porque ninguém acredita. vamos partir do princípio de que nada sabemos e daí tentar descobrir o que vale a pena saber. mire-se num exemplo de sucesso: o George W. Bush, se não fosse um palerma, nunca chegaria a presidente dos EUA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou como diria o meu Tio Olavo: "os imbecis deixam as suas impressões digitais no que dizem."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111047636875233795?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111047636875233795/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111047636875233795' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111047636875233795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111047636875233795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/viva-imbecilidade.html' title='viva a imbecilidade'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111042347342216610</id><published>2005-03-09T18:47:00.000-08:00</published><updated>2005-03-10T12:14:21.033-08:00</updated><title type='text'>a felicidade é um estado imaginário</title><content type='html'>você é feliz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não, não perguntei se você está feliz, perguntei se é. a diferença não é pequena e não é apenas semântica. a maioria das pessoas dá pouca importância à felicidade. estamos todos mais preocupados com coisas menores, como a alegria, por exemplo. a humanidade se quer alegre, o ser humano tem um infinita vocação em se tornar numa espécie de hiena bêbada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um poeta já disse: a felicidade é um estado imaginário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e eu acrescento: não, uma pessoa não pode ser normal e feliz ao mesmo tempo. daí aquela velha história de que só os loucos são felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;segundo percebo, a questão da felicidade é mais ou menos nova para a nossa civilização. até há bem pouco tempo, estávamos mais preocupados em encontrar batatas para comer, viver até aos 30, não ser queimados pela inquisição e evitar mandar piropos à mulher do rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;agora, com a vida mais ou menos estendida pela medicina e com os fins-de-semana livres para uso próprio, é que temos tempo para reflectir sobre coisas mais ou menos importantes como a felicidade. ou se a luz se apaga quando fechamos a porta do frigorífico. adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;preocupado com o tema, fui conversar com o meu tio olavo. o velho, ajudado pela sua infinita colecção de achismos e citações, deu-me as seguintes respostas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;tio Olavo, o que é a felicidade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;felicidade é ter uma família grande, amorosa, cuidadosa, que se preocupa consigo e está bem unida, só que em outra cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;só isso?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;bem, a felicidade está nas pequenas coisas: um pequeno iate, um pequeno rolex, uma pequena mansão, uma pequena fortuna...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;é uma questão de dinheiro, portanto.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;para falar a verdade, nem tanto. devo admitir que há coisas mais importantes na vida do que ter algum dinheiro. ter muito dinheiro, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;a idade traz a felicidade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;às vezes. a felicidade é, no fundo, uma questão de ter boa saúde e péssima memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;teve uma vida feliz?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;acho que sim. se eu tivesse que viver a minha vida outra vez, cometeria os mesmos erros, só que mais cedo. aliás, não leve a vida tão a sério. ela não é permanente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;que conselhos daria para quem deseja uma vida mais feliz?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;escreva diariamente o seu próprio horóscopo. pare de se achar o centro do universo. principalmente porque, quando você morrer, o sucesso do seu funeral vai depender apenas do tempo que estiver a fazer. diariamente, sorria e diga "olá" a pelo menos cinco estranhos que encontrar na rua. esqueça todos os rancores, perdoe todos os inimigos. se conseguir fazer isso, diga-me como.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111042347342216610?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111042347342216610/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111042347342216610' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111042347342216610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111042347342216610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/felicidade-um-estado-imaginrio.html' title='a felicidade é um estado imaginário'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111042199053352649</id><published>2005-03-09T18:30:00.000-08:00</published><updated>2005-03-09T18:33:10.533-08:00</updated><title type='text'>honestamente</title><content type='html'>recebi um e-mail que demonstra um bocadinho do que nós, latinos, pensamos sobre a nossa maneira de ser. o e-mail diz o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a ONU decidiu realizar um debate sobre a fome. para tanto, enviou uma mensagem pedindo que todos "respondessem, por favor, honestamente sobre a questão da escassez de comida nos seus países."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a mensagem causou uma enorme confusão. os holandeses, por mais que pensassem, não conseguiam descobrir o significado da palavra "escassez".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os franceses desconheciam totalmente o conteúdo da expressão "por favor".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os africanos tinham dúvidas sobre o que era aquela coisa chamada "comida".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas o pior aconteceu no brasil, na espanha, na itália e em portugal. dois meses depois, mesmo após imensos debates nos parlamentos e nos media, ninguém conseguia perceber o que a ONU queria dizer com a palavra "honestamente".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111042199053352649?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111042199053352649/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111042199053352649' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111042199053352649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111042199053352649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/honestamente.html' title='honestamente'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111042142049326160</id><published>2005-03-09T18:12:00.000-08:00</published><updated>2005-03-09T18:23:40.496-08:00</updated><title type='text'>factóides</title><content type='html'>as palavras, sempre as palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;elas andam por aí na boca do povo, escritas em muros, papéis, computadores. esprema uma palavra e ela conta tudo, mesmo quando ela foi feita para não dizer nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os neologismos são um bom exemplo disso. os neologismos dizem muito sobre a evolução de uma sociedade. os neologismos são criados quando as pessoas precisam de palavras novas para definir coisas que antes não existiam (e, vamos ser sinceros, cada vez mais existem coisas que nunca existiram antes). e um neologismo que tem tudo para entrar na moda em portugal é a palavra "factóide".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;0 factóide é o facto que não é necessariamente um facto. é o facto inventado, travestido, recriado, induzido para se tornar notícia. segundo um dicionário inglês um factóide é "algo fictício ou não provado, mas apresentado como facto, para efeito de propaganda, e incorporado por insistente repetição". já um outro dicionário (no caso, brasileiro) diz que um factóide é um "facto, verdadeiro ou não, divulgado com sensacionalismo, no propósito deliberado de gerar impacto."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em época de eleições é fácil ver a quantidade industrial de factóides, criados pelos diversos candidatos. é a chamada agenda de campanha, que leva os políticos a lugares que não frequentatam no dia a dia (feiras, creches, asilos, esquadras), a falarem sobre números, relatórios, projectos que ninguém tem a capacidade de guardar na memória, nem tempo de verificar a sua veracidade ou o seu pé na realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aliás, os candidatos que não acreditam que possam ganhar são os mais eficientes produtores de factóides. inventam planos que só por obra de magia poderiam ser concretizados. mas como não vão ganhar, tanto faz. é esse raciocínio que leva, por exemplo, um candidato a uma autarquia a pronunciar-se sobre questões sobre as quais não tem a mais pequeria influência, como prometer acabar com o desemprego ou mudar os horários das telenovelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando um candidato diz que Lisboa precisa de mais 1500 polícias, ninguém se lembra de perguntar onde, quando e porquê. são 1500; nem 1258, nem 979. 1500 é um número grande, gordo e exacto, como todos os números deveríam ser. 0 factóide tem essa qualidade, é redondo, não tem a ponta por onde se lhe pegue, agarra nos olhos e nos ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na recente campanha, havia um candidato que prometia "fazer". outro propunha que o melhor era "acreditar". "fazer" ou "acreditar" não passam de verbos que não deveriam adjectivar o que quer que seja. e têm tanta profundidade politica quanto "comer", "andar" ou "transpirar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e assim, de cartazes que nada dizem a boatos que dizem o indizível, de factóide em factóide, o eleitor vai ficando mais ou menos desinteressado na política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou como dizia o meu Tio Olavo: "o melhor cartaz eleitoral que já vi foi o de um candidato a uma câmara no interior do brasil. o cartaz mostrava a foto do candidato (que era negro) e dizia em letras garrafais: "não vote em branco"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111042142049326160?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111042142049326160/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111042142049326160' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111042142049326160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111042142049326160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/factides.html' title='factóides'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111042058125371434</id><published>2005-03-09T18:00:00.000-08:00</published><updated>2005-03-09T18:09:41.256-08:00</updated><title type='text'>achismos do meu tio</title><content type='html'>já agora, a propósito das recentes eleições, o meu Tio Olavo enviou me uma série de frases que falam sobre os políticos e a política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vale a pena ler tais achismos, no momento em que estamos prestes a ter um novo governo. por exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"acho que o político é um sujeito que vive às claras, aproveitando as gemas e sem desprezar as cascas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"acho que o estômago sadio é sempre conservador. poucos radicais têm boa digestão."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"acho que não é raro que o diâmetro do cérebro de um político seja inferior ao do seu bolso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"acho que político é como cozinheiro: quem faz o melhor bocado nem sempre o come."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"acho que 90 % dos políticos dão aos 10 % restantes uma péssima reputação."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"acho que todo poder é emprestado e há de retornar aos seus legítimos donos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"acho que se votar resolvesse alguma coisa, votar seria ilegal."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"acho que o melhor é votar no candidato que promete menos. você ficará menos decepcionado."&lt;br /&gt;(essa é particularmente interessante se lembrarmos da campanha do Sócrates)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"acho que a melhor plateia para um comício é uma plateia inteligente, educada e ligeiramente bêbada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"acho que numa democracia, o direito de ser visto ou ouvido não inclui automaticamente o direito de ser levado a sério." (essa é uma homenagem ao Santana)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111042058125371434?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111042058125371434/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111042058125371434' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111042058125371434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111042058125371434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/achismos-do-meu-tio.html' title='achismos do meu tio'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111038014833084745</id><published>2005-03-09T06:47:00.000-08:00</published><updated>2005-03-09T06:55:48.333-08:00</updated><title type='text'>eu te amo, gary</title><content type='html'>então é assim: Gary precisa de ouvir que nós o amamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não, não conheço o Gary (na verdade, não conheço, nem nunca conheci Gary algum). ele mora no Village, em Nova Iorque. Suponho que vocês também não o conheçam. não importa, o Gary quer que vocês liguem para ele e digam: "eu te amo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e é aí que começa a história. Gary estava apaixonado (não sei se pela namorada, noiva, esposa, marido, namorado ou amante, isso de morar no Village tem dessas coisas). e levou, como se diz no Brasil, com o pé na bunda. ela (ou ele) foi-se embora e deixou o Gary na lama, no lodo, na merda. Gary então trancou-se em casa e entrou em depressão. sumiu da vista de todos e o mais provável é que fosse desta para melhor não acontecesse (como num filme de Hollywood) a intervenção do seu amigo Thomas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como o Gary não atendia mais o telefone nem abria a porta do apartamento para ninguém, Thomas teve uma pequena grande ideia. contratou os serviços de uma caixa-postal telefónica e mandou imprimir milhares de pequenos folhetos a dizer nada mais do que "por favor, diga 'Gary, eu te amo' depois do sinal. obrigado", seguido de um número de telefone. os folhetos foram distribuído sem maiores explicações para os peões que circulavam por alguns pontos de Manhattan. resultado: milhares de pessoas ligaram, sem saber porque o faziam, para o Gary e disseram "eu te amo". claro que boa parte delas prefiriu personalizar a mensagem, acrescentando todos os tipos de adereços. houve o rapaz que disse "I love you, Gary. este é o som do Brooklyn aqui ao fundo... paz". alguns criaram poemas para o rapaz desconhecido. e, a mais tocante, a mensagem da rapariga que disse ter encontrado o folheto no chão, numa tarde fria, e que aquilo a fez sentir saudades dos pais e que depois de dizer que o amava (o Gary) iria tentar voltar a ter contacto com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o certo é que ligar para o Gary tornou-se moda. a ponto das pessoas perguntarem-se umas para as outras: "já ligou para o Gary a dizer que o ama". a onda foi tão grande que virou tema de reportagem do "New York Times", que finalmente desvendou o mistério sobre quem era o Gary e o porque das mensagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o amigo Thomas já editou um CD com as melhores mensagens para o Gary. ste ouviu e saiu da depressão profunda em quem estava. ainda não está bom de todo, mas para lá caminha (se quiser também ligar para ele é só teclar o código internacional mais (212) 560 2306).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e é aí que voltamos para Portugal e para a política. temos um primeiro-ministro novinho em folha. como parece óbvio, trata-se de uma pessoa inteligente o suficiente para perceber que a maioria dos eleitores é bastante cínica na relação que tem com os políticos. ou seja, apesar de votar, os eleitores pouco crêem na política e nos seus agentes. daí que os próprios políticos podem se sentir menos responsáveis em tornar realidade quase todas as utopias. não é necessário, não é fundamental, ninguém que votou neles acredita mais nessas coisas. mas e se isso fosse diferente? e se os votos tivessem nome, idade, rosto, profissão? e se cada voto fosse nada mais do que um "boa sorte, Sócrates". e quem fala sorte, fala mensagem. mas como não podemos escrever coisas no boletim de voto, que tal seria se entupissemos a caixa de correio electrónico do engenheiro com todo o tipo de votos positivos e mensagens de apoio? e se (mais uma vez, como num filme de Hollywood) essas dezenas, centenas, milhares de mensagens (algumas com fotos de bébés, outras com sonetos de gosto duvidoso, outras telegráficas porém sinceras e eficazes) ajudassem a comover o homem, a pessoa, que existe dentro daquele político que vai estar a frente do país?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ok, ok, podem ficar tranquilos, não bebi, nem enlouqueci. apenas fiquei tocado pela história do Gary. e sempre tive um fraco por filmes do Frank Capra. eu sei que estamos em portugal, onde já e difícil dizer um bom dia com sinceridade, quanto mais mandar mensagens positivas para um político no poder. mas pelo sim, pelo não, fica aqui a ideia (e, já agora, o e-mail do engenheiro é o socrates@ps.parlamento.pt) quem sabe se algum de vocês não me faz a vontade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111038014833084745?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111038014833084745/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111038014833084745' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111038014833084745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111038014833084745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/eu-te-amo-gary.html' title='eu te amo, gary'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11310413.post-111028560190885638</id><published>2005-03-08T04:28:00.000-08:00</published><updated>2005-03-08T04:42:40.943-08:00</updated><title type='text'>para começar, o começo</title><content type='html'>olá. muito prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esse poderia ser apenas um cumprimento mas está mais para uma carta de intenções. é suposto eu ter prazer de cá escrever. e é suposto que alguém tenha prazer em ler o que cá está escrito. revoguem-se quaisquer disposições em contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não prometo muita coisa. tentarei apenas despejar aqui um pouco do que vejo por aí todos os dias, além de republicar os meus textos que saíram em jornais e revistas. quanto ao conteúdo a coisa é simples: mais de uma vez escrevi, a crónica nada mais é do que uma polaroid da vida. não peça ao cronista muito peso no que escreve, quando, na verdade estamos concentrados na leveza do ser. espere de mim apenas profundas superficialidades. não é muito, mas é o que tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou como diria o meu tio olavo: "há certos cronistas que, para quem veio do nada, são muito fiéis às suas origens".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11310413-111028560190885638?l=tioolavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tioolavo.blogspot.com/feeds/111028560190885638/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11310413&amp;postID=111028560190885638' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111028560190885638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11310413/posts/default/111028560190885638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tioolavo.blogspot.com/2005/03/para-comear-o-comeo.html' title='para começar, o começo'/><author><name>edson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17057714105435885271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
